Se não tiver o que fazer, seja bem vindo ao meu mundo


























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Wake up, Neo...

Follow the white rabbit...

Who am I?

Toda regra existe para ser quebrada

O destino é uma desculpa tola para o fracasso

Se tempo é dinheiro e eu tenho tempo sobrando, então eu estou milionário?

O silêncio às vezes é melhor que as palavras

Não me julgue pelo que vê, nem pelo que demonstro, pois meu eu verdadeiro é uma criança matreira e tímida, que adora se esconder de todos, inclusive de mim

Eu não sou mais o que sou, sou o que me tornei

Há no céu uma estrela só pra mim, que brilha todo o tempo, incansável, esperando meu desejo

Nem no dia mais chuvoso se perde a esperança, pois acima da tempestade brilha o sol, quente e acolhedor, espreitando...

Todos os cogumelos são comestíveis. Alguns só uma vez.

O verdadeiro amigo não é aquele que separa a briga, mas aquele que chega dando uma voadora.

"Sei de tudo o que falo. Tirando isso, não sei mais nada" - Millôr

"O otimista não sabe o que está por vir" - Millôr

Se algo pode dar errado, não se preocupe: vai dar - a famosa lei de murphy

"Toda solução vem de um problema. Ou seja, se você não tem nenhum problema, não pode solucionar nada. Aí você cria um problema... que não tem solução" - Adão

"It´s such a fine line between good and evil." - Robert Louis Stevenson (Dr. Jekyll & Mr. Hyde)

Como todo mundo sempre faz nos blogs, aqui estão detalhes do que eu gosto e não gosto. Só que eu nunca faria igual a todo mundo. Divirtam-se.

[Obs.: Meu, isso é de 2004, então desconsidere o teor de adolescência, vai]

Adoro ficar sozinho , adoro pensar, adoro ler aventura e ficção, adoro viver aventura e ficção, adoro comer, adoro me sentir superior a algumas pessoas, adoro me sentir único, adoro aprender, adoro um ambiente aconchegante, adoro ficar com amigos íntimos, adoro toddy, adoro cheiro de sabonete, adoro dançar e ver que ninguém está me olhando, adoro me entregar totalmente ao que faço, desde que não seja obrigado, adoro Harry Potter e todo mundo de lá, adoro escrever, adoro descobrir que alguém mentiu pra não me deixar triste, adoro comerciais legais, adoro séries de TV, adoro filmes românticos, adoro Johnny Deep e todos seus filmes, adoro mulheres bonitas, adoro me emocionar, adoro fazer pão, adoro o frio, adoro o calor, adoro não seguir a moda, adoro preto, adoro branco, adoro extremos, adoro harmonia, adoro música bem cantada, adoro uma música bem tocada, adoro tomar chuva sem preocupação, adoro encher a boca pra comer, adoro fazer palhaçada, adoro o teatro, adoro a mitologia grega e romana (e eu não sei a diferença), adoro lendas, adoro histórias bem contadas, adoro folclore, adoro ver alguém se dedicar de corpo e alma ao que faz, adoro sorrisos verdadeiros, adoro abraços apertados, adoro alívio, adoro olhar pra lua, adoro ler poemas que entendo, adoro ser diferente, adoro desenhos que não sejam imbecilizantes, adoro dança pura, adoro o som que o vento faz quando sopra rápido demais, adoro ver os outros felizes, adoro ser reconhecido pelo meu esforço, adoro passar despercebido (às vezes), adoro saber segredos, adoro passagens secretas, adoro desafios saudáveis, adoro ver fotos velhas, adoro dormir cansado, adoro vadiar, adoro nadar na praia, adoro fazer amigos legais, adoro a inocência, adoro a época medieval (idealizada (na Europa)), adoro digitar rápido, adoro ganhar, adoro prata, adoro frases/máximas, adoro desenhar bem, adoro olhos, adoro gente que compartilha, adoro alegria, adoro vôlei, adoro esculturas em vidro, adoro florestas, adoro árvores, adoro animais, adoro não seguir o horário, adoro observar, adoro beijar quem beija bem, adoro nerds simpáticos, adoro relembrar a infância, adoro quando aparece o arco-íris, adoro lembrar dos sonhos, adoro paisagens, adoro espanhol, adoro flamenco, adoro aquela música no violão que lembra a Espanha e as touradas, adoro a sensualidade, adoro ser meio orgulhoso, adoro fazer quiz, adoro fugir do mundo, adoro me comparar com outras pessoas, adoro pensar que sou tudo, adoro me imaginar na situação das outras pessoas, adoro pensar que não é todo mundo que vai ler isso.

Odeio me sentir sozinho, odeio a morte, odeio quem se acha superior, odeio máquinas eletrônicas, odeio rebeldia sem causa, odeio blogs estúpidos, odeio os canais de televisão, odeio hipocrisia, odeio gente cabeça-dura, odeio quem se acha, odeio jogar futebol, odeio o método, odeio tudo em excesso, odeio aproveitadores, odeio não entender, odeio tarefa, odeio ser contrariado, odeio quem repassa e-mails sem nenhum sentimento, odeio estar fazendo algo agradável e ser interrompido, odeio não saber assobiar alto, odeio não saber tocar instrumento musical, odeio pressão, odeio quem acha que me conhece e não conhece, odeio acima de tudo quem me julga (errado então, nossa!), odeio cobrar, odeio um monte de gente um monte de vezes (mas no resto, eu gosto deles), odeio gente burra (no sentido geral), odeio ser odiado, odeio banheiro que não é só meu, odeio Mc Donald's, odeio os EUA e os americanos filhos-da-puta, o resto não, odeio filhos-da-puta em geral, odeio traidores, odeio quem mente por maldade, odeio quem abusa do poder, odeio quem não tem consciência, odeio quem quer se achar foda, odeio bitolados, não gosto de ler textos escritos aXiM, odeio ser enganado, odeio não conseguir, odeio balada, odeio quem só faz fachada, odeio quem caga dinheiro, odeio milionários em geral, odeio deputados, senadores e políticos em geral, odeio deslealdade, odeio covardia, odeio os insensíveis conscientes, odeio livros realistas, odeio guerras em geral, odeio não ter superpoderes, odeio não poder ter nem ser tudo que eu quero, odeio me conformar, mas acima de tudo, odeio a rotina.

agora aqui é só pra quem conseguiu ler tudo isso até o final...

FICHA CRIMINAL

nome do indivíduo: Ricardo (vulgo Kbelo, Fluffy, ri, rick, ou derivados)

crime: induzir inocentes a lerem coisas inúteis e sem aparente importância de sua vida através dum blog de nome não-criativo

vindo ao mundo em: 31/05/1888

habitat natural: em casa, na cama dormindo, ou comendo, embora seus hábitos podem mudar radicalmente devido ao ambiente em que se encontra, visto que evolui com frequência, adaptando-se bem em qualquer meio

comidas: hábitos alimentares semelhantes aos do avestruz

superpoderes: ainda não revelados, nem definidos

APARÊNCIA FÍSICA

sexo: nem muito, nem pouco

olhos: verdes (embora digam que fica azul de dia ou quando estou triste, só sei que é por aí, nessas cores)

cabelo: castanho-escuro, comprido, enrolado, lembrando vagamente uma vassoura ou um ninho de mafagafos

boca: carnuda, sexy, molhadinha, quem quiser mais é 0800-695488, atendo em domicílio, sem frescura

demais: uma boca, um nariz, dois olhos, duas orelhas, 34 dentes (verdade!!(por enquanto...))

estado atual: solteiro, procurando alguém interessante que me faça virar a cabeça (não, não é o pescoço...)

livro preferido: sem essa!

filme preferido: sem essa mesmo!

música: depende muito do estado de humor, mas varia de sertanejo, pagode e axé à hardcore, new age e assobios, qualquer coisa, qualquer mesmo, MENOS música religiosa

estado de humor: permanentemente inconstante (boa!(essa é pra bater aquelas carinhas!))

alguém famoso com quem parece: umas vezes me disseram Brendam Fraser (o cara d'A Múmia), mas eu não sei se é... na dúvida vai ele, já que não tem foto... ainda... ou talvez nunca tenha, fiquem com ele mesmo

APARÊNCIA PSICOLÓGICA

o que tem na cabeça: além de alguns neurônios, um cérebro empoeirado e cheio de teias de aranha... ah, e a consciência... o resto está explícito aí do lado

personalidade: um anjo. com a asa quebrada. gosto do jeito do tarzã. e do Aragorn. mesmo antes de saber que ele era foda. gosto de heróis humildes. queria ser um. e quem disse que não posso?

demais: idéias perigosas, inconstante, múltipla personalidade, único. se quiser saber mais, vai ter que ler tudo e deduzir, acha que é fácil, é?

prazo de validade: 200 anos. se estragado ou danificado dentro da garantia, reclamar diretamente com o fabricante

melhor consumir antes de: 31/05/2088

opção sugerida: chocolate, chantilly e cereja, e um pouco de açúcar. Se estiver de dieta, também é muito bom com cenouras, rabanetes e palmito. Se estiver de jejum, queimar, recolher o pó e inalar. quaisquer outras formas de consumo não foram devidamente testadas por nossos profissionais e não são recomendadas.


Idéias enroladas de um viajante...
Segunda-feira, Dezembro 01, 2008
Nunca aprendi muito de HTML. Fiz um semestre de programação de computadores na ETESP em 2004, mas não aprendi tanto assim. Deveria ter ficado durante um ano e meio para ter aprendido tudo. Mas não me queixo, às vezes há que se desistir de algumas coisas para fazer outras. Enfim, meu aprendizado de computação é basicamente feito de fuçadas em blogs alheios. Na época em que blogs estavam surgindo, e não surgidos como acontece hoje, eu ia procurando erraticamente por aí blogs cujo layout me aprouvessem, e tentava, na marra, apanhar alguma coisa de lá. Raras vezes obtia êxito, mas está cá o resultado das vezes que fui sucedido.

A vontade que dá é congelar este blog para deixá-lo na memória para sempre. Mas isso não é possível, algum dia o servidor irá tirá-lo do ar. Mas este blog já significou muito para mim. É de 11 de setembro de 2003, tem mais de cinco anos hoje, embora os dois últimos anos terem sido ermos. Eu tinha quinze anos quando comecei este blog. Ele reflete meu eu adolescente, um pouco mais artístico, recatado, trabalhado, revoltado, um eu que não se confrontava diretamente com as coisas, era orgulhoso, meio marrento e cabeça-dura. De maneira nenhuma eu mudei tanto assim para falar com essa distância de mim mesmo; é que cheguei a um ponto em que preciso tomar uma decisão.

Bom, os blogs hoje em dia representam importante elemento na esfera de discussão pública. Aquilo que era antes, um "diário virtual", hoje em dia não tem mais muito espaço. Está mais para um cartão de visitas, ou um portifólio de seus pensamentos à paisana. Enfim, o formato deste blog começou de uma maneira e hoje o formato dominante é outro. Será que eu deveria mudar este blog aos novos padrões ou devo deixá-lo assim como está? Devo pegar outro endereço? Devo deixá-lo sempre como "meu antigo blog"?

Penso em começar um novo, marcar uma nova fase na vida, uma mudança de endereço é uma mudança muito mais radical. Perde-se história, orém que isso tem de tão ruim? História se contrói todo dia. Então vou fazer isso: vou deixar este blog aqui, congelado no tempo. Isso é totalmente contra a modernidade; na modernidade, não há espaços absolutamente fixos nem portos-seguros, há a mudança e a velocidade, a via de informações. Mas que espírito adolescente seria o meu se não contestasse essa loucura?

A última grande oposição que faço, como despedida de adolescente, é de atos e palavras. Palavras porque condeno aqui esta falta de pontos fixos na modernidade, falta de valores basais, esta mudança constante que alguma hora nos tornará inumanos. Depois escrevo mais algo sobre isso. E condeno em atos porque faço algo que não condiz com a corrente: este blog ficará aqui congelado, atualizado poucas vezes por semestre, devagar, num tempo em que o tempo passa mais devagar. O outro será seu alter-ego, rápido, descartável, jornalístico, tudo isso para tentar expressar a dualidade ou polivalência que acredito haver em todas as coisas.

Deixo aqui meus sinceros sentimentos, de uma grande época de minha vida. Que a Globo.com não tire-o do ar muito cedo; que não me tomem por estes escritos aquilo que sou hoje; que o aprendizado desta época colabore para mim e para os outros tudo aquilo que eu queria que colaborasse. Pode parecer meio esquizofrênico este post, mas nada mais representativo de mim que isso.

Obrigado a todos os meu leitores de toda a história.

Ricardo F. Santos

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:18 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Outubro 20, 2008
Sinal fechado - Paulinho da Viola

Olá, como vai
Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo,
Correndo pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranqüilo
Quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...

Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios...
O, não tem de que
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo,
Talvez nos vejamos
Quem sabe?
Quanto tempo...
Pois é, quanto tempo...

Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge à lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana... O sinal...
Eu procuro você... Vai abrir... Vai abrir...
Eu prometo, não esqueço,
Por favor, não esqueça, não esqueça, não esqueça...
Adeus...

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:13 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Agosto 19, 2008
Um teaser

Ao abaixar o cano da arma, viu a responsabilidade que teve na ponta dos dedos. Jamais havia feito semelhante coisa, e parecia pouco menos assustado que a mulher à sua frente, que vira uma bala entrar na cabeça de um sujeito a poucos centímetros de si. Certamente nenhum dos dois nunca havia passado por isso, mas o primeiro instinto que tiveram era fugir. Andar. E andaram lado a lado, direcionando-se consensualmente ao específico caminho que levava à casa da mulher. Andaram em silêncio com o eco surdo e ao mesmo tempo retumbante do disparo da arma umas quadras atrás. Chegaram finalmente ao quarteirão em que a mulher morava. Ele parou, movido por alguma força impeditiva, talvez vergonha, talvez ética, talvez nada. Ciente do movimento, ela olhou para trás e os dois se encararam por um tempo indefinido, o tempo que não se conta, o tempo do olhar e da mente. Trocaram entre si mil falas silenciosas de agradecimento, alívio e cumplicidade. Como se cortasse um fio que os ligava, os sensos lhe voltaram e uma brisa, real ou imaginária, fez mais leves ambos os corações. Aqueles dois desconhecidos para sempre seriam desconhecidos um para o outro, mas importava é que ambos estavam bem, vivos. Um sorriso realmente agora percorreu os lábios da desconhecida, mas não se sabe se chegou a alcançar o homem, que virava as costas. Não sabendo como se sentir, não sentia nada. Não era acostumado a sensações novas.

Assim que o homem virou a esquina, a mulher bateu a porta de entrada, e uma alma deixou um corpo roto numa rua escura da cidade. Depois obviamente se descobriu o crime, mas nenhum esforço além do ordinário se fez para achar seu autor, que os assassinatos mais simples são os menos solúveis, e o morto teve tanto destaque no jornal quanto nas estatísticas. E duas pessoas, ou três, se contarmos o cadáver, dormiram com uma tranqüilidade de certo modo inquietante aquela noite.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:44 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Em vinte anos

É sensível o aumento que percebemos na população de São Paulo. A situação que melhor mede esse aumento é, provavelmente, o transporte público. Experiência pessoal que, saindo do metrô Santana em 2003, eu sentava e poderia até abrir um jornal (coisa meramente ilustrativa, que obviamente eu não fazia). Podia abrir os braços, cruzar e descruzar as pernas, falar baixo sozinho e mesmo assim ninguém ouviria. Isso às 6h40, todo dia.

Hoje, cinco anos depois, chegar depois das seis é corrida de cotovelo. Aquela que quando vai chegando o trem, você coloca o cotovelo na frente da pessoa ao lado, depois o ombro, o corpo inteiro, dando aquele passinho imperceptível mudando o pé de apoio. E se você sentar, não se iluda, vai ter um velhinho daqui a duas estações que vai te fazer levantar.

Alguém pode argumentar, quanto ao transporte público, que as pessoas o estão utilizando mais do que antes. Bom, proporcionalmente sim. Mas há quanto tempo você não vê a Rebouças vazia? Um acesso à Marginal livre? A Rod. dos Bandeirantes sem motoristas estressados? Essa crise de gente em São Paulo atinge todo mundo, carros, ônibus, patinetes, metrô e mobiletes.

Mas meu objetivo com essa exposição é apenas introdutório. A verdadeira história é que um dia desses, voltando pra casa de ônibus, ardendo em febre, três da tarde, eu tive uma visão (o ônibus estava cheio, óbvio).

Encostei a cabeça no vidro quente da janela e fiquei em estado de semi-consciência, porque a febre me vinha com dor de cabeça e não me deixava dormir. Neste estado, entre a Vital Brasil no Butantã e a Marambaia na Casa Verde eu tive um vislumbre de como será o futuro. E talvez pelo chacoalhar do ônibus, minha visão foi temática: eu vi o trânsito no futuro.

Devem ter se passado uns vinte anos, pelo design dos carros. Mas por mais descolados que sejam, eles não vão andar mais do que hoje. Aliás, menos. O trânsito nas ruas vai ser caótico. As leis de trânsito vão ser praticamente deixadas de lado, e o fluxo de carros... bem, não vai fluir nada.

Trens, metrôs e ônibus continuarão normalmente, com ressalvas. Ônibus só anda em corredor. O metrô vai custar três vezes mais que os ônibus, que já estarão por R$ 4,30. A CPTM não conseguia mais comportar o contingente de usuários, que crescia em proporção geométrica. Os aumentos sucessivos de preço foram uma tentativa da empresa de fazer menos pessoas andarem de metrô. Falharam miseravelmente.

Os casos de agorafobia, medo de lugares públicos, aumentaram irracionalmente. Contudo, isso já era esperado, e nem tão irracional, porque andar de transporte público será perigoso. Foi provado em um estudo psicológico do trânsito (esses estudos viraram moda) que quanto menos andam seus carros, mais as pessoas ficam nervosas.

Uma vez, em 2019, num dia particularmente difícil, um carro não parava de buzinar para um ônibus à sua frente. Depois de muitos minutos disso, vários passageiros desceram do ônibus e espancaram o motorista do carro até a morte.

Casos como esse não terão mais tom de novidade. No mesmo ano, ocorreu uma tragédia ainda maior dentro de uma estação de trem. Na hora do rush, o trem estava demorando fenomenalmente a chegar, mas as pessoas não paravam de descer pela escada rolante. A plataforma chegou a um tal nível de saturação que várias pessoas, no meio do empurra-empurra, caíram na plataforma antes de conseguirem desligar a escada rolante.

Resultado: hoje não há mais escada rolante. E para acrescentar, na política desesperada de desestimular as pessoas a usarem o metrô, eles tiraram todos os bancos. Diminuindo o conforto, as pessoas parariam de usar o metrô. Outra derrota vergonhosa. O prefeito chegou a insinuar que a medida foi boa porque assim caberia mais gente dentro dos trens.

As pessoas, conseqüentemente, passaram a ficar mais nervosas e irritadiças. Brigas no trânsito e no transporte público viraram mais que comuns. Tiveram que dobrar o policiamento nos transportes e nas ruas, porque as pessoas estavam literalmente se matando. Os CETs viraram os maiores alvos de atentados. Todos violentíssimos.

O Ponte Orca, que é uma das poucas coisas elogiáveis hoje em dia, perderá a função original de interligação entre metrô e trem, e servirá para ligar quaisquer dois pontos críticos da cidade, sem paradas. Tem uma fila de mais de meia hora, e custa quase seis reais. Ao descer da van no final, as pessoas deverão tomar cuidado para não serem pisoteadas pelos passageiros do lado de fora que querem pegar o seu bilhetinho. Jogá-lo longe é a melhor saída para não arriscar a vida. Agora existem dezoito linhas diferentes em toda a grande São Paulo, cuja área metropolitana aumentou visivelmente.

Alguns especialistas profetizavam que em menos de dez anos haveria um êxodo da cidade de São Paulo que a deixaria quase fantasmagórica. Hoje eles passam fome. A cidade se recusa a diminuir de tamanho, e a cada dia seu fluxo de pessoas, informações e materiais contrabandeados só aumenta. Cada pessoa fica mais insatisfeita e estressada, mas briga na mesma proporção por seu espaço urbano. É uma luta instintiva por se manter naquele espaço que já dá mais trabalho do que ajuda, numa relação de amor e ódio, mas as pessoas se recusam a sair. Perdem seis horas no trânsito, mas não buscam outra vida, e nem querem. São paulistanos convictos. Tudo para estar, ficar, permanecer no seu lugar. Elas acham uma espécie de conforto aqui, entre os espinhos.

Isso vai ser a única coisa que não vai mudar.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:47 Discorde!!: (°|°) icarus

Sexta-feira, Maio 02, 2008
Dormir com o som da chuva é uma coisa muito gostosa, relaxante. Porém, por mais vezes que a gente durma com o som da chuva, nunca será o bastante; sempre vamos querer dormir ao som dela mais uma vez.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:31 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Março 30, 2008
Faz mais de dois meses que eu não posto nada neste blog, e este é o segundo post do ano. Eu estou atrás até de uma publicação mensal... Não estou escrevendo ultimamente por várias desculpas: estava lendo O Evangelho Segundo Jesus Cristo, então no meu tempo livre eu não escrevia, eu lia. Bom, o livro acabou há duas semanas, mas o semestre começou, a desculpa agora é que eu tenho diversos afazeres acadêmicos e principalmente de entidades. Além disso, tenho uma carga de leitura grande, pois numa das matérias, livro-reportagem, tenho que ler um livro de mais de 200 páginas para daqui a dois meses. Tudo bem, não é muito, mas tente ler isso com pessoas correndo atrás de você o tempo todo, e se não for ainda assim, com atividades para fazer o tempo todo. Não dá, é foda. Além disso, não é só um livro que há, tem mais alguns, só que opcionais.

Acho que esse post é só pra reclamar da vida um pouco, que está ótima, mas corrida pra caramba. Queria parar um pouco, um feriado pra não fazer nada, só não fazer. Ah, mas todo mundo quer isso. Acho que eu estou virando todo mundo.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 03:10 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
Um mês atrás eu não pensaria em nada que não fosse energia, agitação, atividade estressante, como eu estava experimentando ao fim do semestre. Isto prova como a vida pode dar reviravoltas, como ondas num mar agitado, que giram e reviram em torno de si mesmas, consigo tudo levando, mas mais importante, isto prova que o ser humano é totalmente condicionado pelo momento que está passando, se está feliz, será feliz pelo resto da vida, se está triste, nunca sairá do fundo do poço em que se encontra, se está agitado, nunca encontrará um momento de paz.

Acordo numa manhã preguiçosa e, após virar para o lado e pegar religiosamente os óculos, olhei em redor e vi quatro caixas de remédios. Amoxacilina, um cataflan genérico, um outro cujo nome acabava com “ina” também e outro ainda que rimava com “ulida”. Além disso, havia duas cartelas de pílulas meio tomadas, com comprimidos sobrando, denunciando uma responsabilidade inigualável com assuntos de saúde.

Vou levantar-me e sinto dores do joelho. No primeiro mês de férias, o direito, depois o esquerdo faz-lhe coro, se é que eles podem cantar, e se pudessem, é provável que cantassem tango, com violinos a fazer-lhes acompanhamento. Olho-me no espelho, o cabelo ressecado como palha, capim, feno, a indústria de cosméticos já cunhou diversos nomes para se referir a cabelos que não sejam conjuntos de fios brilhantes e sedosos, e a pele do rosto não fica atrás neste quesito de hidratação, couraça a que se assemelha, e ainda os olhos aparecem-me baixos, tristonhos, com olheiras e marcas de óculos. A boca me dói, porque meus dentes do siso insistem em brigar por um espaço que a modernidade e a evolução natural do homem e das comidas, hoje muito mais pastosas que os duros ossos roídos de antigamente, simplesmente não vão lhe dar, mas isso não impede os dentes do juízo de brigar, comprometendo a harmonia bucal tão almejada quando nos doem os dentes, aliás, parece dar-lhes mais força para romper a implacável porém plástica gengiva, e quando a rompe, instaura-se o caos em todo o mais, toca-nos a retirar os sempre insatisfeitos dentes do siso, que só teriam trabalho se a estória da fada do dente ainda fosse verdade na época da vida em que os sisos se rompem, quando infelizmente já é demasiado tarde.

Assôo o nariz em vão; está entupido mas nada sai no papel higiênico umedecido por mucosa transparente, o que quer que esteja me trancando as vias respiratórias deve estar mais para dentro, e por isso que a otorrinolaringologista a que fui receitou-me um remédio ao qual eu pretendia comprar com a melhor das intenções, até descobrir-lhe o valor de quarenta reais, chamar a indústria farmacêutica de sem-vergonha e resignar-me com os inócuos lenços de papel.

Volto-me para o quarto, desesperançado, e olho-o com ar superior, reprovador, como quem olha para um cachorro que fez coisa errada na esperança de educá-lo. O fato é, meu quarto possivelmente não vai aprender a se arrumar sozinho, razão pela qual meu corpo desabou em desgosto e mais preguiça. Olho o dia já adiantado pela janela, mais de dez da manhã, pergunto-me Que diabos fiz na noite passada que não rendeu, sinto a irremediável sensação de não-eficiência que se sente nas férias e volto a arrumar o quarto, num ciclo que parece infinito. Aí lembro-me Estou de férias, arrumo a cama, apenas ela, nada mais, pego um livro, deito e volto a ler o que esqueci da noite passada. Aproveito o pouco tempo que tenho para ler, porque de tarde vou ao médico, ou dentista, ou fisioterapeuta, que não tive tempo para vê-los no resto do ano.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:03 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Dezembro 25, 2007

Entardecer ao dia 24

Após dirigir o carro pela primeira vez na frente de meu pai, que estava com dor nas costas e é a pessoa mais crítica em direção na família, eu me senti bem. Fui levar a empregada daqui na casa dela e fui trocar o gás, emprestando trinta reais a meu pai na hora de pagar. Voltei, trocamos o gás e, ainda em sua companhia, fomos limpar o quintal para o churrasco do dia 25.

Fui cortar unha-de-gato que trepava no muro e começava a invadir a casa do vizinho, mas, principalmente, fui cortar porque a planta sobre o muro começava a tapar o sol das outras plantas no meu quintal.

Ao ir podando relutantes galhos do muro, fui revelando trechos de céu com a claridade de final da tarde. O sol se escondia atrás das nuvens, mas percebia-se que dali a pouco seria noite.

Dentro em pouco eu estaria em casa bonita, de banho tomado com outras pessoas cheirosas. Mas, ao ver meu pai varrendo as folhas do chão, eu cortando grama do jeito que ele fazia quando eu era pequeno, eu tendo dirigido o carro dele (com sua supervisão, ainda) e tendo subido as escadas com o bujão de gás cheio, pesado, senti-me mais perto de meu pai que nunca. Assumindo o lugar dele ao seu lado, em silêncio, como dois cúmplices: um humilde e orgulhoso do pai, um satisfeito e orgulhoso do filho.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:39 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Sábado, Abril 08, 2006
Sentimento sublime
Ao sair da casa de Rosa, eu me encontrava em outro plano de existência. Não superior, que essas coisas de fora não me representam direito. Eu estava numa espécie de euforia interior; no fundo de minha alma entoava-se um canto maravilhoso, primeiro glorioso, depois apaixonante. Eu estava abstrato. Andava pela rua como se não estivesse lá, como se meu espírito tivesse sido engolido para o fundo do mar, e depois de quase sufocado, foi arremessado para a orla da praia como um corpo quase sem vida, mas com um sorriso triunfante e exausto nos lábios e a pérola mais linda do oceano apertada firmemente na palma da mão. Eu ganhara o mundo. A última conversa com ela me deixara atordoado, quase entorpecido. Parara minha respiração. Seu último abraço me fora abrigo, seu último olhar, amuleto. Digno das novelas de cavalaria. Um amuleto que me acompanharia pelas próximas vidas até que a alma se recusasse a descer à terra novamente. Um amuleto que selava um amor platônico, presente, inconcebível. Um amuleto que selava a mais profunda admiração que se pode ter por uma pessoa. Estampava no peito e no rosto toda a proteção quase divina que eu recebera. Ela me notara. Não só isso: eu mudara algo nela. Eu havia subido todos os andares do inferno para deixar uma suave marca nesse anjo. Por isso eu não era o dono do mundo, mas o maior dono de mim mesmo, da verdade e do sentimento mais nobre que já me permiti sentir.

PS.: linha 4, tragado ao invés de engolido.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:26 Discorde!!: (°|°) icarus

Sexta-feira, Agosto 31, 2007
Esta história é em homenagem a um professor que não nos sairá da memória, não necessariamente por boas razões. Aqui vai pra quem não conseguiu ler na lousa do Labri.


"Se você estiver almoçando um delicioso strogonoff e um prédio cair do seu lado, vai fazer o quê? Terminar de comer?..."


Dois jornalistas, de formações diferentes, almoçavam juntos. Um deles comia um delicioso strogonoff; o outro, um pastel com caldo-de-cana (em que restaurante eu não sei). O primeiro deles comia calmamente, contando as batatinhas com o garfo; o outro, agitado, olhava para os lados, misturando na boca o pastel mastigado e a garapa.

De repente, um prédio ao lado inexplicavelmente desaba. Após um momento de susto, os dois se mexem: enquanto um revira febrilmente a bolsa à procura de uma câmera, o outro se apressa, moderadamente, a comer as batatinhas.

Engolindo o resto da garapa, esboçou um aceno para o colega e disparou em direção ao local do acidente. Chegou lá e começou a tirar fotos alucinadamente.

Enquanto isso, o outro jornalista pediu sua conta preguiçosamente e caminhou em direção ao ajuntamento de pessoas na frente do prédio.

O jornalista vida loka, lembrando de suas aulas de fotografia e usando sua credencial, subiu no prédio ao lado para obter melhores imagens.

O outro profissional aproveitou-se do desespero das pessoas e arrancou uns dez depoimentos trágicos.

Eis senão quando o outro prédio também desmorona misteriosamente, matando imediatamente todos os seus ocupantes, inclusive o intrépido jornalista. O passantes chocaram-se mais ainda, mais depoimentos para o comedor de strogonoff.

Ele foi elogiado pelo seu editor por ter sorte e estar no lugar certo e na hora certa, e teve o salário aumentado. As fotos do acidente o jornal comprou da Reuters.

Moral da história 1: Nesse mundo, o mérito que te atribuem só precisa ser equivalente ao que você merece se você for ético.

Moral da história 2: No próximo acidente, termine de comer seu strogonoff.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 12:02 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Agosto 25, 2007
Nesta vida de pessoa organizada que eu estou tentando (e meio que conseguindo) levar, não consigo mais escrever. Não dá inspiração, sei lá. Deveria persistir na situação e tentar escrever mesmo sem muita inspiração, ou deveria parar de tentar ser organizado e voltar à bagunça de meus dias, com idéias pululando de hora em hora?

Hum.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:13 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Agosto 01, 2007
Um texto como eu não escrevia há tempos.

Insone

Merda. Nunca tive insônia antes. E eis que no fim, bem no finzinho das férias me assalta essa merda no meio da noite de sábado para domingo.
Começou de pouquinho. Fiquei das 03h às 04h30 de olho aberto. De domingo para segunda a dose se repetiu, desta vez mais intensa. Das 23h às 03h. Dormi só duas horas, e mais uma hora no final da tarde de segunda, sem contar as pescadas no ônibus.
E agora, após um auspicioso e promissor primeiro de aula, eis-me aqui noutra desgraçada vigília.
Assisti a “Cinema, aspirinas e urubus”, que acho que minha irmã alugou, da 0h30 às 02h15. Vi um final de episódio dos Simpsons. Subi. Pus um chinelo, não agüento mais ficar com o pé meio gelado dentro de duas meias; que vire um picolé de uma vez.
Só consigo pensar no dia seguinte, na correria, e nas pessoas que neste momento jazem aconchegadas em seus cobertores, mantas e grossos edredons.
Diacho. Vou ver se pelo menos faço alguma coisa útil. Talvez escrever um dos dez textos que estão na gaveta desde o final de julho. É, acho bom. Vou-me então.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:08 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Julho 11, 2007
Inauguração

Um shopping? Sim, um shopping! Que nem aqueles da cidade grande? Com cinema e praça de alimentação. Que luxo!
Não se falava em outra coisa em toda a cidade: São José dos Guaiamuns vai ter shopping! Era um degrau importante no rol das cidades do interior. Guaiamuns subiria ao nível de Prudente, Marília, Aparecida, Itu! E com um pouco mais, por que não uma Campinas, uma são José dos Campos? O céu é o limite!
O prefeito fazia questão de anunciar em cada esquina – que, afinal, não eram muitas – a inauguração de um shopping center em seu mandato. A iniciativa era privada, claro, mas isso ele não relevava. Enfatizava a grandeza da obra (só não maior do que a igreja) e as melhorias que ela traria para Guaiamuns, e isso já bastava para animar a população.
O sábado foi passado pensando-se no domingo. Locais e horários de encontro marcados, todos dormiram uma noite de burburinhos. No dia seguinte, após a missa das oito (que ia até às nove e quinze; a maioria das pessoas preferia a missa das sete às oito que era mais curta, mas nunca conseguia chegar a tempo) os moradores dirigiram-se ao shopping, que não ficava muito longe. Parecia uma procissão, exceto pelo fato de que iam animados.
A caminhada ia tranqüila. O prefeito já seguira com seus assessores na frente. Quando chegaram lá, já havia um pequeno palanque erguido para o prefeito, do qual ele discursaria sem microfone, ao lado do empreendedor dono do shopping. A tradicional fita estava atrás dele, amarrada com um laço do jeito que a gente sempre imaginou.
O político iniciou um discurso mas, como era homem observador e de bom senso, não passou muito dos quinze minutos, vendo a atenção do público começar a se dispersar. O que eles queriam era abrir o shopping. Alguém entregou uma tesoura grande ao prefeito e ele, com um gesto propositalmente exagerado, cortou a fita sob aplausos orgulhosos da multidão.
Neste dia, todos passearam no shopping até causar. No outro, também. No terceiro dia, já menos pessoas foram.
O shopping faliu em três meses. Fechou as portas.
O prefeito, que nesta história não tem nome, perdeu a eleição no ano seguinte.
São José dos Guaiamuns mudou de nome, e hoje em dia se chama Comendador Custódio Vieira.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:25 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Junho 28, 2007
Nada nessa vida sai como a gente quer, diz um velho.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 04:58 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Junho 23, 2007
Republicação. E sim, é premonitória. Só achei que dizer isso seria pedante. Mas não.

Sábado, Abril 08, 2006
Sentimento sublime
Ao sair da casa de Rosa, eu me encontrava em outro plano de existência. Não superior, que essas coisas de fora não me representam direito. Eu estava numa espécie de euforia interior; no fundo de minha alma entoava-se um canto maravilhoso, primeiro glorioso, depois apaixonante. Eu estava abstrato. Andava pela rua como se não estivesse lá, como se meu espírito tivesse sido engolido para o fundo do mar, e depois de quase sufocado, foi arremessado para a orla da praia como um corpo quase sem vida, mas com um sorriso triunfante e exausto nos lábios e a pérola mais linda do oceano apertada firmemente na palma da mão. Eu ganhara o mundo. A última conversa com ela me deixara atordoado, quase entorpecido. Parara minha respiração. Seu último abraço me fora abrigo, seu último olhar, amuleto. Digno das novelas de cavalaria. Um amuleto que me acompanharia pelas próximas vidas até que a alma se recusasse a descer à terra novamente. Um amuleto que selava um amor platônico, presente, inconcebível. Um amuleto que selava a mais profunda admiração que se pode ter por uma pessoa. Estampava no peito e no rosto toda a proteção quase divina que eu recebera. Ela me notara. Não só isso: eu mudara algo nela. Eu havia subido todos os andares do inferno para deixar uma suave marca nesse anjo. Por isso eu não era o dono do mundo, mas o maior dono de mim mesmo, da verdade e do sentimento mais nobre que já me permiti sentir.

PS.: linha 4, tragado ao invés de engolido.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Junho 20, 2007
"Gente grande como eu não cai, Seu Fontainha; apenasmente tropeça", disse Coronel Ponciano de Azeredo Furtado. Enfrente a vida, meu rapaz. De cabeça erguida, que você nunca fez nada do que se envergonhar.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:34 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Junho 12, 2007
Exercício de descrição para uma das melhores disciplinas da faculdade. Aquela professora sim sabe o que faz. Postei porque gostei do texto. E também porque esse blog gostaria de alguma figura. O quadro chama-se "Office at Night", e seu autor é Edward Hopper.



A janela está aberta. A noite está começando novamente, após mais um dia de trabalho. O trabalho, no entanto, não acabou. Sempre há mais trabalho para esses dois seres que tão parecidos se conhecem tão pouco.
O trabalho é um tanto burocrático, mas ambos o realizam com diligência, e um certo gosto estranho por aquele tipo de atividade, que exigia compenetração e permitia um fugaz desligamento do mundo externo. Naquela sala, eram somente eles e aqueles papéis.
O arquivo, a mesinha, a máquina de escrever e o telefone haviam presenciado muita coisa já, naqueles dois anos desde que o Dr. Robert abrira o escritório. Doutor por respeito, que ele era formado em Direito. Contratara três secretárias antes de Rosalind. Eram todas muito faladeiras. Indiscretas. Robert sentia seu espaço invadido por elas. Mas com Rosalind não; ela sabia manter uma distância profissional de seu chefe, e separar relações pessoais e profissionais, apesar de relações pessoais quase não existirem entre eles.
O que havia eram apenas sentimentos indefinidos, latentes, porém nunca pronunciados, de um pelo outro. Desde que Robert contratara aquela moça bem educada, bem vestida e sisuda para trabalhar consigo sentira uma espécie de pena; pena por sua história difícil de sair de uma cidade pequena, e de sua determinação e força de caráter por não lhe implorar um emprego. Jovens dessa idade, sozinhas na cidade, geralmente procuravam um emprego e quando o achavam, faziam de tudo para consegui-lo. Mas Rosalind demonstrara tamanha dignidade em sua atitude determinada de não deixar transparecer que precisava do emprego que Robert sentiu-se condoído por ela e deu-lhe a vaga. O melhor negócio que fizera até hoje.
Rosalind sentia-se importante no escritório. Tudo que seu chefe pedia, ela fazia rápida e eficientemente. Ela, por sua vez, sentia-se enormemente agradecida àquele homem. Ele lhe dera um emprego e a salvara de algum caminho desvirtuoso. Ela tentava agradar àquele homem com sofreguidão, porque o considerava bondoso, respeitoso, um exemplo a ser seguido.
Acendeu-se uma lâmpada da rua. A luz natural do dia diminuía consideravelmente, e a luz da luminária em cima da mesa tornava-se relativamente mais forte. Robert esfregou os olhos cansados de leitura, suspirou e voltou a ler. Rosalind terminava de catalogar alfabeticamente todos os arquivos da segunda gaveta e já passaria para a terceira no dia seguinte.
¿ Vamos parar por hoje, está bem?
Ela foi fechar a janela, enquanto ele respeitosamente guardava os documentos na gaveta da mesa. Despediram-se cordialmente e foram cada qual para sua casa, como sempre. Nutrindo sentimentos tão nobres e profundos um pelo outro, alguma coisa que não entendiam não os deixava falar, declarar-se, bradar aos ventos que importavam-se profundamente com o outro. Voltaram para as próprias casas, prenhes de silêncio e vazio, aguardando o próximo dia aconchegante no escritório, não tão quente, não tão barulhento e nem cheio de acontecimentos, mas ainda assim, acolhedor.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:08 Discorde!!: icarus


Medo de criança sem mãe

Eu não me sinto muito bem. Na verdade, eu me sinto horrível. Estou com a péssima sensação que todos na vida já sentiram ao menos uma vez, a de que sou apenas mais um.
Estava lendo alguns contos de alguns escritores, dos quais alguns eram muito bons. Eu não agüento mais a palavra alguns. Significa um meio termo, não todos, não nenhum, mas um meio termo entre isso. O maldito meio termo. É o pouco; não nada, não tudo, o pouco. Não o melhor, não o pior, o bom.
É isso que me aterroriza agora. Com tantos escritores do caralho lá, onde eu vou me achar um lugar? Tá, tudo bem, pode ter lugar pra mais unzinho ali no meio, na borderline, na média, mas que vai ser mais um, e vai participar de uma briga ridícula, dos medíocres contra os medíocres.
Cadê agora meu sonho de ser um dos melhores escritores do mundo? Afundou no mar da realidade. Tropeçou no concreto do chão. Sumiu.
Você vai melhorar até lá. Melhorar até quando? Melhorar mesmo? Como ir num campo em que não se tem medida de nada e tudo é subjetivo?
Porra, por que eu não escolhi um sonho um pouco mais palpável? Por que que os sonhos têm eu ser assim?
Eu não agüento mais sonhar.
Tem um monte de ótimos textos já escritos por tanta gente que eu não vejo como posso fazer alguma diferença. Seria como pôr um pouco mais de pudim num pudinzão.
Não estou pedindo um ombro; estou pedindo um norte. Ou uma luz, porra, como é que eu vou me destacar no que faço, se ninguém no mundo aprecia o que faço?
Como me elevar à altura dos notáveis, se ninguém me nota? Como um peste de São Paulo, assim como tantos outros sonhadores, pode se destacar em qualquer coisa no mundo?
Estou desacreditado. Estou sem fé. Em mim mesmo.
Baixo a cabeça. Olho pro teclado. Teclado não é coisa pra mim. Eu gosto é de papel.
Eu tento ler e escrever. Mas a vida não deixa. Eu precisava era de um break na vida. Mas a vida não deixa.
Eu não sei mais o que fazer.
Vou dormir. Triste.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:58 Discorde!!: icarus


Às vezes, nada melhor que uma republicação.

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
Capítulo XLII
Do sonho de valsa
Tinha voltado pra casa, depois de uma boa caminhada pelos mesmos lugares de sempre. Mas como nem todo dia é igual, tentei fazer alguma coisa diferente; disso resultou numa fúria instantânea contra tudo e quase nada. E talvez como forma de compensar a falta de atitude daquela manhã, talvez para me convencer, resolvi tomar uma atitude quanto à minha ira. Resultado: descontei no sonha de valsa. Sim, aquele bombom, rosinha, gostoso, tinha pegado para comer depois, e descontei minha raiva nele. Olhei-o, tão desprotegido, pequeno, inútil, rindo-se de mim como se dissesse ¿Olha só, não tenho preocupações, enquanto você fica aí esquentando a cabeça por qualquer coisinha...¿, e como eu sou mais forte que ele, macetei-o na mesa. Ficou lá, achatado, não sei se ainda rindo, mas tirei uma lição importante disso, talvez uma das mais importantes. Depois de vê-lo indefeso, necessitado, amassado, eu, penalizado, resolvi comê-lo, como se fosse uma honra, sei lá. Mas algo me chamou a atenção: ele manteve o sabor. E disso eu tirei algo importante: da trivialidade para algo de fato relevante; o sonho de valsa amassado conserva o sabor. Mesmo amassado, deformado, em condições iníquas ele conservou a sua essência. Pois agora, minha mensagem é essa: sejamos como o sonho de valsa: conservemos o nosso eu, nossa boa índole frente às mais diversas situações.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 10:23 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Junho 04, 2007
Súbita defesa de um emo

Pronto. Revoltei-me. Por que essa perseguição aos emos? Revoltei-me contra todos os que os condenam. Contra mim mesmo também, afinal eu também os condeno. Agora me forço a pensar sobre o assunto. Vamos brincar de argumentar.

A começar, a grande maioria dos emos é jovem. O jovem é uma entidade social contraditória. É o meio caminho entre a infância e a maturidade, e há uma miríade de comportamentos dentro dessa faixa etária. Não raro o jovem sente-se perdido nesse meio. Os adultos que passaram por isso esquecem como foi sentir-se daquela maneira, ou consideram que é apenas uma fase da vida. De fato é; mas é a vida toda do jovem que está em jogo. E ele não é compreendido pelos adultos; tampouco o é pelas crianças, que obviamente têm outras preocupações. Daí vem o sentimento de incompreensão.

Os emos têm uma forma de expressar essa incompreensão. Todo jovem expressa-a de alguma maneira, e os emos o fazem através da música, que expressa sua situação, da rejeição do mundo adulto, dito capitalista, da aproximação de seus iguais, que compartilham da situação de incompreensão consigo, e de uma caracterização própria, que os diferencia daqueles pertencentes ao mesmo mundo que rechaçam.

São práticas um tanto fortes. Entretanto, um comportamento extremo é patente em qualquer jovem, para qualquer prática. O ser humano é capaz de ir a limites que até hoje não imaginamos sempre que é levado por um impulso psicológico específico. Ver no seu futuro algo que absolutamente detesta leva o jovem a comportamentos não naturais, o que chama a atenção para o lado ruim da expressão do jovem. Mas isso nada mais é que o resultado de uma mente desenvolvendo-se para enfrentar o mundo. A expressão de uma alma, que não pode fazer muito para escapar de uma realidade que não a apraz.

Aqueles que têm essas práticas são pessoas muito sensíveis à realidade. Possuem um poder de percepção e de abstração mais forte que os outros, e criam atmosferas próprias, na qual podem refugiar-se. Eventualmente, haverão de sair de seus antros de defesa contra os ataques do mundo, sim, mas não sem muita relutância. Trazer a dura realidade para alguém não é uma coisa sempre boa, especialmente a alguém que não chegou ao universo adulto.

São atitudes infantis. Sim, é querer escapar de um destino que lhe é inevitável: crescer. Entretanto, é muito salutar que o egresso da infância se expresse de forma a adquirir conhecimento sobre sua condição próxima. Virar adulto pode ser uma mudança brusca e muito assustadora para algumas pessoas mais sensíveis. E elas encontram neste way of life uma forma de se manterem.

Todos os efeitos psicológicos das atitudes e da aparência dos emos remetem a uma atitude defensiva. A franja seria uma cortina protetora contra o mundo; a cor escura das roupas é expressar o luto pela própria condição; a pintura seria, a um nível primitivo, uma forma de tornar os traços do rosto mais fortes, num enfrentamento da realidade.

Esta tomada de posição, porém, é sempre relacionada à feminilidade. A atitude defensiva contrapõe-se à agressividade própria do macho na natureza. Adicionado da maquiagem, que na sociedade moderna ocidental constituiu-se numa prática de embelezamento, exclusivamente feminina, o garoto emo é sempre ligado ao homossexualismo. Afirmo que há um preconceito velado aqui. Não unicamente contra os homossexuais, mas contra a diferença em geral. A tão latente característica humana de não aceitar o diferente mostra-se novamente, e o emo é alvo dela também.

O período transitório entre a infância e a vida adulta é chamado de juventude. Já se foi o tempo, se é que ele houve, em que o número de anos era o único fator decisivo para determinar a ¿idade mental¿ de um jovem. Vê-se hoje em dia meninas de treze anos mais responsáveis e maduras que um mancebo de dezoito. A prática emo, se puder ser localizada, ficaria nos primeiros anos da juventude, a fase mais fresca que acabou de sair da infância. Seria a mente assustada, que estava acostumada ao escuro e vê-se obrigada a sair para a claridade.

Uma atitude emo não demonstra muita maturidade. Definitivamente não. Mas é perfeitamente aceitável para alguém que apenas deixou de ser criança. Os alvos de cobrança são aqueles que, de acordo com o número de anos, já deveriam ter aceitado a realidade como ela é.

Os principais críticos destes últimos são os próprios jovens. São aqueles que aceitaram a realidade por inteiro ou a maior parte dela, e conseqüentemente não admitem uma posição defensiva de alguém que esteja na mesma condição. Freqüentemente associam-nos com a fraqueza de caráter e dizem-nos muito egocêntricos e fechados no próprio mundo.

É uma crítica válida. Quando subimos algum nível, tendemos a esperar o mesmo dos outros, que subam conosco. Aqueles que não sobem por alguma razão, ou porque não conseguem ou porque não querem, não serão bem vistos. Chamo ainda atenção para o fato de que os emos destacam-se por sua aparência. Isso, visto pelos olhos do jovem que amadureceu, parecerá uma atitude egocêntrica de chamar a atenção, quando na verdade o emo quer apenas diferenciar-se de uma sociedade da qual, afinal, não quer fazer parte.

Espero ter esclarecido alguns fatos, crenças e opiniões sobre os emos. Para mim mesmo inclusive. Poucas vezes paramos para pensar nos nossos próprios gostos e desgostos da vida cotidiana que, afinal, nos exige muitas escolhas. Acho saudável um debate sobre questões que, aparentemente, não oferecem muitos argumentos concretos. É bom para vermos que sempre nossa atitude tem alguma base, racional ou irracional, mas sempre tem uma fonte emanadora. É que quando não gostamos tendemos a nem querer pensar sobre o assunto.

PS: Ei, leiam o texto de baixo também, deu muito trabalho pra escrever!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:56 Discorde!!: icarus


Um Brasil de Ricardos

Neste domingo fui fazer uma prova de concurso público. O cargo era escrivão, escriturário, escritor ou alguma coisa assim. Por que eu fiz? Porque minha mãe quis. Simplesmente. Achei melhor não desobedecer. Acho que ela está determinada a dar um futuro para mim. Eu é que fodo ele fazendo jornalismo. O funcionalismo público é que é a onda.
Cheguei em cima da hora. Tive sorte; fiz na UniSantana perto de casa, uma faculdade grande, bonita e bem cuidada, e não numa escola pública, nem na Liberdade, igual a minha irmã e meu pai (que prestaram o mesmo concurso que eu).
A chegada até a UniSantana já fora metafórica. Mó galera caminhado apressadamente, alguns correndo, todo mundo ultrapassando todo mundo, até dava pra pensar que se alguém caísse, ninguém pararia para ajudar. Correndo atrás de um emprego. Isso é muito cruel.
Mais de setenta pessoas na minha sala. Todos homens, entre 20 e 35 anos em sua maioria. Tinha um cara mirradinho que lembrava meu antigo professor de português; tinha um cara bastante concentrado usando uma caneta atrás da orelha; tinha um moço bem gordo na última fileira que parecia estar com sono. Todos se chamavam Ricardo. De Ricardo D. a Ricardo F., mais precisamente. Competindo por trezentas vagas.
Aliás tinha um Ricardo Fernandes dos Santos além de mim, algo que não parecia comum, porque o fiscal ficou surpreso. Deve ser sonho de muita gente chegar na frente da sala e gritar: "Ricardo!", só pra dar risada quando todo mundo olhar. Mas é sério, era Ricardo pra todo o lado. Quando a mocinha começou a chamar o nome das pessoas, foi muito engraçado: Ricardo Dias e o Caramba, Ricardo Dias Santos, Ricardo Dias Silva, Ricardo dos Santos, Ricardo Ricardo Almeida (sic), Ricardos até não poder mais.
Todos Ricardos. Todos iguais. Incógnitos. Uma bando de gente que, em última análise, poderia chamar-se qualquer coisa, ou Ricardo mesmo. Uma gente que só tinha identidade fora da sala, que a partir do momento em que entrou naquele local deixou de ser "o" Ricardo e passou a ser "um" Ricardo, um candidato agrupado com outros que compartilham do seu nome de acordo com as conveniências do computador central.
R$35,00 a inscrição. R$30,00 a apostila. R$2.500,00 o salário. Sem contar a segurança do emprego público. É realmente uma aposta esses concursos públicos. Uma aposta cruel. Preencher aqueles quadradinhos da resposta foi como preencher os quadradinhos da Mega Sena.
Não podia deixar de sentir pena por todos aqueles Ricardos. Eles eram o retrato do Brasil, das classes baixa e média tentando a vida. Poucas vezes eu me senti tão deslocado.
Estranho. Eu estava entre um monte de gente que se chamava Ricardo, fazendo a mesma prova. O que estava errado então? Acho que era o que estava por detrás da prova. Talvez eu mesmo, ou talvez o motivo pelo qual fazia a prova. Mas definitivamente depois disso eu nunca teria coragem de entrar num emprego público. Depois de ter visto tanta gente simples apostando a vida naquilo, enquanto eu estou queimando o dinheiro deles me divertindo na faculdade. Sentia-me com um peso na consciência coletiva.
A injustiça dói. Mas dói muito mais neles.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:51 Discorde!!: icarus


Pior que ser burro é ser invejoso.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:22 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Maio 30, 2007

Inexpressar

Quando a angústia não pode ser traduzida em palavras, quando as vontades não se definem em linhas claras, quando o pensamento está tão intrincado num turbilhão de sentimentos e não pode se desvencilhar dos temas do coração.

Quando o vocabulário não suporta o sofrimento, quando o léxico não acompanha a velocidade das mudanças, quando o torpor da mente inutilmente se concentra num problema e não ajuda minimamente a elucidá-lo.

Quando a garganta não perfaz o grito, quando a pele não reage mais ao frio, quando as lágrimas insistem em não deixar a casa dos olhos em viagem à boca e a tristeza adornará o olhar.

Quando o espinho fura fundo o coração, quando a melancolia te rói por dentro, quando o contraste entre o belo fora e o feio dentro pesa-lhe nas costas como o mundo suportado e você não agüenta mais carregar.

Às vezes, tudo o que a gente precisa é um ombro amigo. Só um ombro; não ouvidos, não palavras, somente um ombro, aconchegante e infinito.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:00 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Maio 20, 2007
Um vislumbre de generosidade

Os meus primos têm dinheiro. Ou deveria dizer, os meus tios têm dinheiro. Pra mim, isso nunca foi uma coisa muito boa. Acho que acostuma mal. Bom, meus primos são quase todos mal acostumados. E o quase todos abre uma brecha para um menino, apenas um, que operou uma reflexão tão profunda em mim que ele nem faz idéia de quanto eu o admiro; obviamente, como uma criança.

Foi numa festa de final de ano. Aquela familiarada reunida, alegre, beberrona, uma felicidade embriagante. O clima de natal presente em cada folha de árvore, no Jardim França, na Pedro Doll e nas lojas da Paulista, com luzinhas pra todo mundo admirar. O apartamento daquela tia mais abastada abarrotado de crianças, sempre correndo, porque criança corre pra qualquer coisa, e grita, grita muito.

Como eu já disse em algum texto há não muito tempo, houve uma época em que eu me misturava às crianças. Não que eu corresse e gritasse com elas; mas eu definitivamente dava mais espaço para elas fazerem isso que os adultos. Achava divertido.

Pois bem, meu caro priminho estava entre meus outros cinco primos, todos brincando, e agindo como as crianças sempre agem, meio egoístas, meio carinhosas, meio violentas, meio fofas, meio irritantes e meio adoráveis. Até que, olha que legal, meu tio toca um sino bem alto na varanda, todos os adultos corujas gritam "Olha o Papai Noel!", e todas as crianças saem voando para lá. Meu tio escapa pela saída de serviço, não sem antes ter deixado no chão todos os presentes das crianças, embrulhadinhos, e quando as crianças chegam, todos os adultos fingem aquela decepção: "Ah, ele já foi embora... Mas olha o que ele deixou!", acrescentam, apontando para os presentes, e todos os pimpolhos caem matando em cima daquelas recompensas por ser criança.

Da varanda para o sofá, com o colo carregado de embrulhos, rasgando papéis com voracidade e ansiedade para saber o que o bom velhinho deixou para eles. Essa cena eu sempre contemplei com uma espécie de orgulho e generosidade, com um desprendimento que me afastava da inveja. Eu nunca tivera um natal como esse, e no entanto ficava muito feliz pelas crianças e como elas se sentiam.

Às vezes, alguém reclamava porque não havia ganho o presente desejado, e isso me estragava todo aquele espírito de alegria. Nessas horas que eu achava que o dinheiro havia feito mal para o pirralho que reclamou. Porém, um deles levantou os olhos por um momento, para contemplar à sua volta, sei lá, e me viu de pé, no canto, olhando para eles. Seus olhinhos foram direto para minhas mãos vazias.

"Você não ganhou presente?", perguntou, com um misto de tristeza e indignação que me contagiaram e me fizeram rir um pouco. "Não, o Papai Noel entrega direto lá em casa", respondi, tentando desviar a atenção. Mas ele estava decidido a não me deixar triste. Talvez por eu sempre passar a noite inteira brincando com eles ele me considerasse uma criança, e como tal, deveria ganhar presente naquela noite.

Ele voltou ao sofá, pegou dentro de uma caixa uma bola de futebol, pequenininha, e veio na minha direção. "Toma". "O quê? Não, não, eu..." "É sua", e disse isso com uma resolução inabalável de criança. Virou as costas e voltou para os outros presentes.

Aquela ação me tocou profundamente. O que uma criança entendia de generosidade? Nada, acho, o que só tornava seu gesto mais puro e sem interesses ainda. Ele só me deu aquela bola porque achou que eu ia ficar triste porque o Papai Noel não havia trazido presente pra mim. Eu sabia que ele gostava muito de futebol, mas mesmo assim ele me deu aquela bola sem pensar duas vezes. Fiquei admirado.

Hoje em dia ele nem deve mais se lembrar disso. Ele já está com dez ou onze anos, no ritmo da adolescência na escola, e vivendo a vida como pode. Mas eu nunca esqueci esse gesto. Há algumas coisas que insistem em se prender a nossa memória com uma força descomunal. Coisas inexplicáveis, tão ordinárias quanto quaisquer outros acontecimentos. Mas são essas coisas inexplicáveis que nos formam como a gente é.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 18:18 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Maio 13, 2007
Republicação de um texto de 2 de setembro de 2006. Como sempre acontece com republicações, eu chafurdava no meu blog e fiquei espantado com a qualidade desse texto, escrito não há tanto tempo, mas que já pertence a um eu passado. Enjoy.


Sábado, Setembro 02, 2006
Pessoal, depois de vários cinco comentários falando bem do meu texto, eu, lisonjeado e com meu orgulho devidamente polido, resolvi de supetão escrever mais um texto. Eu acho que ele está maior; mas não tem problema, acho que está gostoso de ler. Esse é mais pessoal, apesar de também não ser totalmente verdadeiro. Diria que é uma alegoria, mas tem muito de verdade nele. Talvez depois dele eu não escreva por um tempo, mas acho que ele há de dar conta do blog por mais de uma semana. Abrações...

PS.: Não reparem na minha compulsão por ponto-e-vírgula; eu exagerei mesmo. Não tinha jeito.



Eu havia, desde que tinha entrado naquela escola, pertencido ao grupo de estudos de filosofia. Coisa de colegial. Não que eu fosse um fanático por filosofia; é mais como se eu tivesse entrado numa atitude de mãe, para forçar o filho, meu cérebro, a pensar, porque todo mundo diz que pensar é bom. E gostava das aulas, claro, como uma pessoa que tem às vezes atitude de mãe gosta das aulas. Não dedicava minha vida a elas, é verdade, mas não considerava a possibilidade de faltar. Achava essencial ir às aulas de filosofia para ser uma pessoa mais inteligente, na atitude pouco inteligente de achar que sozinho, o conhecimento iria adentrar por minha cabeça e achar algum aconchego suficientemente confortável para não sair.
Bom, do modo como as coisas andavam, não tinha como reclamar; não havia nenhuma tarefa sobre-humana para realizar, e eu era particularmente capaz de contornar os textos indicados para a leitura. As aulas corriam bem; eu apreendia aqueles dez por cento que se aprende em qualquer aula e me dava por mais que satisfeito. Só que, como toda situação boa, ela teria de terminar. E não demorou muito; bom, talvez seis meses tenham sido um bom período de maré alta.
Conforme disse, já no começo do segundo semestre, a situação agradável, harmônica e até bucólica haveria de mudar. Entrou uma menina no curso. Ora, tinha que ter mulher no meio. Ao longo da história, elas devem ter desviado milhões de homens do bom caminho da filosofia, da promissora carreira e quiçá do destino de alterar o pensamento da humanidade. Não que eu fosse fazer isto; mas é que depois de ela ter entrado, com aquela beleza retórica e incontestável, tirou da rota todo o meu pensamento filosófico.
Ela chegou sorrindo; lógico, toda menina bonita sempre chega sorrindo. Veio tipo aquelas meninas, rainhas da festa, que chegam mais tarde só pra fazer charme, só pra todo mundo notar, só pra chegar na hora em que tudo está ¿acontecendo¿. Falou com o professor, sorrindo, sempre, e com seus encantos fez o mestre de filosofia aquiescer ao seu encarecido pedido de participar das aulas. Ela já assistiu à primeira aula; e eu assisti à ela assistindo às aulas. Foi inevitável. Era tão fofo ela prestando atenção! Até fez uma pergunta, colocação relevante, coisa que eu não havia feito por meses. Então eu vi se destruir, já na primeira aula do semestre, todo o meu curso de filosofia. Sim, todo o curso pregresso também, parecia que se apagara da minha mente tudo o que eu havia aprendido bem na hora que ela entrou na sala.
Maldita infantilidade! Não conseguia ¿chegar¿ nela; tinha uma trava, um impedimento invisível que não deixava de jeito nenhum eu falar com ela. Toda vez, só de pensar em iniciar um diálogo, sobre o tempo, sei lá, começava a suar, ficava inquieto, inseguro, minha língua se enrolava, meu coração disparava, tudo isto sem sair do lugar. Era um desconforto enorme, tamanho, incabível só por pensar em falar com ela. Enquanto eu me desesperava sozinho, ela fazia amigas na sala de filosofia com o mesmo sorriso que encantava todo mundo.
Eu parecia uma criança. Todo aquele pensamento de mãe sumira, e dera lugar a uma inconseqüência infantil. Passei a prestar mais atenção a ela do que à aula. Sentava sempre duas ou três fileiras atrás dela. Não era difícil. Como aluna boa que era, pertencia à primeira fileira. Via-a de costas, e escrutinava tudo a meu alcance: o cabelo amarrado atrás da cabeça; o modo como ele caía mas não atingia os ombros, dependurado; sua cor castanha, com nuances de loiro; a ponta de seu nariz arrebitado que às vezes dava pra ver quando ela conversava com a amiga do lado. E essa atitude detetivesca tomava muito de minha atenção. Ora, era praticamente hipnótico aquele perfil.
De forma que os dez por cento de atenção que eu dedicava à aula reduziram-se a quase nada. Quando me dei conta, estávamos já no meio do semestre e eu não fazia idéia do que significava filosofia. Amigo do pensar? O quê? Mais um motivo surgia para o meu desespero: além de eu não conseguir de forma alguma falar com ela, eu não sabia nada da aula. Pensei em me drogar, em me matar, em estudar mais e nenhuma das três opções se me afigurou atraente. Era só pensar em filosofia e lá se ia o pensamento a divagar, sim, mas pelas vias erradas. Se houvesse uma filosofia do amor! Mas não, não havia. E como protesto, lá se ia minha cabeça pelos meandros do sentimento, deixando Platão, Maquiavel e Russell comendo poeira atrás.
Quis então o destino que eu caísse em um grupo dela. O professor, sorteando, definiu grupos de estudo para seminários, aquela coisa. Meu Deus, que tortura foi. Pensar que teria que falar sobre alguma coisa inteligente ao lado dela já era uma perspectiva terrível! Tentar concretizar isso foi pior ainda. As reuniões eram durante a aula mesmo. Eu não falava nada, só concordava com a cabeça, e quando abria a boca era para vomitar alguma observação do professor em aula que eu tinha engolido indiscriminadamente. Ela tomou as rédeas do grupo. Falava com todo mundo, mas quando eu olhava para ela, ficava pasmo com suas sardas (Ela tinha sardas!) como se fossem algum tipo de assombração e não conseguia emitir um ruído da boca. Aquele nariz empinadinho, do alto daquele sorriso simpático, apontava para mim como se eu fosse o culpado por todos os crimes do mundo.
Fiz um trabalho medíocre; sem nenhuma notabilidade. Ela, é claro, teve um desempenho esplendoroso, com direito a comentário do professor, o que, se já perceberam, era raríssimo. Depois disso eu parei de olhar para ela. Não conseguia mais; fiquei com um complexo de inferioridade capaz de derrubar qualquer um. Não era mais capaz de olhar para ela; olhava para baixo. Meu desempenho não tinha saído do modo como eu queria; eu não era aquele deus grego e mestre de todos os tempos da filosofia que eu imaginava que ela queria ver em mim. Então, moralmente cabisbaixo, deixei o curso de filosofia.
Por um tempo que me pareceu infindável, fiquei deprimido. Eu a via nos corredores conversando animadamente, em cima do seu palanque de popularidade; garotos em volta dela como um bando de abutres à espera do ataque à carne, que, aposto, era o que eles a consideravam. E não fazia nada; eu parecia um leão ferido. Leão porque tenho ainda um pingo de auto-estima. Ferido porque realmente a frustração de conseguir a atenção dela havia me derrubado. Em alguns momentos nossos olhares se cruzavam. Mas eu desviava rapidamente, sob o medo de ela me achar mais idiota ainda. Eu estava derrotado.
Mas o sorriso e o olhar que me encantaram e depois me condenaram, me salvaram novamente. Do mesmo modo sutil como ela toda era, um sorriso se lançou dos seus lábios e veio pra mim, só pra mim, melhor do que todos aqueles que ela dava aos meninos no recreio, muito melhor. Que que eu tinha feito mesmo? Ah, uma piada. Um comentário, na verdade. Não era pra ela, lógico, eu nem me controlava perto dela, mas ela ouviu, indevidamente, mas ouviu. E sorriu aquele sorriso dos anjos, pertinho de mim, e deixou à mostra cada um daqueles dentes certinhos, enquanto eu esquecia que o tempo passava e mergulhava numa visão que nunca mais esqueceria.
Por que eu nunca paro de fazer piadas? Por que eu sou fanático por sorrisos? Pois é. Por isso.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 10:51 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Ela foi a uma festa à fantasia, mas estavam todos tão bem fantasiados que ninguém se reconheceu.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:27 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Maio 08, 2007
The path of a feeling

I enjoy your company.
I like you.
I fancy you.
I find you attractive.
I certainly like you.
I really like you.
I find you very attractive.
I have a crush on you.
I absolutely like you.
I worry about you.
I think a lot about you.
I really care about you.
I cannot stop thinking about you.
I need you.
I think I love you.
Goddam, I love you.
I love you.
I definitely love you.
My God, I love you!
I desperately love you.
I cannot live without you.
I cannot breathe without you.
I am addicted to you.
I cannot stop thinking about you.
I admire you.
I would love to be with you.
I feel sad not to be with you.
I have a crush on you.
????

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:08 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Maio 05, 2007
Procuro, como todos, um modo de alcançar a felicidade na vida. Não acho que exista felicidade suprema; acho que há de se construí-la aos poucos e em doses homeopáticas. Bom, talvez não tão homeopáticas. Fato é que existem diversos, para não dizer infinitos, caminhos para alcançá-la. Sem contar que a felicidade em si é relativa, cada um que se cuide.

Mas um caminho interessantíssimo a que se devem minhas elucubrações do momento é a felicidade alcançada por meio de um relacionamento. Um relacionamento a dois. À luz de velas, talvez. Mas um parceiro amoroso como um caminho, ou um elemento essencial, na busca da felicidade. E todos sabemos como o amor é decisivo nesse sentido. Apaixonar-se é sublime.

Apaixonar-se é foda pra caralho. E quando não dá certo ainda? Puta merda, haja saco pra agüentar um ser se lamentando aos quatro ventos que a vida é horrível, ou o mesmo ser pulando de alegria porque ganhou um abraço. A gente perde totalmente o bom senso quando se apaixona.

Quando não dá certo, é um mal que passou. Supera-se, eventualmente; com dificuldade, mas supera-se. Mas e quando há uma pontinha de esperança, uma nesga de luz no fim do túnel? Haja crise para se examinar! Horas e horas no ônibus, olhando para o nada, filosofando sobre a vida e sobre o amor, sobre tudo e sobre nada. Foda, meu.

Na minha concepção de felicidade, não há um caminho para se chegar a ela; ela é o caminho. Pois bem, veja-se nesta situação: um caminho, barrado, mas que há chance de atravessar. Chance pouca, é verdade, mas ainda chance. Espiando por uma fresta, você consegue entrever uma estrada linda, maravilhosa, entremeada de flores, árvores, rios, lagos, paisagens agradabilíssimas. Detalhe: isto é uma parte do caminho, o resto você não consegue ver, não sabe o que é, mas aposta todas as fichas de que o caminho todo é daquela maneira. Agora você não faz idéia de como continuar seu caminho, mas quer passar aquela barreira de qualquer jeito.

Pausa na metáfora; quem se apaixona, não morre. Traduzindo: há outros peixinhos a nadar no mar. Há outras mulheres no mundo. Voltando.

Olhando para o lado, você descobre uma passagem. Vai mais perto, e se vê diante de um outro caminho. Bonito, muito bonito. Bem cuidado, ele anuncia uma viagem agradável. Você se volta para o outro caminho, barrado, que agora parecerá muito mais intransponível do que parecia antes. Pára e pensa. Fodeu. E agora?

Se a felicidade é o caminho, ela depende desta escolha. Este momento é crucial. Que se fará? Arrisca-se um caminho, difícil, que agora parece mais difícil ainda, por uma felicidade que parece gigantesca, imane, mas que além de tudo não tem tanta garantia de ser o melhor caminho do mundo, porque você apenas viu um pedaço dele? Ou arrisca-se o outro caminho, que é muito bonito, parece incrivelmente mais aberto e de fácil acesso, mas que pode não ter a mesma felicidade que o outro anuncia?

Mais um fator: quanto mais você fica parado fazendo a escolha, mais o tempo vai passando e a sensação de perdê-lo aumentando. Sua escolha se dificulta. Não há todo o tempo do mundo para fazer essa escolha; pode chover e você se foder, você vai precisar achar comida que já acabou do seu lado do caminho e a sua alma precisa de um lugar aconchegante para chamar de lar.

Você deve escolher. Não há como adiar mais.

Acho que vou pelo atalho. E o mistério sedutor do caminho desconhecido? Mas é incerto, é melhor ser precavido. Não há bom senso no amor! E depois você se lamenta e acaba com a sua vida. É melhor morrer tentando do que conformar-se! É melhor arrumar-se em um bom lugar que sonhar com uma Pasárgada inatingível. Tenho chance de conseguir passar por aqui! Chance você tem de passar aqui, aí você tem é esperança. Esperança no melhor caminho que já encontrei na vida! Ainda esperança. Caminho que há de me fazer sentir finalmente pleno! Plenitude é subjetivo, por aqui você também será feliz. E ficar frustrado para o resto da vida? Será feliz e não se lembrará disso. E me conformar? Não, e se decidir. Decido por aqui então! Você está de cabeça quente. Decido por aqui.


APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:34 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Abril 29, 2007
Ah, festas de criança. Sublime. Uma sensação antiga já, pra quem tem quatro primos mais novos. Mas aposto que todo mundo sabe como é. Comidas, muitas comidinhas, daquelas que você só come em regime de exceção. A mesa dos tios, aqueles casados e que falam sobre a vida, depois sobre os velhos tempos, depois sobre algum assunto que só homens da idade deles gosta (e que algum deles na mesa não gosta), depois voltam para a filosofia de vida e depois só deus sabe. As tias de sempre, que nunca esquecem de reparar em como você está grande e sempre o constrangem ao perguntar da namorada. Bom, as minhas nunca receberam uma resposta positiva, mas elas sempre arranjam um jeito de ter esperança. Acho que filosofia de madrinha (minha tia é minha madrinha, eu sempre confundo os dois papéis) - então, filosofia de madrinha é algo ainda a ser estudado.

Em festas de criança sempre se vê a família toda; aquele tio do seu padrinho, o primo que conhecia alguém e aquela amiga meio desconhecida da irmã do seu pai, que fica um pouco deslocada mas que conversa mesmo assim - e, via de regra, arrasta uma sobrinha com ela.

O aniversário era da prima da minha prima. Sem brincadeira. Mas eu já sou cativo da família; brincava muito com os primos de meus primos, junto com meu primo e mais um monte de crianças que nunca me perguntei de onde surgiram. Gostei de brincar com crianças menores que eu até eu ter uns dezesseis anos, e isso já me fez íntimo de seus pais, que gostavam de um menino bem educado por perto. Acho que esperavam que eu servisse de bom exemplo para eles - algo que ainda não se comprovou. Pelo menos, eu acho que tinha modos melhores.

Mas agora eu já estou com dezoito anos. Quase dezenove. A prima de minha prima fazia doze. Estávamos ambos em períodos de transição: ela passou para os aniversários sem palhaço e mágico, e agora com balada; eu passei para a mesa dos adultos. É um lugar bem mais reflexivo do que eu pensei. Já não podia disfarçar minha ausência de espírito brincando de videogame ou de bola com as crianças, porque eles não brincam mais disso. Veio em mim a terrível sensação de crescimento. Não crescimento propriamente dito; envelhecimento. Dessas sensações que a gente só sente nas festas de criança.

Começa-se a lembrar os momentos em família. Há sete anos eu participava da festa de debutante da minha irmã. Nossa, que coisa de avô. Comecei a me sentir desesperadamente velho. Sentia-me antigo, rodado, com uma estrada nas costas, mas uma estrada não satisfatoriamente percorrida. Quando olhamos pra trás, a gente sempre reflete sobre o que fez e o que deixou de fazer, e o que preocupa é quando a lista dos não-feitos ultrapassa a outra. E é isso que geralmente ocorre. A vida mostra-se vã.

Mas isso é só uma sensação. Ou não? Será esse um dos momentos que fará diferença na minha vida? Devo aceitar esse chamado da juventude perdida e aproveitar os melhores anos de meu vigor físico e mental? Ou devo considerar esses pensamentos como insignificantes, e que só foram provocados pela proximidade com os tiozões consolidados?

Acho que opto pela primeira. Não quero algum dia olhar para trás e me arrepender. (Estou com gosto de bala de café na boca - aquelas balas de fim de festa de criança) Fiquei mais sozinho que nunca nessa festa. Saí umas três vezes para respirar o ar frio da noite, como que puxando oxigênio para imergir novamente naquele antro de experiências familiares compartilhadas. Nossa, como eu refleti essa noite. E decidi que não vou desistir de me pôr em movimento, não vou ceder a essa inércia de simplesmente me estabelecer. Não quero parar, não quero um dia (nossa, como eu paro na minha vida pra olhar pra trás) ter como companhia uma esposa alegre a la Luísa de Primo Basílio (enquanto não li Flaubert nem Mrs. Dalloway, fico com ela mesmo), um emprego mais ou menos num lugar mais ou menos, ter menos orgulho da minha vida que da minha carreira, e desviar a barriga da mesa na hora de levantar da cadeira. Fujo disso, mas não adianta só falar. E não adianta fugir inconseqüentemente das festas de criança. Família tradicional e uma vida interessantíssima são perfeitamente compatíveis. Minha natureza conciliadora sempre quererá juntar tudo na mesma salada, e acho isso totalmente plausível.

Mas espere - tem mais uma coisa. A comida estava maravilhosa. Ah, sublime.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:38 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Abril 22, 2007

Trecho de "Máscaras", de Menotti Del Piccha:


COLOMBINA, vendo Pierrot:

Tu? Que fazes aqui?

PIERROT

Espero-te, divina...
A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!

COLOMBINA

Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...

PIERROT

E eu esperei-te tanto!

COLOMBINA

Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas,
tendo no peito um sonho e no lábio cantigas,
dizia a cada flor: ¿Mimosa flor, não viste
um Pierrot muito branco...¿

PIERROT

Um Pierrot muito triste...

COLOMBINA

E respondia a flor: ¿Sei lá... Nestas campinas
passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...¿
E eu seguia e indagava: ¿Ó regato risonho:
não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho?
¿ E o regato correndo e cantando, dizia:
¿Corro e canto e não vejo¿ - e cantava e corria...
Nos céus, erguendo o olhar, eu via, esguio e doente,
o pálido Pierrot recurvo do crescente...
Assim te procurei, entre as balsas amigas,
tendo no peito um sonho e no lábio cantigas,
só porque, meu amor, uma noite, num banco,
eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.

PIERROT

Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama
toda a angústia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada
onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida,
e, na noite de cisma, enevoada e calma,
na janela do olhar se debruça nossa alma

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:52 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Abril 14, 2007
Hoje eu estava tirando um elástico que prendia notas de dinheiro juntas, quando ele, solto, formou um coração. O destino não zomba da gente?

Ah, sai, melancolia do caralho!!!

"Porque há um girassol que não se volta para o sol. E é esse que ele há de conquistar." (minha)

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:05 Discorde!!: icarus


"(...) E quando dá vontade de desistir?" (minha autoria)

Oh, shit.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 12:44 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Abril 08, 2007

Remember this, said my master:

There isn¿t, in the whole world, any, any being as strong as the woman. They seem fragile and unprotected, but this image is deceiving; they are capable of an astonishing recuperation after any crisis. And by any I really mean any. They are, truly, the strongest living creatures in the nature. They are inexplicably more intelligent than all the other animals, including, of course, men; they are physically more resistant to pain and suffering, having felt it since eleven or twelve years old; they are more agile when in good shape; they can, and science states that, have babies without men; and the most cruel of all natural defences, they are graceful. Like a carnivorous plant, they have their outstanding beauty calling all the attention, and thus leave the men totally lost in their own dreams. Have you heard of the mermaids? This is the most truthful image of a woman. Apparently fragile, but voracious when treating their hunt. Fear the women, my pupil, and live a peaceful life.

In these days, in my actual state of mind, hadn¿t my honorable master faded away long ago, I would answer him like this:

Master, I appreciate incommensurably your great advices. But I cannot accept this one in particular. I know your teachings come from centuries of study of the women, and that many brave men have wasted away their lives in the search for the essence of this singular creature that is the human female. I reckon I should not try, recklessly, to decipher myself this most intricate organism, but the fact is that I can¿t be away from them anymore. I feel like Odisseu, who heard the voices of the mermaids, except that I wasn¿t strongly tied to the mast of the ship. In reality, I wasn¿t tied to anything. And now I am in the edge of the ship, ready to jump into this wild universe that is the female world, and I do not regret that. I feel that I am finally living my life, and learning from my own mistakes. In the urge of protecting me, you forgot that we do not learn only from books or others experiences; we need to drown ourselves before emerging again, stronger, to the surface. I really do not expect a different situation; I will probably be thrust from one side to another, victim of the merciless tides and gigantic waves. But eventually, I hope, and there lies my strength, to be able to make my own way in this unexplored and infinite sea. May the women be strong, for I will be even stronger when going after my intent. I don¿t care if I¿m bewitched by any song she may have sung, but I want her, I want her badly. And I won¿t stop even if I have to cross the entire Pacific Ocean itself to reach her. ¿Cause she¿s no ordinary fish. You cannot fish her with any ordinary fishing rod; you need to go after her all by yourself, and grab her with your bare hands. I once heard that you had to cast spells on them, speak certain words for them to come with you, but I won¿t mind that now. I just want to get closer, and from there I¿ll leave to my years of hard training with you, master. I am very sorry to disobey an advice from such a prudent master and personal friend of mine, but I need to follow my heart, and it is telling me, insistently, to go after the fish I want. And the fish that I want is very big. And now, if you excuse me, I have a destiny to pursue and a huge fish to catch, and I¿ll need all my efforts to accomplish that.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:41 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Abril 05, 2007
Estava andando na rua à noite. Bem à noite. Cheio de preocupações, com a cabeça atulhada de coisas. Estava ouvindo música no mp3, que me tirava um pouco da realidae. Tinha acabado de sair do ônibus, ele estava preso no farol e eu continuara, logo, logo ele iria me passar, mas ao invés disso eu ouvi uma explosão. Um estrondo muito grande e ao virar para trás, como em câmera lenta, eu vi pedaços do ônibus subindo devagar no ar e cair com um estrondo ensurdecedor. Puta que o pariu, pensei delicadamente, e olhei para todos os lados por ajuda. Ninguém, rua deserta. Que merda é essa, que que tá acontecendo? De repente, um outro barulho. A casa do outro lado da rua também irrompera em chamas, aparentemente com pedaços de telha voando pelos ares. Pensei que o melhor seria deixar o local. Se me pegassem ali ia dar merda pra mim. Além do mais, eu não tinha visto nada que qualquer idiota não tivesse, eu vi o bagulho explodindo e pegando fogo. Estava a uns cinco minutos da minha casa, e apertei o passo. Bum, uma garagem explodiu mais à frente. Atravessei a rua num quase trote e virei à esquerda no começo da minha rua, e ainda teria que subir um pouco. Estando cansado do dia, não conseguia ir muito rápido. Pior pra mim. Entrecortando a música dos meus fones de ouvido, ia havendo explosões ao longo do caminho, perigosamente perto de mim. O mundo está acabando, que merda é essa? Tava tudo explodindo, pegando fogo, cacete. Continuei andando. A música chegava aos meus ouvidos e realmente me tirava o estresse dessa realidade.. Ah, tá pegando fogo em tudo, é? Mas minha música continua. Que se foda o mundo, eu só não quero que acabe a pilha do meu mp3.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:51 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Abril 02, 2007
Acabei de assistir a ¿Simplesmente Amor¿. Na boa, puta filme do caralho. Dá pra sentir um frio na barriga até. Puta que o pariu, se algum dia eu escrever um roteiro que nem esse, eu posso me considerar foda. Foda e morrer feliz. Mas não pretendo morrer agora. Tenho muito o que fazer.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:46 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Março 29, 2007
Republicação de um texto meu de 3 de maio de 2006. Porque o passado diz muito sobre a gente.


Eu tava passando pela rua, uma daquelas que cruza a Voluntários, que é cheia daqueles malditos funcionários que ficam na rua oferecendo empréstimo. Eu simplesmente odeio aquilo. Muita raiva. Mas geralmente eles não me abordam. Eu sempre tento olhar pra baixo, mas sei que ninguém está imune. Bom, hoje um cara me abordou. Tentei escapar, lógico, mas não dá pra fazer isso todas as vezes. Aí começou a perguntar, coisa e tal, leu minha camiseta (do ETAPA) e perguntou se eu fazia cursinho, aí eu falei que não, tinha passado na USP, aí ele se espantou. Se espantou e eu, que a princípio tinha ficado sem-graça de dizer onde eu estudava, fiquei sem ter onde enfiar a cara. Maldita desigualdade social. O cara devia ser tipo dois ou três anos mais velho que eu e estava lá trabalhando, enquanto eu tinha todas as possibilidades que um bom filhinho de papai pode ter. Ele era super legal, me deu os parabéns, no entanto deu pra notar uma grande quebra inesperada em nossa conversa. Eu não sei se foi por espanto ou porque finalmente ele tinha retomado o rumo da profissão, me perguntou se eu tinha fonte de renda, então eu disse que não, que não trabalhava. A partir daí ele desencanou, já não ficou tão espantado quando eu disse isso, deve ter pensado que eu era apenas mais um boy idiota por aí, disse tudo bem, beleza, a gente se cumprimentou e ele saiu. Depois de cinco segundos, eu ouvi a voz dele novamente abordando outro passante por ali.
Que situação de merda. Será que eu devia ter me sentido envergonhado por isso? Sim, é um mínimo. Na faculdade a gente se isola tanto do mundo que esquece que as outras pessoas existem. Não há só estudantes com uma fonte de renda obscura no mundo. Mas eu tendo a me esquecer disso se fico muito na USP. Perco os parâmetros do real. É isso que leva às vezes a gente a não se esforçar tanto. Cara, a USP é pública. Todo o investimento que eu estou recebendo (digamos assim) deve ser repassado ao público, que é quem me banca. Além do mais, como profissional do jornalismo, eu deveria servir ao público, à democracia e à liberdade de informação. Mas que merda de profissional eu serei se eu entro em contato com o público de verdade uma vez por mês? Se eu me esqueço de que existe mais do que ir bem numa prova ridícula de faculdade? Enquanto isso, tem gente realmente morrendo e eu poderia fazer algo quanto a essa situação. Posso sim. Posso me gabar que estou tendo uma formação teórica incrível. Mas não tenho um pingo de moral se eu não me esforço nessa faculdade ou se eu esqueço que o meu serviço é público.
Quanto eu não quero lutar para evitar situações como aquela. Pô, eu nasci com grana, tô fazendo faculdade e não tenho mais nenhuma preocupação na vida. Pô, eu nasci sem grana, e não tenho mais nenhuma opção na vida que não trabalhar. Até quando vai existir isso? Mas de que vale ficar perguntando isso? Se eu não fizer nada, essa situação vai se perpetuar. Essa e muitas outras piores. Então de que vale ser uma merda de jornalista que não tem contato com seu público? Que não se auto-examina regularmente? Vai acabar virando um bosta. Para evitar coisas assim, eu indico a profilaxia: doses regulares e freqüentes de público. Público jovem e necessitado, principalmente. Isso às vezes desperta uma consciência adormecida. Sedada. Às vezes.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:53 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Março 22, 2007
A INVEJA DO ATOR

O ator é algo que muito me fascina. Desde pequeno eu me encantava com peças de teatro, seu movimento e dinâmica, e aquela coisa que acontece ali, na hora, dava um frio na barriga gostoso. Não era de ir muito ao teatro, mas as poucas vezes que fui foram suficientes para encantar-me de tal modo que na primeira oportunidade que tive, diga-se escola, entrei para o grupo de teatro. Ah, mais: como criança tímida, caipira e introspectiva que era, sempre fui encorajado pela minha mãe a fazer teatro; era bom para falar em público, socializar e tals.

Como eram maravilhosas aquelas sextas à tarde! Era um mundo à parte; a escola a semana inteira (coisa de que gostava, por ser nerd) e ao fim, meu refúgio de todo estresse da terceira série no auditório com carpete ralo, cadeiras de madeira e um palco que me olhava; não, não olhava só, ele indagava, ele perscrutava: já naquele tempo eu sentia que de alguma forma fazer teatro era entrar em contato consigo mesmo. Aquele palco vivia numa eterna expectativa de mim.

Eu simplesmente me acabava naquelas aulas. Despejava todo meu conteúdo naquele copo até fazê-lo transbordar, punha toda a alma em qualquer atividade que fazia. E eu era recompensado, diria. O diretor me dava papéis com muitas possibilidades, parece que confiava em mim, e ele e o palco eram um só esperando de mim sei lá o quê, alguma atuação majestosa, eu, um simples menino, com um simples e modesto futuro planejada para mim, eu, atuar e comover alguém. Devo dizer que a desgraçada falta de confiança me assombra até hoje.

Desapontei os dois, diretor e palco, e isso me dói até hoje. Eu me afastei dos palcos, não sei bem por quê; talvez eu tivesse um preconceito estúpido arraigado em mim de que teatro não era uma coisa séria. E meus horizontes acadêmicos na escola de bairro em que eu estudava alargavam-se. Eu era bom aluno, mas o que atestava: segundo, primeiro e primeiro lugares na Maratona de matemática da quinta, sexta e sétima série, respectivamente. Talvez por isso poucas pessoas achassem que eu teria futuro com teatro, achavam que seria desperdício, e até hoje tenho tias que dizem isso. E eu era um banana com doze anos, não tinha maturidade pra nada, e acabei me afastando do palco, meus pais felizes pela matemática ter vencido.

Mudei para um colégio que não tinha teatro, e meu ensino médio foi um correr atrás de Fuvest; não sei pra quê, mas correr mesmo assim. Em 2004, no segundo semestre, eu tive a singular experiência de participar de um musical. Todos aqueles anos de teatro na infância me voltaram à garganta com um gosto amargo de saudade e tristeza, como um futuro deixado para trás, uma planta que eu parara cruelmente de regar, um pássaro enjaulado numa gaiola sem comer.

Hoje ainda me pego pensando nisso quando sou estocado por alguma coisa; quando assisto a uma peça e uma dor pungente e inominada, sem origem e sem destino me aperta o coração sutil e dolorosamente; ou quando leio alguma peça ou mesmo um livro com diálogos e me surpreendo recitando-os, colocando vozes, entonação, e olho para trás e vejo, triste, um caminho que poderia ter acabado num jardim muito bonito.

Eu tenho inveja do ator. Inveja por ele ter seguido esse caminho mais obscuro e incerto que o meu, mas que vai dar num jardim muito mais bonito e florido. Inveja por ele ter tido uma coragem que eu não tive, de enfrentar esse mundo teatralmente inóspito de cabeça erguida e muito orgulho do que faz. Inveja por ele trabalhar durante a apresentação de uma obra, enquanto eu me escondo covardemente por trás de papel e caneta, e todos lêem meu trabalho sem se incomodar. E acima de tudo, inveja pelo ator ser uma pessoa portentosa, com a mesma aura dos guerreiros de antigamente, que não hesitavam ante nenhum obstáculo e nunca paravam no seu caminho. O ator tem isso, uma superioridade inerente só por ser ator, uma confiança inseparável porque ele teve coragem, porque ele foi destemido ao escolher atuar.

Eu me acho corajoso por ter escolhido o jornalismo. Mas o ator é mais corajoso ainda. Por isso eu sinto inveja. Mas admiro. Admiro demais.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:20 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Março 19, 2007
ATO I, CENA I

- Não, eu não agüento mais te amar!

E ele explode de angústia.

FIM

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:39 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Março 18, 2007
EPIDEMIA DE CRISES EXISTENCIAIS ATINGE SEGUNDANISTAS DE JORNALISMO NA USP

Ao longo da última semana, confirmou-se uma das piores epidemias de crises existenciais de que já se teve notícia. Os alunos do segundo ano de jornalismo matutino da Universidade de São Paulo estão passando por maus bocados ao se depararem com a profissão em sua essência mais clássica e trabalhosa: o jornalismo diário.

A matéria-laboratório que desencadeou essa endemia de gigantescas proporções efetivamente não reproduz o ritmo de um jornal diário. Contudo, é a isso que ela se propõe e um dos professores que ministra o curso diz claramente ter isso como meta: ¿O ideal seria cinco, mas eu só peço duas ou três matérias por semana¿.

As evidências comprovam que o professor em questão é um poderoso catalisador das condições da doença. Ele reproduz com exatidão um papel temido não só por jornalistas, mas por profissionais em diversos ramos do mercado de trabalho: o chefe chato. E uma personagem dessas aplicada em jovens que ainda não ingressaram no mundo adulto pode ser traumática.

Contudo, não são todos que concordam que a forte pressão exercida pela matéria é de toda ruim. Vários alunos afirmam ser este professor o primeiro do curso que os fez sentir o que é a profissão. R. K., que prefere não se identificar para não sofrer retaliações do resto do grupo, declara que ¿em parte é bom que tenhamos um professor que critique e não passe a mão na nossa cabeça, porque nos obriga a crescer e nos virar¿.

Conforme dito acima, a matéria é ministrada por dois professores. Perguntado sobre a situação de desconforto geral com o seu parceiro de aula, ele diz aos alunos que ¿não se preocupem, isso é só um método didático dele, é o jeito dele¿. No entanto, muitos alunos acham que o tal método didático é excessivamente cruel, que faz alusões desnecessárias ao ideal de jornalista a que eles devem aspirar e que a obsessão do professor com o jornalismo diário causa mal estar.

O ideal de profissão é algo que realmente causa dúvidas em jovens ingressantes na faculdade. Eles que já confrontaram muita coisa para escolher um curso para prestar no vestibular, agora se deparam com algo mais sério: a perspectiva de encarar o dia-a-dia cruel da atividade que escolheram, que só pode ser levado sem crises quando o aluno se identifica completamente com o ideal de profissão. Logo, é natural que haja dúvidas quanto à escolha feita: o jovem sente-se deslocado.

De fato, muitos estudantes sentem-se fora de lugar a tal ponto que consideraram seriamente largar o curso. Helena Potter, uma estudante da classe, diz ¿Ahhh¿, quando perguntada da disciplina responsável pela epidemia. Dayanne Sousa, outra estudante, também critica: ¿Jornalistas têm toda uma equipe ao seu dispor e todo o tempo livre; nós temos outras matérias e não podemos sair a qualquer horário para fazer reportagens¿.

Mas é importante que o aluno não desista. Não facilmente, pelo menos. Para o jovem, que sente tudo com mais intensidade, é difícil distinguir se ele escolheu a atividade errada ou só não gosta daquela área da profissão. Mas há uma extrema importância do sentimento de grupo da sala. ¿Saber que seus amigos também passam por isso é reconfortante¿, diz o psicólogo Ricardo Santos, que também é aluno do curso.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:29 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Março 10, 2007
A vida seria tão mais fácil se as mulheres fossem objetos! Se não fossem essas criaturas mais complexas que sei-lá-o-quê que nem elas acho que se entendem, se não tivessem vontade própria, não tivessem sentimentos, não pensassem muito, não tivessem vidas passadas, e desse modo bastaria ao homem que quisesse uma companheira escolher, escolher como se escolhe um produto no supermercado.

Imagine, os vários tipos de mulheres estariam dispostas em prateleiras, e em diferentes áreas do mercado. O homem entraria no mercado e pegaria o seu carrinho para escolher uma mulher. Ou mais que uma, mas eu sou um consumidor moderado.

Logo que entrasse, olharia à direita as mulheres-sorvete. Muito gostosas, sim, apetitosas e de dar água na boca, mas com um grande inconveniente: elas só são assim enquanto durar o clima. Uma vez que o clima entre vocês mudar um pouco, ela não será mais a mesma. Por clima digo situação mesmo, o ambiente: uma balada, um jantar romântico. Depois que eles acabam, a mulher fica que nem sorvete derretido, e tudo o que você achou que ela era acaba na mudança de lugar. Não é muito versátil ela, e ainda não gosta de todas as situações. Ponderando isso, passo à frente.

Atravesso alguns corredores de supermercado que todos nós atravessamos mas nunca paramos direito para olhar, com aquelas mulheres que são produtos úteis, sim, muito úteis, mas não são essenciais. Aquelas inteligentes não muito apaixonadas ou as excessivamente práticas, que podem ser companheiras e até compreensíveis, mas falta-lhes algo. Aquelas mulheres do tipo ¿Eu consigo viver até bem sem ela¿, sabe?E então, querendo fazer uma boa compra sem arrependimento, continuo no caminho.

Logo adiante, um dos precipícios dos homens: as mulheres-chocolate. Chocolate ou doces em geral, mas são iguais no jeito: gostosas demais da conta, mas fazem um mal absurdo. Aquelas que você sabe que não dependem de você para serem felizes, porque há mais homens babando em suas prateleiras, e ela não vai te prestar atenção. Mas o prazer é muito bom. Tão bom que você vai ver homens definhando em frente a elas, cegos ante seu prazer, seu sabor. Mas você lembra que esse gosto passa rápido demais; é daqueles que enchem a boca mas não o estômago. De posse desse pensamento, você passa esse corredor bravamente, como Odisseu passou as sereias.

E logo após essa provação do chocolate, uma outra de igual tamanho: as mulheres café-da-manhã. Estas são tão boas quanto aquelas, mas com um agravante. Elas dão a impressão de serem saudáveis. Aquelas mulheres que não têm nada de errado; aliás, têm muito de certo. Anunciam fibras, sais minerais e 7 vitaminas, e você pensa que finalmente vai encher seu carrinho. Mas algo te segura. Comida de café da manhã não é comida. Você lembra dos seus amigos que moram sozinhos que não agüentam mais comer comida de café da manhã fora de hora. Você pára e pensa. Seria como comer a vida inteira numa lanchonete, sempre essas comidas, sempre, sempre. Mulheres saudáveis são legais, mas você sabe que não agüenta isso a vida toda. Por fim você deduz que também acabará enjoando delas com o tempo. Vacinado contra isso, você continua, penosamente, a procurar outro tipo de produto, quer dizer, de mulher.

Eis senão quando você se depara com um lugar amplo, cheio de barracas, de gente e homens com carrinho. As mulheres lá, deitadas como frutas e verduras. Isso te lembra a praia. Os homens rondam como urubus, espreitando para pegar o melhor chuchu ou a laranja mais suculenta. Mas você sabe que elas não são para você. Não sabe bem por quê, mas sabe que seu negócio é outro; essas mulheres têm seu auge, amadurecem, mas não perduram, não tanto quanto você queria. Sim, todos vão envelhecer na vida, mas essas vão fazê-lo primeiro e com mais gosto que os outros, e ficarão como uma fruta que passou da época por toda uma velhice. Você não quer algo assim.

Uma fila ao canto te chama a atenção. Você chega mais perto; paulistano adora fila. Vê que no fim de uma fila há pão, e no fim de outra, carne. Já calejado das outras experiências nas seções do supermercado, você pensa consigo mesmo ¿pão murcha. Só é gostoso por dois dias, e o resto dos tempos? E carne então, existe alimento mais perecível que carne? Vai ser pior que a fruta. Não, não quero isso, queria algo duradouro.¿

Com o ânimo lá embaixo, abatido, e pensando se café da manhã para o resto da vida não é ruim demais, você faz seu caminho de volta ao caixa desolado, e com o carrinho vazio. De relance você olha para a esquerda, fileira de alimentos que você nem tinha prestado atenção, volta a olhar para frente, pára, olha de novo e perscruta profundamente aquela cena: você não quer fazer escolhas apressadas só pra encher o carrinho.

Mas não há como se enganar. Dessa vez você sente que achou, e chega a se sentir burro por não ter vindo direto ali mesmo desde o começo das compras. Mas você lembra que o mercado é esperto, coloca na frente dos bens essenciais um monte de coisa pra você engolir. E se não for esperto, acaba levando. Mas nesse momento, tudo que você faz é se limitar a contemplar sua descoberta, e coloca-a com todo o carinho no carrinho.

E sai dali feliz da vida. Finalmente achou seu ideal: a mulher arroz e feijão. Explico aqui que isso não significa uma mulher simples, nem tampouco insossa. Conheço minha habilidade de fazer elogios insólitos, e por isso me faço explicar. Essa mulher alimenta de verdade. Essa mulher é indispensável. Sem ela, sua vida não floresce, não fica viva. Ela tem tudo o que você precisa. Ela não estraga com facilidade. Ela é duradoura e plena, e assim será a relação entre vocês.

No cominho do caixa, você vê alguns produtos chamativos. Salgadinhos e refrigerantes gelados. Podem sim ser mais atraentes que seu arroz e feijão, mas dando alguns segundos de reflexão ao assunto, você percebe que eles também são vazios, tão ocos quanto suas embalagens. E passando isso, fica ainda mais orgulhoso de seu arroz e feijão.

Super bonitinho, né? Mas claro, isso tudo ocorreria se as mulheres não fossem essas criaturas mais complexas que sei-lá-o-quê, se não tivessem vontade própria, não tivessem sentimentos, não pensassem muito e não tivessem vidas passadas. Mas o fato é que elas são, têm, têm, pensam e têm. E isso torna a escolha de uma companheira a coisa mais difícil e espinhosa que poderia existir, uma missão, uma façanha, uma odisséia, com os cumprimentos da palavra. E mais um detalhe, pequenininho, minúsculo: não se tira da prateleira a mulher escolhida com a facilidade com que se pega arroz ou feijão. Nem um pouco.

Isso me faz pensar como podem existir casais felizes no mundo... Alguém me explica?

[mão calejada, costas doendo, sono zuado, mas imensamente feliz e ansioso]

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:28 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Damn. I¿m terrible. I feel like shit. Mouth dry, heavy heart. It¿s astonishing the power fiction has over us. Over me, maybe. Non-fiction changes the minds; but fiction changes the hearts. And it takes only very sensitive people to get that. It¿s impressive the state in which a mere book, just some stained pages can put you in. A disposition for nothing else in the living world. It just shows us how shallow is our whole life; shows us that the dialogs in the real life are not as nearly complete and perfect as in our beloved stories. Unfortunately, the fictional situations are hundredfold more exciting and dangerous, and invariably bore measured situations in which characters can prove themselves and always win somehow, by actually winning something, some prize, some trophy, or even by gaining the so dismissed experience, life experience. I feel so jealous of people who have opportunities to get to these situations; I guess that my natural laziness and inertia of acting and thought brought me here, and made me start writing: writing does not involve leaving the place. But it¿s high time I pushed myself into some more realistic considerations. I cannot bear the boredom of the everyday subjects, the dull air of crude and gray reality oppressing all thought of liberty and happiness I would ever feel. The everlasting sense of sadness I feel for being bound to the world¿s general misery and complete sense of helplessness facing constant and cruel big acts from big people. My misery only attracts more misery. But nothing else appeals to me when I¿m at this disposition. Enough. Only time cures that. And time has never been much a friend of mine. Regards.

Just been reading through a bit more of a thousand pages of original Harry Potter books five and six. Look at what this woman causes me. And yet I thank her for being able to produce these reflections. But at a terrible cost of days of reckless happiness.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:17 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Fevereiro 25, 2007
¿Quando o dedo aponta o céu, o imbecil olha o dedo¿. Ou algo assim, foi uma frase que primeiramente vi no filme da Amèlie Poulain. Puta filme. De qualquer maneira, isso me lembrou, após uma experiência vívida desse provérbio, o mito da caverna de Platão. Forçando um pouco, claro. Apontar o céu significaria dizer a verdade, tentar elucidar uma situação. O imbecil olhar o dedo significaria que ele não viu aquilo que foi apontado, o céu, algo grande, mas viu algo pequeno, o dedo, e não conseguiu ver além disso. Atribui a culpa do que quer que tenha sido apontado àquele que apontou. Triste, né? Eu fui um que apontou hoje e me fodi. Tipo o tiozão que foi expulso da caverna. Se fodeu.

In Dumbledore I trust.


APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:07 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007
CLOWNS DE SHAKESPEARE

Eu ia escrever um texto sobre os clowns de Shakespeare. Mas isso não é algo que se aprende numa pesquisa de meia hora na internet. Aliás, pesquisa de meia hora na internet é um bom tanto. Contudo, eu vou ser jornalista, é melhor eu me contentar com isso.

Os clowns de Shakespeare, google me diz nos dez primeiros resultados, é um grupo. Um grupo de teatro, eu diria, mas alguém pode se ofender se eu disser apenas teatro. Tenho uma rixa com esse pessoal que não se encaixa em nada.

O clown é o produto de um performer. Um artista performático, eu diria. No site dos Clowns de Shakespeare tem dois textos, hum, interessantes sobre isso. Mas eu não os li inteiros. Estou no computador, meu nível de concentração decai significantemente.

O clown deve quebrar barreiras. Deve, através de ações que realiza, afastar todos de suas rotinas, envolvê-los, perturbar a ordem. O primeiro pensamento que me ocorreu é que talvez nem o melhor performer do mundo faça isso só com linguagem corporal. Mas eu, infelizmente, como escritor, estou preso às amarras ultra-racionalistas da palavra.

Bom. O clown é uma parte de nós. Talvez uma parte não seja o melhor termo. Talvez sombra, até reflexo, ou melhor ainda, caricatura. O clown é de nós assim como a sombra, e esta nunca deixará de existir, como aponta Fellini (texto dele, rapai).

Clown vem, sim, do inglês palhaço. No entanto, o sentido original envolvia um pouco mais; chegava a rude, rústico, tosco. Como se clown significasse ao natural. Diz o pensamento sobre o assunto que é exatamente isso: todos temos um clown, e liberá-lo, ou incorporá-lo, é aproximar-se do nosso natural, do livre de pressões.

Essa concepção tem um tom bem crítico. Crítico socialmente, e eu estou me segurando para não criticar o tom crítico que tanto desgosto. Mas passo. Clown tem um tom crítico, diz que devemos nos desvencilhar da rotina, do dia-a-dia e nos libertar.

O clown é engraçado. O clown é cômico. O clown é patético. Mas Denise Stoklos define, naturalmente, com muito mais acuidade que eu: o clown faz com que o público ria de sua infinita insuficiência. Infinita insuficiência.

O clown não é só uma parte engraçada de nós: o clown somos nós, liberando-nos, sem medo de ser estranhos ou toscos. E o exercício do clown é engraçadíssimo; você encontra dentro de si mesmo uma voz que nunca achou que conseguiria fazer, desenvolve um trejeito irritante que te consome ou reage a situações de uma forma surpreendente.

Quem lê isso poderia até pensar que eu sou um ator ou algum apaixonado por teatro. Bom, estou muito mais perto do segundo, mas ainda não perto o suficiente para me considerar apaixonado. Um ser que não vai ao teatro nem uma vez por ano é no mínimo uma vergonha. Mas eu não ligo. Eu gosto de fazer, não assistir. E não me venha com teatro que envolva o público. Estes só me infligem mais uma dor de frustração recôndita em algum trecho meu que eu não examino, só contemplo.

Afinal, consegui escrever um texto sobre os clowns de Shakespeare. Nunca soube realmente se Shakespeare já mencionou clowns; meu palpite é que sim, e minha intuição corrobora, mas eu não falo com autoridade. E tudo começou só porque eu queria dizer que me faço de palhaço quando estou apaixonado. Acho que saiu um texto bem mais legal desse modo.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:11 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

A menina de cabelo vermelho chorando no cemitério.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:43 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007
Merda de vida sem graça do caralho!

Alguém que consiga olhar pra cima do fundo do poço!

Que esperança nesse mundo cinza escroto?

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:05 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Many wiser people must have already proclaimed that, but the world's getting its values curiously corrupted. The few little and apparently unimportant matters are left aside to give room to great questions involving heaven and hell, which invarialy end up at dead ends. Instead of paying attention to the everyday subtle actions and shades of other's behaviour, we ignore them, trying to be part of a bigger plan over which we have little influence. And by doing that, we dismally miss essencial details of life, and lose our ability to understand it more deeply. The truth lies in the small actions, it's just that our gigantic egos make us temporarily forget about that. I'm just trying to remind me of that.

De férias, estudando inglês, correndo atrás do meu sonho britânico.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:10 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Janeiro 25, 2007
PORQUE EU NÃO FAÇO CRÍTICA DE CINEMA.

Puta merda, vou ter que ir pra Paulista. Ah, vai, já vou ter que sair de casa. Mas chegar lá às 19h? E pegar aquela gente suada no metrô? Nem fodendo! Assim começou minha mente a maquinar sobre o que fazer pra não pegar o metrô no horário medonho das seis e meia.

Não foi muito difícil. Já fazia um tempo que eu queria ir ao cinema, ver um filme aí. Pensei que deprimente, ver filme sozinho, tentei convidar alguém, tentei duas pessoas e não deu certo. Atribuí a culpa disso ao plano divino que é além do entendimento de todos os mortais e fiquei com a consciência tranqüila.

Confirmei horário e cinema no computador. Novamente o plano divino entrara em ação: o cinema era singularmente perto de onde eu deveria estar sete horas, e a sessão começava às cinco, acabava quinze pras sete, horário mais que perfeito pra estar de volta com pouco atraso.

Toca eu sair de casa, achando que era o destino eu pegar a sessão de cinema perfeita antes de um encontro com amigos. Nunca havia ido ao cinema totalmente sozinho, nunca havia ido num cinema na Paulista, nunca havia reparado tanto nas coisas, e nunca havia ficado com tanta vontade de comentar o filme.

Quarta-feira, cinema mais barato, fui ver ¿O Segredo de Beethoven¿. Eu adoro música clássica, e para o pouco que entendo de música acho que já é bastante. Beethoven eu conheço um pouco, o pouco dos leigos, mas gosto. Sexta sinfonia, a pastoral. Sétima sinfonia, a heróica. Não, essa era a terceira. Enfim, conhecia um pouco de Beethoven.

No meu habitual receio de estar atrasado, cheguei quinze minutos antes da sessão começar. Começou em ponto. Amaldiçoei as pessoas que chegavam atrasadas na sala, mas amaldiçoei mais as que lá não estavam. Puta filme bonito e nem um quarto da sala cheia pra assistirem. Eu e minha ingenuidade de achar que a sala ia encher.

O filme começou. É estranho ir sozinho ao cinema. Você não tem com quem conversar. É a pior das sensações. Fazer o quê; fiquei pagando de mau. Mas estava na Paulista, pensei. Então paguei de cult. Se você está sozinho, demonstre que você tem amigos, que é de um grupo que está longe, mas não se faça de sem amigos. Essas pessoas incomodam. Elas não precisam da comiseração alheia.

Bom, pagava de cult. O que não impressionava muito, porque tem tanta gente estranha na Paulista, mas tanta gente estranha que se alguém mijava na calçada podia ser um mendigo, um artista, um jovem revoltado ou um líder de uma seita, prestes a ser seguido. Voltei ao meu cinema quieto.

Puta, que tela grande do caralho. Fazia anos que eu não ia ao cinema. Mentira. Uns nove meses, sim. Sim, sim, nove meses. E olha que houve épocas em que eu guardava os bilhetinhos dos cinemas que eu pegava, e já chegou a ter dez bilhetes em menos de dois meses. Bons tempos do segundo colegial. Mas foram-se. E eu não ia ao cinema fazia vários meses.

Tela grande pra caralho e som alto pra caralho também. Que exagero, porra. Puta ostentação, sem falar que acaba com o ouvido. Que me deu de encanar com isso agora? Eu nunca havia dado a mínima pra essas frescuras... Acho que é porque eu estava sozinho. Sim, quando estou sozinho eu dou pra viadagem. Será que vou ser um velho fresco, chato e ranzinza?

Som alto pra caralho, e começou o filme. Puta, que isso? Ô, câmera, pára quieta. Meu, que saco, essa câmera balança, pára, tá me dando agonia. Que diabo... O filme começou do final. Meu lado velho, conservador e preconceituoso já torce o nariz pra filme que começa do final. Que bom, porque meu preconceito foi destroçado.

Eu nunca fui muito ligado em filme, mas sabia que aquilo que aconteceu com a câmera e com a atmosfera dos primeiros cinco minutos não era natural. Agoniava. Depois a história voltou pra um tempo definido e o velhote dentro de mim pôde respirar sem dificuldades asmáticas. Não vou nem falar o ano, que senão eu estrago o filme.

Eu pensei que ia ser uma biografiazinha do Beethoven, estava com as expectativas meio baixas e tal, eu tinha mais ido pra dizer que gosto de Beethoven e pagar de cult. Surpreendi-me. A biografia deve ter sido muito usada, mas não dei a mínima pra ela. Ninguém deu, nem o diretor. Detalhes profundos sobre a vida dele? Nada. O que se pegou foi a alma. Não apenas o caráter; a alma.

Realmente, os filmes inteligentes estão passando minhas expectativas para trás. Toda a trilha sonora é com músicas de Beethoven. Não conhecia a maioria delas. Mas juro que quis conhecer como o maior dos especialistas. não sei se o cinema ajudou, eu estar sozinho, no escuro, e de agora ter imagens, mas me aproximei muito mais da música de Beethoven.

Quando tocou a Nona sinfonia, puta que o pariu. Perdi a noção do tempo. Foi a coisa mais linda que eu já vi relacionada a música em cinema. Eu me arrepiei todo, senti um peso no coração, parei de respirar, esqueci de piscar, esqueci o mundo todo para somente ouvir a nona sinfonia. Esses cinco ou sei lá mais quantos minutos me valeram o filme todo.

E não é só isso. Lógico que muito da construção do caráter das personagens era deixado ao espectador, e através daquelas ações metafóricas que meu lado velho não gosta muito. Mas ele já tinha perdido o crédito. Ele tinha desconfiado do filme, e fora uma reviravolta imensa. Fiquei até o final, e não chorei porque não deu.

Que pena que não chorei, não era um filme muito pra se chorar, apesar de eu querer ter a sensibilidade para chorar durante a nona. Pra mim foi o momento mais tocante, e meus olhos marejaram. Mas não chorei. Tenho um déficit com as lágrimas que me atormenta o coração e a alma incessantemente.

Saí do cinema transtornado, cheio de promessas de voltar, de escutar mais Beethoven e mais um monte que não lembro. Sei que andei quinze minutos ouvindo todos os trechos que lembrava da nona, e me lamentando que não tivesse um talento para música. Acho que a maioria das pessoas que se tocam ficam tristes por não serem Beethovens.

Mas esse filme me revelou alguma coisa. Alguma coisa dentro de mim que foi tocada, um pedaço de alma, sensível demais para o cotidiano. Um lado que é todo música, arte e expressão. Nossa, Beethoven regendo é tudo de bom. Aquilo aperta o coração só de lembrar. Comprime, deixa sem ar.

Ainda bem que não faço crítica de cinema. Odeio críticos em geral, menos o Antonio Candido, que eu respeito muito. Tirante ele, não respeito nenhum. Nem dou trela à crítica desses mal comidos. Pra mim, crítica tinha que ser assim. Tinha que revelar a face oculta das coisas. Nunca mais ouvirei Beethoven da mesma maneira.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:58 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

− O senhor é um sem-vergonha!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:29 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Janeiro 13, 2007
A vida moderna é estranha. Proporciona sensações incríveis. Eis uma: o ócio absoluto.
O ócio absoluto é como o zero da escala kelvin, é o ápice, o auge, não tem igual. E o ócio absoluto, como a tal temperatura, depende de diversos fatores.
O ócio é muito recorrente por todo o mundo, mas um dos principais fatores para atingi-lo é encontrar-se no período adequado do ano: o período de férias.
A outra medida de tempo, dessa vez na escala micro, é o horário aproximado da hora perfeita para a proeza: a madrugada, o começo dela, que começo dá mais preguiça.
Depois do tempo, o espaço. Você deve estar sentado muito confortavelmente, a ponto de se manter acordado, mas sem dormir. Lembremos da experiência de Bohr e Freud que comprovava que o ócio absoluto não pode ser alcançado dormindo, em virtude dos sonhos e fantasias sexuais do homem. Portanto, deve-se estar no espaço apropriado à letargia.
Bom, no zero grau da escala kelvin, o corpo a essa temperatura não teria energia nenhuma. Bom, no ócio absoluto também. Uma total falta de energia doentia, uma languidez preguiçosa, extremamente contagiosa e pecaminosa. É a total falta do movimento, a inércia permanente, eterna.
O ócio não é apenas uma conjuntura de fatores físicos; deve-se estar com a mente preparada para se atingir um nível tão complexo de excelência. O sujeito deve estar totalmente enfastiado, mole, entediado ao limite, com preguiça de fechar os olhos, mas sem motivação para abri-los mais.
E aí vem a vida moderna. O ócio absoluto deve ser alcançado em frente a um computador, navegando na Internet. As novas tecnologias sempre ajudam a ciência. Somente um instrumento poderoso como a Internet poderia proporcionar essa sensação singular. Isso porque essa ferramenta abre ao usuário o mundo todo, inteiro, um sem-número de possibilidades, e mesmo assim ele não se move. Excepcionais momentos de ócio são conseguidos em tardes ensolaradas, na grama e tudo o mais, mas o computador é essencial, pois com ele ocorre a negação de todo o mundo exterior para simplesmente não fazer nada.
O ócio é lindo. É poético. É a abnegação do movimento. E é com muito orgulho e lágrimas nos olhos que eu digo que eu atingi. Eu atingi, durante frações de segundos, o ócio absoluto. Eu via um vídeo na Internet porque não tinha nada, nada pra fazer, nada. E como me via largado na cadeira, dispensei-me do esforço de apertar qualquer coisa, mexer no mouse e algo assim. Assisti, em estado de transe, quatro vezes o mesmo vídeo. Mais um ponto para a ciência de ponta brasileira.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 03:02 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
[republicação de um texto escrito aqui em 3 de fevereiro de 2005. Eu sempre me espanto com meu eu passado.]

Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
Tem gente que sabe. Tem gente que finge que sabe. Tem gente que sabe e mostra que sabe. Tem gente que não sabe e finge que sabe. Tem gente que não sabe e mostra que não sabe mesmo. Tem gente que sabe e finge que não sabe. Tem gente que sabe muito. Tem gente que finge que sabe muito. Ninguém sabe nada. Todo mundo sabe um pouco. Ninguém sabe tudo. Como saber se quem finge que sabe sabe mesmo ou se quem finge que sabe só finge? Humildade. É só assim que a pessoa que não sabe sabe mais que a que sabe. Por menos que saiba. Pois é.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:12 Discorde!!: icarus


Mostrar a língua é um ato misterioso. Ninguém sabe quando que surgiu nem quando teve o significa que hoje tem. Aliás, que significado que tem hoje? Acho que é ¿bobão¿. É. ¿Seu bobo¿, ou ¿nhé nhé nhé¿ ou até ¿num tô nem aí-í¿, bem infantil mesmo. Se não conseguiu ver esses significados, mostre a língua pra tela do computador. Sim, faça isso e veja que todos os sentidos variam em cima disso, é um carinhoso dispensar da pessoa. Mas carinhoso no fundo. Você não mostra a língua pro seu inimigo. Só se faz isso com quem se gosta. Portanto, mostrar a língua é um ato de amor. Mais que isso, é um amor que não se declara, recôndito, escondido até mesmo do autor do ato. Amores não declarados costumam recair no inconsciente, aquela terra de ninguém que é bombardeada por todos os lados. Como para Freud tudo é sexo, chegamos à minha tese: mostrar a língua é um ato sexual? Bom, sexo envolve amor. Acho. Um amor não declarado. Hum, dá pra forçar. Mas é melhor não desvirtuar esse ato tão bonitinho em um ¿eui, secretamente eu quero fazer sexo com você¿. Não, isso é imaginação de garoto na puberdade. Sei lá. Só sei que mostrar a língua é um ato fofo, simples e carinhoso, como todo ato infantil. Isso é o que conta, não o sexo, e sim o carinho.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:04 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Janeiro 07, 2007
Aprendi num passado remoto que dar nome a uma coisa é diferenciá-la do resto. Ela torna-se única, pois essa coisa será designada por um nome, uma seqüência específica de sons ou símbolos, e para mim, não pertence mais àquele conjunto de coisas que eu não conheço. Dar nome é tornar único, é a partir dali oferecer e construir uma identidade, que será representada por esse nome. Tome-se por exemplo George Bush, Dalai Lama e Ricardo Santos. Para quem os conhece são, respectivamente, o presidente cabeçudo e reeleito dos EUA, o líder espiritual do budismo tibetano, e eu. (o Dalai Lama eu vi na wikipédia e descobri agora que houve treze Dalai Lamas antes dele. Mas tudo bem). Esses três nomes remetem a três personalidades imensamente diferentes e semelhantes em muitos aspectos. Mas três pessoas únicas. Portanto, escolher um nome para uma pessoa pesa em todo o resto de sua vida, pois é sobre esse nome que ela construirá todo um castelo de experiências pessoais que a tornarão única. O que me leva ao ponto chave do que pensei esses dias.
O que leva uma mãe a dar o nome do filho de Maquisuel? Sim, é sério, eu não lembro onde vi, mas tinha um cara que se chamava Maquisuel, sim, você que de primeira não conseguiu identificar essa seqüência de sons leia Maxwell, desse modo, esse era o nome do indivíduo. Eu tenho a ligeira impressão que a mãe não pensou no que poderia acarretar um ser com um nome desses. Caramba, custa ter um pingo de dó da criança? Sem contar nos inúmeros outros nomes horrendos com que nos deparamos por aí, Wendelsson, Wescrey e por aí vai.
Essa mania de dar nomes estrangeiros provavelmente é uma herança do colonialismo e da sensação de inferioridade que sempre nos cobriu aqui no Brasil. Quando a classe mais alta deixou de ser tão ¿cabecinha¿, voltada pra fora, e passou a ser ¿cabecinha¿, agora voltada para dentro, nomes mais brasileiros começaram a aflorar na classe alta daqui, João, Antônio, Pedro, como minha mãe sempre diz, nome de filho de gente famosa tá ficando aqueles nomes antigos, Maria sei-lá-o-quê e Ana alguma-coisa. E os nomes estrangeiros passaram para a classe mais baixa, que via pessoas ricas com nomes de fora, de gente importante, e resolveu aplicar nos seus pimpolhos, de uma maneira que mostra a infeliz falta de instrução básica de que a maioria da classe mais baixa padece.
Cara, o nome separa até classes. Será que inconscientemente os ricos querem distância dos pobres até na origem dos nomes? Será que o próximo passo para todos os ricos vai ser querer inventar nomes com símbolos que não existem, que nem o Prince, que queria mudar o nome dele pra um símbolo?
Não faço idéia. Mas não, acho que é mania de perseguição achar que os ricos querem se distanciar dos pobres nos nomes. Talvez seja só no Brasil. Ora, a Gwyneth Paltrow deu o nome pro filho dela de Apple! Não, está todo mundo louco, o que há com os nomes no Brasil são tendências, não preconceito (em mais um lugar).
Mas que é bizarro ver esses nomes, é. Meus professores de história têm um calendário diferente do das pessoas normais, porque tiveram uma revelação corrigindo as provas da Fuvest. Eles viram um cara chamado Motorcleysson. Disseram que ele era o profeta, e agora eles devem estar no ano 7 d.m. (depois de Motorcleysson). É impressionante.
Pois é, acho que o Brasil daqui a alguns anos vai ser formado por Anas, Marias, Pedros, e Joões, e Maquisuéis, Wendelssons, Wescreys e Motorcleyssons.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 12:21 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
[ficarei dez dias fora. Fiz esse texto de madrugada, à mão. Gostei muito]

Exercício de descrição

Ela andava agora pela rua. Avenida Paulista, para ser mais exato. Era em torno de meio-dia e o sol parecia deixar o asfalto em brasa. A luz vinha de cima e o calor debaixo. E as pessoas de todos os lados. A hora do almoço naquele lugar era sempre um inferno.
Começou a se lembrar dos seus recreios no colégio, debaixo do mesmo sol, correndo pelo pátio. Em vez de avenida e asfalto, cimento e quadra de futebol. Em vez de adultos trabalhadores, crianças histéricas. Contudo, ambos estavam com pressa, sempre. Os adultos, porque não queriam perder mais um segundo do almoço; as crianças, bem, porque crianças sempre correm no pátio.
Havia uma menininha entre elas que sempre se encaixava no grupo das mais espevitadas. Sempre dava um jeito de, indiretamente, ter algo a ver com o menino de óculos e aparelho que se esborrachara no chão e passara a aula de ciências na enfermaria, enquanto seus colegas de classe, debaixo das fuças da professora excêntrica de ciências, aguardavam em clima de tensa expectativa o retorno da enfermaria do glorioso herói da classe.
Havia uma menininha que usava óculos e no fundo era tímida, mas fazia parte de tudo isso alegremente. Corria de suar com os meninos e ria gostoso ao lado das meninas, naquela idade em que a diferença de sexos é só numa teoria de ¿pipi¿ e ¿periquita¿, e em que nenhum dos dois lados se preocupa com o outro.
A tenra infância avançava rápida como os recreios, e logo foi deixando de ser o que era. Como não podia deixar de ser, a vida adulta começou a se insinuar por entre os tênis dos meninos nas bolas de futebol e pelas meias compridas das meninas de saia, ajeitando o cabelo.
Essa mudança não pegou Amélia desprevenida porque não a alcançou. Fugiu dela como fugia dos meninos no recreio, e brincava ainda todo dia de bola e pique e pega voltando suada escorrendo do lanche. Não deixava a correria por nada, e quando comia e conversava com suas amigas na rodinha olhava com olhos ávidos o cimento quente da quadra esperando seus pés, a bola, o cotovelo ralado e a enfermaria. Era incapaz de abandonar tudo isso e não via graça em brincar de ser menina crescida.
A idade corria que nem cavalo bravo, que relincha e empina se você puxar pra trás. E a jovem Amélia sem perceber ia fugindo das conversas de dona-de-casa das meninas pra bolar traquinagens com os meninos, mandar os professores pra todos os lugares do mundo e especialmente a coordenadora chata que sempre pegava no pé e ficava olhando pela janelinha do corredor. Continuava amiga das meninas, claro, mas trocava num átimo a companhia feminina pela aula de educação física.
Brincadeiras de soquinho, cuspe à distância e desafios de coragem e força aos onze anos povoaram por tempos essa sua doce idade. Havia sido uma criança alegre, feliz, matreira, serelepe e diversos outros nomes pelos quais fora chamada pelas amigas da mãe, inconformadas com o comportamento quase selvagem da bonequinha. Nunca havia ligado pra elas, que pareciam umas avestruzes emperequitadas, que tomavam chá e faziam as filhas dançarem balé.
O tempo sem perdão foi lançando suas teias e Amélia não pôde mais correr. Já não fazia mais tudo com os meninos, as meninas iam junto no banheiro, falavam de maquiagem, meninos, novela, cadê o pega-pega?, acabou, pique-esconde?, isso é coisa de pirralho, aquele menino tá olhando pra você, o que são esses negócios aqui, mãe, eles incomodam, eu não quero usar isso, dói o ombro, você se acostuma, minha filha, mãe!, eu tô sangrando, o Breno disse hoje que a irmã dele mostrou uma camisinha pra ele, por que uma mocinha não pode jogar futebol?
A feminilidade arrebatou Amélia como a correnteza do rio que leva a gente pra longe do lugar onde queremos ficar. Passou a adolescência dividida entre o tédio das conversas femininas e a falta da brincadeira com os meninos, que agora só pensavam no debaixo da blusa das meninas e esqueciam o pega-pega na quadra de cimento no recreio.
¿Eu não mudei, eles mudaram¿, pensou ela, enquanto mastigava qualquer coisa de volta no caminho do almoço. ¿Eu não quero usar terno, não quero andar na paulista, quero correr no pátio e ralar o joelho, usar saia e chutar a bola pro gol. Os meninos e meninas deviam jogar futebol, não fazer relacionamentos. Isso é tudo muito sério e sem-graça.¿
Até se interessara por alguns garotos, mas sempre achou que estaria muito melhor servida se eles simplesmente estivessem em uma competição ao invés de em um relacionamento. Menina-menino, já lhe chamaram, mas ela não ligava nem um pouco. Aliás, até gostava. Dava um ar jovem, único. Tirando o fato de que não tinha mais uma amizade profunda e verdadeira como as dos antigos tempos desde sua classe da quarta série. Ela não parecia se encaixar muito no perfil ¿melhores amigas¿ coisa e tal.
Parou para atravessar a rua. Viu uma bola de meia perto de si. Sentiu uma enorme vontade de chutá-la. Melhor não, estava de salto. A bola de meia saiu pulando toda torta da guia para o meio da calçada lateral, que ela não tinha bem mirado o chute. O salto raspou no chão, e logo voltou à posição, séria e formal, do lado do outro pé. A bola de meia parou perto de uma menininha que segurava as mãos da mãe. Os olhos dela subiram lentamente do embolado de meias até a moça feita, formosa, bem vestida e posuda que havia dado o chute. Por um instante, o olhar da criança encontrou o de Amélia, e viu toda a vida da mulher exposta naquele gesto de chutar a bola de meia da calçada. Então Amélia viu se formar no rosto daquela menininha um sorriso, espontâneo, gostoso e inocente como um riso de criança é, e todo o peso que tinha no coração se esvaiu como água por entre os dedos, e ela expirou um ar que a sufocava desde os tempos que começara a crescer.
Nisso, o farol de pedestres abriu e a multidão atravessando a rua levou Amélia de volta consigo.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:37 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Dezembro 25, 2006
Ter uma namorada por anos duradouros sempre foi uma de minhas aspirações. Bom, sempre tive muitas aspirações. Ora, quem não deseja um companheiro que sirva pra tudo, psicólogo, cozinheiro, massagista, saco de pancadas, travesseiro, lençol, obra de arte, cantor, herói, palhaço... isso em tempo integral. Como todas as pessoas, eu também quis (e ainda quero, por deus!) uma pessoa assim. Mas o que fazemos todas vez é imaginar a pessoa escolhida ao nosso lado, cantando com a gente no videokê, bebendo com os nossos amigos, dando risada e muito mais. E outro dia eu vi uma garota bonita no metrô e vi um (tô cansado dessa cena) anel no dedo dela. Não tinha como confundir, ela tinha namorado. Depois de resmungar muito, fiquei bravo, como se eu fosse fazer alguma coisa, e como sempre, comecei a pensar em cima disso. Como a minha deusa, maravilhosa e esplêndida idealizada namorada se comportaria quando estivesse no metrô? Ficaria pensando em mim? Não, que piegas. Ela não é bocó, nem retardada. Sei lá, ela ficaria pensando em coisas da vida dela, ficaria lendo, ficaria com a cabeça em qualquer lugar, menos pensando em mim.
Por quê? É proibido pensar no outro quando estiver em outro lugar? Bom, não no metrô, pára com isso, dá uma sensação de sufocamento só de pensar. Se estiver viajando até vai, mas metrô é uma coisa tão de todo o dia, sei lá. Urgh, não, não pensa em mim no metrô.
Que significa essa sensação? Talvez seja uma aspiração a ser independente. Para haver o relacionamento perfeito, deve haver individualidade. Tipo, não um ¿não vivo sem você¿, mas um ¿não quero nem um pouco viver sem você¿. É, acho que é isso que eu acho ideal, duas pessoas independentes que se gostam pra caralho.
Bom, mas como que eu sou independente se eu tô pensando nela antes mesmo de ela existir pra mim? Isso é sinal de independência? É, bem, acho que ainda tenho um longo caminho pela frente.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:41 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006
Sobre sorte e amigos

Às vezes eu estou andando pela rua, andando no ônibus e vejo uma pessoa em especial. É uma pessoa diferente, não é aquela qualquer uma que geralmente se vê; ela é especial, ela é singular. E aflora uma vontade irresistível de conhecer essa pessoa. Irresistível não; se fosse irresistível, eu não ia resistir. Está bem, uma vontade muito grande. E eu começo a olhar essa pessoa, tão desconhecida, mas que poderia tratar com uma intimidade de amigo do peito. E ocorre uma admiração, um respeito secreto por essa pessoa, altiva, no seu silêncio, ou na atitude natural com alguns amigos irrelevantes pra mim, não importa. Ela é especial.
Contudo, não vou falar com ela. Ora, é óbvio, claro que não vou falar com ela, isso é irracional, estranho, quase uma afronta a todos os direitos individuais que conseguimos em séculos; não, a pessoa vai ficar lá e eu aqui.
Começa lentamente a bater um sentimento de impotência. Como eu queria falar com ela, ela parece tão legal! O que me impede? Nada. Mas eu não vou. E fico triste porque não conheço essa pessoa tão legal. Vale a pena? Eu sei que vou ficar triste depois, mas posso estragar uma relação maravilhosa que poderia acontecer qualquer dia depois. Conhecer alguém no ônibus é bem tosco. E também, ela tem seus próprios afazeres, suas próprias preocupações. É; eu não vou falar com ela.
No final, só resta uma admiração, um como os amigos dela são sortudos, e vai-se embora, pra desviar o assunto da cabeça como quem espanta uma mosca, e toca-se novamente a vida.
Até hoje, eu só pensava assim.
Entretanto, hoje eu vi um amigo meu no ônibus, e falei nossa, ele realmente parece uma pessoa especial. Tudo bem. Aí parei, falei peraí, é a primeira vez que isso acontece. E comecei a imaginar todos os meus amigos no ônibus, e a perceber que todos eles seriam pessoas que eu teria grande vontade de conhecer. E eu já conheço, e tenho intimidade com eles. E de repente me ocorreu como é estranho o destino, fazendo eu me encontrar com tantas pessoas que eu adoraria de qualquer maneira, até no ônibus. E daí eu concluo, depois de pensar nisso tudo: como eu sou sortudo de ter os amigos que tenho.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:31 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Novembro 22, 2006
Um dos meus melhores textos.

Que é que rola? Eu sou simplesmente um ser infestado de amor. E às vezes egoísmo. Egoísmo é o amor-próprio concentrado. Solidariedade é o amor pelos outros. Altruísmo é o amor pelos outros concentrado. Raiva não é um desamor; raiva é um amor desencontrado. Um ou mais de um. Ódio é um amor muito desencontrado. A saudade é o amor pelo que foi. A esperança é o amor pelo que ainda pode ser. A desesperança e o desconsolo é o amor pelo que poderia ter sido. A paixão é o amor juvenil, ardente. E o amor? O amor é o cacau. Os sentimentos são os diversos chocolates. Entendeu? O amor é o chocolate puro.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:54 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Três frases sobre a pergunta "Quem sonha em ser inteligente?":

O que se acha inteligente necessariamente não sonha em ser inteligente, porque acha que já o é.

O ignorante de sua ignorância necessariamente não sonha em ser inteligente.

O que se sabe ignorante necessariamente sonha em ser inteligente, porque se não sonhasse, não se saberia um ignorante.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:49 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Hoje amanheceu chovendo. Tava uma sensação tão gostosa. Lavaram o céu.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 05:22 Discorde!!: icarus


Defeitos

Nessa sociedade da imagem de hoje, ninguém mais tem tempo. Tempo pra nada, nem pra si mesmo. Ha, que piada, si mesmo é algo que nem é mais considerado. Todos viemos pasteurizados, sem defeitos de fábrica. Pressupõe-se que todos somos perfeitos, sem nenhum trauma, nenhum mesmo, todos satisfeitos amorosa, financeira e sexualmente. É um acordo tácito ¿ eu não tenho defeitos, você não tem, e não falamos sobre eles porque eles não existem.
Acho bem razoável dizer que não existe nenhum ser sem problemas. Nenhum. Todos temos problemas, probleminhas, defeitinhos, preconceitozinhos, intoleranciazinhas. Enfim, uma puta duma bagagem cheia de subjetividades e vícios. E que não é possível superá-los sem algum esforço. Não é só esperar que passa. Aliás, se esperar e jogar pra frente, só piora. Sem um esforço do caralho, a situação dentro de si não muda.
Chega que então nos dias de hoje ninguém mais admite ter defeitos. Alguns ainda mantêm a consciência um pouco mais leve com sessões caríssimas em terapeutas. Mas a grande maioria nem sequer reconhece os próprios erros. Não há mais diálogo. Minto: não sei se já houve. Mas o fato é que não há diálogo. E os problemas, que só seriam superados através de exercícios constantes, não são sequer suscitados. Não se toma conhecimento deles. Como diz a minha idéia de linguagem, se não há uma palavra que recorte o defeito, logo não há defeito. Não pensamos o defeito.
Não, não precisa ficar martelando o defeito na própria cabeça noite e dia, eu que faço isso reconheço que é um defeito. E que pode me levar seriamente a algum tipo de loucura. Mas esse defeito me possibilita escrever esse texto. Um defeito que leva à ruína pessoal. Contudo, por mais pessoal que seja, o defeito sempre se reflete na pessoa, que reflete nos outros. Mas calma, cuidar dos próprios defeitos é uma atitude para si. Seria um altruísmo ou egoísmo então zelar pela sanidade consciente?
Seja o que for, o esforço de superar defeitos é por demais grande, e ninguém está muito disposto a fazê-lo. Queremos resultados rápidos, pagou levou, nada daquela flagelação medieval para conseguir alguma coisa no fim da vida. Não, a vida é agora, eficiência, cartões de crédito, imediatismo. Um defeitinho meu? Ah, quem gosta agüenta...
E assim se leva a vida.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:35 Discorde!!: icarus


Pisado em cima

Sentia-me derrotado. Humilhado. Pisado em cima. Cuspido, raspado, retirado cirurgicamente. Um verme. Um verme burro e ignóbil. Parecia que me olhavam como se eu fosse uma lesma bem difícil de aprender. Como se eu fizesse um esforço imenso para apreender o mundo ao meu redor. Uma sensação excludente, como se eu fosse um pária dos dias atuais. Um pária intelectualmente falando, entende? Como de uma raça inferior, pré-considerada menos capaz. Sentia-me com metade do cérebro, ou melhor, sem metade dele funcionando, sentia-me em eterno stand by, como se nunca fosse despertar do meio sono em que me encontrava. Como se eu fosse um zumbi, ou estivesse dopado de qualquer maneira, como se estivesse limitado por alguma força intelectual invisível. Sentia-me incapaz. Sem habilidade no pensar. Quick witted, entende? Sagaz, esperto, rápido, vivaz, aquela inteligência característica dos jovens, que tudo aprendem com rapidez e fluidez, e já põem em prática assim que o aprendem. Sentia-me fora de tudo isso. Atravessava a Praça do Relógio com um rumo, mas que não era muito definido que naquele estado nem o horário mostrado no meu relógio era definido. Arrastava o corpo num passo lerdo, caminhando, não, vencendo cada passo, como se fosse uma escalada difícil, uma escalada em que a vontade me faltava, e a gravidade me empurrava para a inércia, e se eu caísse, por ali ficava mesmo. Havia uma moleza, uma preguiça maldita e diabólica ali no ar, que me compelia a ficar, estar, permanecer, a deixar estar. A força da não mudança, talvez a inércia, mas essa minha física é mais cruel, é que todo movimento tende a parar, sempre, podem dizer que resistência existe não existe, não quero saber, no meu mundo, os corpos e os movimentos tendem a parar, e tenho de enxotá-los à dinâmica, chutá-los ao movimento com tapas na cara e gritos mudos de raiva cega e incontrolada. Se eu cair eu durmo; mas eu não caio. Uma insistência que não faz parte do todo se esgueira por não sei onde que move tudo. Não que ela não deixa parar, não, é que ela não deixa a vida querer parar, aliás, essa força invisível dá um alento secreto e sutil, uma brisa no rosto no meio do deserto, uma nesga de esperança no meio do quarto trancado da solidão e desespero, que nos faz acreditar no futuro, ter a maldita da esperança, que é esperada como presente divino. A força nos brota esperança do coração já desacreditado, que nem sentia bater, dá vida à vida, dá o apoio ao corpo, arranca a venda aos olhos, tira o peso da alma, dá a mão mas não puxa, fala vai mas não grita, sussurra, ergue a cabeça mas não o corpo. E no meio dessas forças o corpo se segue cambaleante, fraquejando, vacilante, errante, perseverante, erguendo sua massa imane com seus braços de palito, tremendo, mas determinado, lentamente, mas já mais decidido, com a força de vontade que lhe faltava quando estava ainda de pé.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:15 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Outubro 17, 2006
Divagações na mente de um artista e mestre da economia, gênio

A provas têm uma mágica. Alguma espécie de feitiço, encantamento, maldição, sei lá. Nunca tive tanta vontade de me matar quanto nesta prova de economia. Enfiar a lapiseira no coração, bater com a cabeça na quina da mesa, me jogar da janela do último andar do CJE, qualquer coisa assim. Fiquei com tanta raiva que estou surpreso como meu coração não explodiu. Trançava as pernas, apertava os dedos, estralava os dedos, batia o pé no chão, contava as palavras de cada linha do texto, apertava os dentes contra os outros, olhava pra cima, olhava pra lousa vazia, olhava para o professor, pensava na vida, no futuro, olhava para o papel, suspirava, olhava pra baixo, fechava os olhos, abria, suspirava de novo, pegava a lapiseira, lia a questão, me desesperava. Desespero é a palavra. Não, não desespero: desconsolo. Acabou. Não tenho mais consolo. Acabaram-se quaisquer esperanças de ser inteligente na vida. Chega, não agüento mais. Desisto. Desisto finalmente, desisto simplesmente. Não vou tentar mais porra nenhuma, desisto de me esforçar, chega, não quero mais forçar nenhum pensamento que não seja natural, não quero mais fazer nada que não seja pura necessidade do meu espírito. Já chega. Quero agora ser filósofo de bar, estragar com a minha vida, fuder com tudo, jogar pro alto e não me interessar se vou pegar de volta ou deixar cair no chão. Quero ser medíocre com orgulho, que cansei já de buscar a excelência e me fuder para isso. Não quero mais me fuder, chega dessa merda, acabou, não tem mais, simplesmente. Desencanei, só isso, to cagando e andando, aliás, nem sei mais o que significam essas palavras, eu vou virar qualquer coisa por aí e me encontrar algum dia num espelho sujo e rachado de bar perto do Centro, e dizer que foi que eu fiz. Aí eu vou me arrepender. Mas agora não, chega disso. Quero, antes de tudo, dizer, e realmente significar, esta frase maravilhosa que eu pensei no meio da prova, em circunstâncias singulares: Estou na massa. Ou um pouco abaixo dela. Já chega.


APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:32 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Outubro 14, 2006
Todomundo quer ser presidente do Brasil. Eu é que não tenho capacidade argumentativa para convencê-los disso.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:30 Discorde!!: icarus


Não deveria estar a dizer isto. Esta é uma confissão pessoal, mas com caráter universal. Ela não é sobre algo que aconteceu, mas sobre algo que com certeza vai acontecer. É uma dessas coisas sobre as quais não se pode ter muita certeza de quando e onde e como, e até talvez o porquê; mas pode-se ter certeza do se. Se vai ocorrer? Vai, sim, com certeza, se não consigo, com o outro, ou a outra, mas é algo que acontece com todos, todos, sem falta, direta ou indiretamente. Mas tudo isto é para dizer que, invariavelmente, sem falta, com certeza, sempre, em todas e quaisquer ocasiões, o corno sempre se vinga.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:30 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Setembro 17, 2006
PS.: Esse texto é decepcionante, se você ler, vai se decepcionar. Por isso, eu pus esse PS antes dele.

Haja...

A mãe era uma mulher muito preocupada com os filhos. Desde que se casara, decidira que iria criar seus filhos com a maior liberdade possível. Aquela liberdade controlada, né? Mas ainda liberdade, que era o que estava na boca dos melhores educadores e psicólogos pelo mundo afora. Ora, seu filho teria então as melhores oportunidades para fazer as escolhas certas.
Seu filho nasceu então depois de cinco anos de casada. A esta altura, ela e seu marido já estavam relativamente estabelecidos; ele já conseguira subir na empresa em que trabalhava, e ela já não tinha a tradicional falta de habilidade que é comum às mães novas. O meninão vivia desta maneira uma infância bem modesta. Os pais sacrificavam muito pelo filho. Só fizeram sua primeira viagem quando ele tinha treze anos, para poder ir junto. Compravam brinquedos educativos, para ele poder crescer melhor e mais inteligente. Um exemplo.
Mas o que realmente foi a maior conquista dos pais foi aquele computador. Todas as crianças da escola do filho já tinham um ou mais ¿ ele estudava num colégio de bom nível ¿ e finalmente poderia se sentir mais acolhido entre os colegas. Nessa fase de quinze, dezesseis anos é importante sentir-se acolhido. E os pais não podiam pensar no filho não se sentindo acolhido.
Pois bem, uma certa noite estava o filho ao computador, provavelmente acessando aqueles sites educativos que os pais haviam indicado, quando ouviram um grito. Um grito alto, cheio de ira. Os pais foram correndo para o quarto do filho ¿ ele tinha o computador no quarto para estudar melhor ¿ e viram o filho socando as paredes incontrolavelmente. Cego de raiva, espumando, diria. E não adiantava os pais dizerem nada, o filho não fazia senão berrar e agitar as mãos ameaçadoramente para o computador. Quando ele finalmente agarrou o computador e quase o jogou no chão ¿ o pai conseguiu segurá-lo a tempo ¿ chamaram uma ambulância.
Angustiados na ante-sala do quarto do filho, o casal aguardava o médico. Cada par de sapatos brancos que irrompia da porta era olhado com esperança, até que veio o doutor. Ele veio para cá num acesso de raiva muito forte, e tivemos que sedá-lo, disse o médico, mas isso não o impediu de ter um derrame cerebral. Ele vai ficar bem, acrescentou o médico rapidamente aos olhos marejados da mãe, só vai precisar de muito repouso, carinho e atenção uma vez que for para casa.
De volta ao lar, a esposa, depois de prometer ao marido que iria dormir um pouquinho (¿Mas só um pouquinho que eu não quero ficar longe dele bem nessas horas¿), a mulher reparou uma luz saindo do quarto do filho. O computador!, pensou, não desligamos! E pelo fundo de sua cabeça perpassou uma tímida curiosidade, o que o filho estaria fazendo naquela fatídica hora do grito? Ela aproximou-se lentamente da sala, a luz fraca que saía de dentro subiu seus sapatos, suas pernas, ela virou o monitor e congelou. Na tela, jazia um jogo de paciência, perdido, padrão Vegas, vira uma carta, pontuação cumulativa.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:59 Discorde!!: icarus


Sobre aproveitar a vida

Há vezes em que o aproveitar a vida é encarado como lançar tudo aos ares e largar de todos os compromissos. Ora, então a vida é aprisionadora, e só nos libertamos quando jogamos tudo para o alto. Vendo as coisas desse modo, acho que saio no prejuízo duas vezes: primeiro, eu só aproveito a vida nesses momentos inconseqüentes e fugazes; segundo, depois você vai ter que encarar as conseqüências, e sua vida vai ficar, pelo menos por um tempo, pior do que já estava.
Jogar a vida pro alto não significa dizer que ela vai ficar lá em cima. Pelo contrário, ela vai cair e quem se fode é você pra pegar depois sem deixar cair.Então o que seria o recomendável pra aproveitar a vida? Alguma espécie de desenvolvimento sustentável?
Teríamos então que concordar que um desenvolvimento destes necessitaria de uma mente praticamente inabalável e firme em suas metas. Ora, as personalidades instáveis e retalhadas então como se iriam virar? Em minha defesa, terei de propor alguma outra solução.
Como aproveitar a vida? Aproveitar os pequenos momentos? Mas nunca dá pra aproveitar por tanto tempo um momento, porque este puxa um outro, que puxa outro e outro e balança todo o suposto equilíbrio preexistente na vida. Aproveitar com moderação? Vá para o raio que te parta, que isto é anúncio de cerveja, não se deixa uma pessoa satisfeita com meio doce!
Come-se o doce inteiro? E depois, dietas malucas integrais macrobióticas? É, pelo menos é por aqui que eu costumo ficar. Fases. Fases de fartura, fases de miséria, em todos os aspectos, alegria, liberdade, mulheres... Se os momentos são dias, eu diria que as fases são estações. Cada uma é única, apesar de parecerem-se entre si.
Diria que esse negócio de áurea mediocridade e viva o meio-termo não é muito comigo. Meu negócio é mais o na hora a gente vê que sobre isso eu não quero ficar pensando não que tenho que ler um texto comprido pra amanhã. Mas apesar das crises, acho que achei um meio-termo da instabilidade; minha personalidade oscilante parcialmente controlada por períodos razoáveis de mudanças. Ah, mas isso faz uma zona...
Isso impede de aproveitar a vida? Ah, não dá pra sentar na janelinha e no corredor ao mesmo tempo. Então de tempos em tempos eu troco de lugar, mas sempre com um rabo de olho atrás pra voltar caso algo aconteça. E essa flexibilidade pra mim é tão vital quanto minhas tripas. Olhar a viagem do corredor e da janelinha; tentar absorver tudo com a consciência que não dá pra absorver mesmo. E deste modo, vive-se. Ou melhor, vivo-se.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:27 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Setembro 06, 2006
SOU TOSCO, E DAÍ? (UM EXEMPLO DE JORNALISMO CIENTÍFICO)

A tosqueira ou tosquidão é um distúrbio mental e físico que sempre flagelou diversas pessoas. É realmente democrático: ataca todas as classes sociais em igual proporção. Já aí me vem o primeiro desafio: peraí, não, tem muito mais gente tosca pobre do que rica. É aí que você se engana, ignaro leitor. O problema é que o dinheiro muita vez disfarça os indícios da tosquidão, mas em potencial, o desditoso almofadinha continuará a ser um tosco.
Esse distúrbio surge como decorrência de uma má formação num período da infância e começo da adolescência que vai dos 5 aos 15 anos. Fizemos pesquisas com milhares de pessoas nessa faixa etária e descobrimos a presença de pulhas já no grupo de crianças a partir dos 5 anos. Para detectar o pulha, é muito simples: basta colocar as crianças para brincar e sempre haverá um gordinho que se não sai levando vantagem, quer estragar a brincadeira. A pobre alma é resultado de falta de atenção crônica dos pais e é muito provável também que já tenha tido um trauma com mágicos de festa, especialmente com aquele truque em que o mágico tira a cueca do menino sem nem tocar em suas calças.
Nas crianças em torno de dez anos, o distúrbio se manifesta através do total desrespeito às ordens numa clara tentativa de chamar a atenção dos pais, dos avós, daquela tia que sempre dá ótimos presentes no Natal e até dos amiguinhos de escola dos primos. Não satisfeita, a criança ainda muitas vezes apela para a falsidade e a hipocrisia; na frente dos adultos, é uma, e com os priminhos menores, torna-se outra. Esta prática lamentável foi amplamente estudado pelo professor Ziegfried Hoolensch em sua renomada obra O Natal moderno ¿ Um estudo do comportamento das crianças nessa celebração emblemática para a classe média de hoje.
Já nas pessoas de quinze anos, o efeito do distúrbio é visível nos incipientes relacionamentos amorosos: ela não os tem. Ou se os tem, são muito precários e não agregam qualquer experiência ao já adolescente. Este já sabe disfarçar melhor a tosquidão, fardo que carregará para todo o resto da vida. Mas nessa fase as pressões sociais são incrivelmente maiores do que as que tinha numa quadra de futebol disputando uma bola. Muitos adolescentes têm crises verdadeiramente existenciais por não se darem conta de seu estado e não saberem combatê-lo.
Via de regra, o distúrbio se cria e instala suas raízes na pessoa até em torno dos quinze anos, mas há casos raríssimos em que a doença continua latente no indivíduo. É expressa em condutas consideradas pelo grupo como vergonhosas, tais como virgindade até depois de vinte anos, caretice e alguma retenção quando se trata de participar do que os adolescentes selvagens de hoje em dia chamam de ¿orgias¿. Normalmente, a pessoa nunca teve um relacionamento alegre e duradouro, e sublima sua frustração em atitudes toscas.
As pessoas toscas têm diversos níveis de socialização, e tudo varia em cima do modo como os afetados se desviam realmente do que são; isso é uma conduta diversas vezes tomada como ideal, mas a psicologia moderna afirma com muita autoridade que negar-se não é nunca algo certo.
A prática ideal para evitar maiores danos é exatamente o contrário do acima citado: o tosco deve-se afirmar em cima do próprio distúrbio, ou seja, deve-se orgulhar de como é e esconder sua condição lamentável o mínimo possível.
Portanto, para ser um tosco saudável, afirme-se, não tenha vergonha, diga sou tosco, e daí?, e não enfrente mais problemas.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:30 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Setembro 02, 2006
Pessoal, depois de vários cinco comentários falando bem do meu texto, eu, lisonjeado e com meu orgulho devidamente polido, resolvi de supetão escrever mais um texto. Eu acho que ele está maior; mas não tem problema, acho que está gostoso de ler. Esse é mais pessoal, apesar de também não ser totalmente verdadeiro. Diria que é uma alegoria, mas tem muito de verdade nele. Talvez depois dele eu não escreva por um tempo, mas acho que ele há de dar conta do blog por mais de uma semana. Abrações...

PS.: Não reparem na minha compulsão por ponto-e-vírgula; eu exagerei mesmo. Não tinha jeito.



Eu havia, desde que tinha entrado naquela escola, pertencido ao grupo de estudos de filosofia. Coisa de colegial. Não que eu fosse um fanático por filosofia; é mais como se eu tivesse entrado numa atitude de mãe, para forçar o filho, meu cérebro, a pensar, porque todo mundo diz que pensar é bom. E gostava das aulas, claro, como uma pessoa que tem às vezes atitude de mãe gosta das aulas. Não dedicava minha vida a elas, é verdade, mas não considerava a possibilidade de faltar. Achava essencial ir às aulas de filosofia para ser uma pessoa mais inteligente, na atitude pouco inteligente de achar que sozinho, o conhecimento iria adentrar por minha cabeça e achar algum aconchego suficientemente confortável para não sair.
Bom, do modo como as coisas andavam, não tinha como reclamar; não havia nenhuma tarefa sobre-humana para realizar, e eu era particularmente capaz de contornar os textos indicados para a leitura. As aulas corriam bem; eu apreendia aqueles dez por cento que se aprende em qualquer aula e me dava por mais que satisfeito. Só que, como toda situação boa, ela teria de terminar. E não demorou muito; bom, talvez seis meses tenham sido um bom período de maré alta.
Conforme disse, já no começo do segundo semestre, a situação agradável, harmônica e até bucólica haveria de mudar. Entrou uma menina no curso. Ora, tinha que ter mulher no meio. Ao longo da história, elas devem ter desviado milhões de homens do bom caminho da filosofia, da promissora carreira e quiçá do destino de alterar o pensamento da humanidade. Não que eu fosse fazer isto; mas é que depois de ela ter entrado, com aquela beleza retórica e incontestável, tirou da rota todo o meu pensamento filosófico.
Ela chegou sorrindo; lógico, toda menina bonita sempre chega sorrindo. Veio tipo aquelas meninas, rainhas da festa, que chegam mais tarde só pra fazer charme, só pra todo mundo notar, só pra chegar na hora em que tudo está ¿acontecendo¿. Falou com o professor, sorrindo, sempre, e com seus encantos fez o mestre de filosofia aquiescer ao seu encarecido pedido de participar das aulas. Ela já assistiu à primeira aula; e eu assisti à ela assistindo às aulas. Foi inevitável. Era tão fofo ela prestando atenção! Até fez uma pergunta, colocação relevante, coisa que eu não havia feito por meses. Então eu vi se destruir, já na primeira aula do semestre, todo o meu curso de filosofia. Sim, todo o curso pregresso também, parecia que se apagara da minha mente tudo o que eu havia aprendido bem na hora que ela entrou na sala.
Maldita infantilidade! Não conseguia ¿chegar¿ nela; tinha uma trava, um impedimento invisível que não deixava de jeito nenhum eu falar com ela. Toda vez, só de pensar em iniciar um diálogo, sobre o tempo, sei lá, começava a suar, ficava inquieto, inseguro, minha língua se enrolava, meu coração disparava, tudo isto sem sair do lugar. Era um desconforto enorme, tamanho, incabível só por pensar em falar com ela. Enquanto eu me desesperava sozinho, ela fazia amigas na sala de filosofia com o mesmo sorriso que encantava todo mundo.
Eu parecia uma criança. Todo aquele pensamento de mãe sumira, e dera lugar a uma inconseqüência infantil. Passei a prestar mais atenção a ela do que à aula. Sentava sempre duas ou três fileiras atrás dela. Não era difícil. Como aluna boa que era, pertencia à primeira fileira. Via-a de costas, e escrutinava tudo a meu alcance: o cabelo amarrado atrás da cabeça; o modo como ele caía mas não atingia os ombros, dependurado; sua cor castanha, com nuances de loiro; a ponta de seu nariz arrebitado que às vezes dava pra ver quando ela conversava com a amiga do lado. E essa atitude detetivesca tomava muito de minha atenção. Ora, era praticamente hipnótico aquele perfil.
De forma que os dez por cento de atenção que eu dedicava à aula reduziram-se a quase nada. Quando me dei conta, estávamos já no meio do semestre e eu não fazia idéia do que significava filosofia. Amigo do pensar? O quê? Mais um motivo surgia para o meu desespero: além de eu não conseguir de forma alguma falar com ela, eu não sabia nada da aula. Pensei em me drogar, em me matar, em estudar mais e nenhuma das três opções se me afigurou atraente. Era só pensar em filosofia e lá se ia o pensamento a divagar, sim, mas pelas vias erradas. Se houvesse uma filosofia do amor! Mas não, não havia. E como protesto, lá se ia minha cabeça pelos meandros do sentimento, deixando Platão, Maquiavel e Russell comendo poeira atrás.
Quis então o destino que eu caísse em um grupo dela. O professor, sorteando, definiu grupos de estudo para seminários, aquela coisa. Meu Deus, que tortura foi. Pensar que teria que falar sobre alguma coisa inteligente ao lado dela já era uma perspectiva terrível! Tentar concretizar isso foi pior ainda. As reuniões eram durante a aula mesmo. Eu não falava nada, só concordava com a cabeça, e quando abria a boca era para vomitar alguma observação do professor em aula que eu tinha engolido indiscriminadamente. Ela tomou as rédeas do grupo. Falava com todo mundo, mas quando eu olhava para ela, ficava pasmo com suas sardas (Ela tinha sardas!) como se fossem algum tipo de assombração e não conseguia emitir um ruído da boca. Aquele nariz empinadinho, do alto daquele sorriso simpático, apontava para mim como se eu fosse o culpado por todos os crimes do mundo.
Fiz um trabalho medíocre; sem nenhuma notabilidade. Ela, é claro, teve um desempenho esplendoroso, com direito a comentário do professor, o que, se já perceberam, era raríssimo. Depois disso eu parei de olhar para ela. Não conseguia mais; fiquei com um complexo de inferioridade capaz de derrubar qualquer um. Não era mais capaz de olhar para ela; olhava para baixo. Meu desempenho não tinha saído do modo como eu queria; eu não era aquele deus grego e mestre de todos os tempos da filosofia que eu imaginava que ela queria ver em mim. Então, moralmente cabisbaixo, deixei o curso de filosofia.
Por um tempo que me pareceu infindável, fiquei deprimido. Eu a via nos corredores conversando animadamente, em cima do seu palanque de popularidade; garotos em volta dela como um bando de abutres à espera do ataque à carne, que, aposto, era o que eles a consideravam. E não fazia nada; eu parecia um leão ferido. Leão porque tenho ainda um pingo de auto-estima. Ferido porque realmente a frustração de conseguir a atenção dela havia me derrubado. Em alguns momentos nossos olhares se cruzavam. Mas eu desviava rapidamente, sob o medo de ela me achar mais idiota ainda. Eu estava derrotado.
Mas o sorriso e o olhar que me encantaram e depois me condenaram, me salvaram novamente. Do mesmo modo sutil como ela toda era, um sorriso se lançou dos seus lábios e veio pra mim, só pra mim, melhor do que todos aqueles que ela dava aos meninos no recreio, muito melhor. Que que eu tinha feito mesmo? Ah, uma piada. Um comentário, na verdade. Não era pra ela, lógico, eu nem me controlava perto dela, mas ela ouviu, indevidamente, mas ouviu. E sorriu aquele sorriso dos anjos, pertinho de mim, e deixou à mostra cada um daqueles dentes certinhos, enquanto eu esquecia que o tempo passava e mergulhava numa visão que nunca mais esqueceria.
Por que eu nunca paro de fazer piadas? Por que eu sou fanático por sorrisos? Pois é. Por isso.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Estava limpando meu blog, dando uma lida por aí e por aqui e achei um texto indescritível. De um valor sem tamanho. Foi num post de 24 de janeiro de 2005; eu sou egocêntrico e leio vários dos meus próprios textos. Mas esse conto ou crônica, lá eu não sabia e hoje ainda eu não sei a diferença, tem uma parte especialíssima na minha vida. Além do que o eu de mais de um ano e meio atrás me superou e vai me surpreender por muito tempo. Não acredito como eu escrevi isso. Hehehe. Divirtam-se.

Estava lá eu andando pela rua, já nem sabia há quanto tempo, mas sempre andando. Passei por um ponto de ônibus, e continuei andando, até que alguma coisa, dessas que ninguém explica o porquê, me fez olhar para trás. E nessa olhada, nessa virada, eu gelei. Pelo meu corpo perpassou aquele arrepio, até a ponta dos cabelos que me fez perder totalmente o ar. Nesses centésimos de segundos, meu olhar cruzou com o de uma garota ¿ quer dizer, eu posso não ter certeza, porque ela estava de óculos escuros ¿ mas cruzou. Porque eu senti. E não era qualquer garota. Eu já a conhecia. De longa data. Era minha vizinha. Mas não só isso. Sabe aquele amor da sua vida? Foi ela. Tivemos grandes momentos juntos. Ela foi realmente importante. Aquela pessoa que tem valor pra você. Confiava nela. Bebíamos juntos. Apresentou-me a seus amigos maiores como namorado. Isso foi marcante. Marcante porque ela era mais velha que eu. Bem mais. E nessa idade tudo se conta mais. Eu tinha treze. Ela dezessete. Dezessete! E gostava de mim. Porém nunca mais a tinha visto. Nem falado com ela. Apesar de todo nosso amor (amor, tudo é eterno quando se tem quinze anos ¿ mas eu tinha treze), eu não a tinha mais visto. Não sei direito porquê. Ela tinha mudado de telefone, mas também não me deu vontade de ir atrás. Uma coisa meio de criança. Ou sei lá. Mas agora ela estava ali, do meu lado, e por centésimos de segundos, olhou para mim. Depois desviou, lógico. Todo mundo sempre faz isso. Mas o desviar só confirma que ela viu. Que ela me viu. Depois de perder o ar, eu tive que sentar, mas continuei olhando para ela. Só pra ver se ela olhava pra mim de novo. E continuou impassível; olhou pra longe, depois pra perto, depois tornou o olhar até perto de mim, voltou pra lá... E nisso tinha uma grande injustiça, porque ela estava de óculos escuros, eu não via para onde ela estava olhando. Percebendo que ia ficar nisso até alguém tomar uma atitude, resolvi ir pra lá. Falar com ela, tal. Mas esperei um pouco. Não teria nada de mais natural ir lá, falar com ela, depois de muito tempo sem se ver. Continuei olhando. Não, tinha que elaborar uma tática. Continuava bonita. Não podia ir lá, sem mais nem menos; além do mais, ela já tinha me visto, e se eu não tivesse algum receio, teria falado com ela na primeira olhada. Continuei olhando. Estava magrinha, e agora já teria dezoito anos. Tinha que inventar alguma história. Fui participar da produção de um filme em Paris. Conheci uma atriz maravilhosa. Amamo-nos loucamente no set de filmagens. Não, algo mais real. Continuei olhando, ela estava olhando pro outro lado agora. Estava bem vestida. Viajei pra uma cidade do interior. Conheci uma menina linda. Ficamos um tempo lá. Aí eu fui embora e deixei com ela as melhores recordações de sua vida. Não, muito clichê. Continuei olhando. Ela estava ainda virada pro outro lado, falando. Talvez eu falasse que eu tinha sido raptado por uns terroristas indianos, e os tinha convencido a volt, peraí, falando? É, conversando... Com quem eu não conseguia ver. Levantei-me, dei uns passos pro lado e vi o seu interlocutor. Ou melhor, sua interlocutora. Foi aí que minhas esperanças de falar com ela foram para o limbo de vez.
Ela conversava com a criatura mais abominável, terrível, inimaginavelmente horrível e terrível da face da Terra: a sua mãe. Falando assim, não parece tão ruim. Minha ex-sogra. Pior do que uma sogra é a ex, que te trata do mesmo jeito, nem te conhece direito, não quer conhecer, faz sua propaganda negativa pra todas as velhinhas amigas dela, e logo, logo seu nome está na lama. E aquela maldita velha tinha contatos. Não só aquelas suas companheiras de cartadas à noite, mas aquelas que iam junto ao clube, aquelas que iam ao shopping, todas aquelas que faziam coisa de velha precoce. E como resultado disso, toda vez que, ainda namorando sua filha, eu ia lá, todas as velhinhas que varriam a rua ou ouviam rádio, ou os dois, me fuzilavam com seus olhares. Era um corredor polonês de velhinhas. E eu imaginava o que aquela velha filha da mãe não tinha falado pras outras. E por azar do destino, eu tinha no rosto algumas espinhas, o que deve ter sido assunto de intermináveis críticas a meus hábitos sexuais pouco higiênicos, baseados em anos de mito condenados pela igreja, açulados pelo diabo, que provavelmente gerou essa repulsa e ódio de todas por mim. E isso foi o menor dos males. Essa mulher vivia tentando envenenar a filha contra mim. Ficava buzinando na orelha dela que menino mais novo só dava problema. Não tem futuro. Até o dia em que ela disse pra filha que eu nem sabia me limpar que ela gritou de volta e disse que se ela abrisse a boca mais uma vez pra falar mal de mim, fugia de casa. Ela se indignou, parou, mas passou a agir às escondidas. Uma vez, a mãe assistia a um documentário sobre rapazes que eram ricos, bonitos e empresários bem sucedidos. E ficou falando, olha esses rapazes, é com eles que você tem que se casar, não com esse sem eira nem beira, que não tem capacidade nem para sustentar a si mesmo. A filha saiu da sala, e ficou o resto do dia sem falar com ela. E ela me contava isso rindo da mãe, dizendo que era ridículo essas idéias dela. E eu me achava cada vez mais feliz. Pensando agora, não sei por que a gente terminou. Mas não tem jeito de voltar. Não. Eu estava em outro momento da minha vida. E de qualquer jeito, a mãe dela estava lá. Nem dava pra voltar. Continuei olhando, o susto havia passado, mas agora olhava mais distante. Eu não ia voltar lá. Aquela velha provavelmente ia me bater, ou coisa pior. Depois do que pareceram anos olhando pra ela, resolvi sair. Não agüentava mais aquela situação daquele jeito. Dei aquele último olhar, bem cinematográfico, virei, e segui meu caminho. Minha sogra estragou minha vida. E olha que ela nem tinha sido minha sogra. Continuei andando, e até pensei em voltar, mas aquele mau agouro provavelmente estaria lá, conversando com a filha, isso se já não tivessem entrado no ônibus. Talvez quando passasse de ônibus, pusesse a cabeça pra fora da janela e gritasse meu nome. Senti um calor na nuca. Olhei pra trás, mas não deu pra ver se ela ainda estava lá. Lembrei-me que estava sol. Pensei em passar na casa dela. Talvez mais tarde.
E realmente, mais tarde eu fui pra lá. Enquanto ia, pensava se ela realmente tinha me visto, se não fora tudo fruto da minha imaginação, se ela ao menos se lembrava de mim. No caminho, uma velhinha me molhou sem querer com a mangueira. Três vezes. Teve uma outra que veio até mim, e me chutou na canela. Dei meia volta na hora, e saí dali. Apesar da canela doendo, um sorriso muito íntimo e sutil se formou nos meus lábios. Pelo visto, eu não tinha sido esquecido tão facilmente.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:16 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Agosto 28, 2006
E já aproveitando que a madrugada é longa, resolvi escrever mais um monte de porcaria sobre o assunto mais comentado aqui: eu.
Porra, às vezes eu canso de ficar martelando no mesmo assunto. Muito chato deve ser pras pessoas virem aqui e não encontrarem outra coisa. Mas que que eu vou fazer? Aqui é o único lugar que eu escrevo o que quero com a periodicidade que eu escolho. É lógico que eu vou preferir o assunto no qual sou autoridade. Pronto. Se me perco nos caminhos de mim mesmo, imagina escrever sobre política! Aqui nesse blog eu desenvolvo meu medo infantil de sair para o mundo, dar a cara a tapa, opinar sobre tudo sem uma idéia muito certa. Nunca gostei muito disso mesmo. Jornalista? Ah, estou longe disso... não sei se algum dia fico perto, mas sei lá, não sei nem o que como no almoço amanhã, sabe-se lá o que farei da vida. Chega de mim, né. Ótimo, votação unânime. Consenso. Urgh, que calafrio.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:42 Discorde!!: icarus


Eu tinha escrito mais uns negócios meio sem sentido... só que em inglês, sei lá porque, acho que porque sou exibido... então, pra ser mais exibido ainda, vou traduzir... meu, exibido demais... que fazer com isso? sério, qualquer alternativa menos a morte eu ouço...

(ehn... esse não era em inglês, hehe, esqueci)
e ao olhar para a mão dela
que surpresa desagradável
meu coração tropeçou
jazia na mão dela
lá, lá mesmo naquele dedo
um anel.
(nossa, que original, ganhou o prêmio do milênio (mas e daí, eu nunca tinha escrito um poema assim, dá licença?))

I think I¿m getting more and less independent
[Acho que estou ficando mais e menos independente]

She would be always there, superiorly laughing of my clumsy attempts of relationship
[Ela sempre estaria lá, rindo superiormente de minhas tentativas desajeitadas de relacionamento]

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:26 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Agosto 24, 2006
o espírito da criança é fraco?
bom, inocente, puro e fraco?
carente, imaculado, vivo e fraco?

e por que sempre a nossa vida é que é a mais dura? é egocentrismo?

era laranja.

loira e linda, sim, e ali, na minha frente, sorrindo pra mim

acho que só pensamos em momentos de crise. por isso os filmes franceses são chatos.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:38 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Agosto 20, 2006
Sentir-se um ET

Várias vezes nos sentimos deslocados. Completamente perdidos, desde o que estou fazendo aqui, do nossa, eu devia ter ficado em casa, passando por não devia ter me metido nesse negócio e até casos extremos como por que eu nasci. Por que às vezes a gente se sente deslocado? Bom, são aquelas horas em que nos abstraímos de alguma conversa, deixamos de prestar atenção no assunto e passamos a atentar à situação. São as horas de consciência da vida, em que paramos de viver um pouco e passamos a refletir sobre ela. É uma metalinguagem da vida enquanto a estamos vivendo. É sair do seu corpo e olhar a rodinha de conversa de um ponto acima, mas ainda continuar lá. E nessas horas a gente pensa que diabos estou a fazer aqui.

Esse estado quase sempre começa quando alguém começa a falar de algo totalmente estranho a nós. Eu fico um pouco assim com filmes, mas como já vi alguns na sessão da tarde, então não fico tão pra fora. Agora experimente falar de experiências sexuais ou algo como Teoria da Comunicação (tudo bem que um não tenha nada a ver com o outro). No primeiro eu fico hipócrita e não me agüento não falar, do que decorrem ligeiras mentiras (white lies), diversas estórias e intensas perguntas para não deixar o assunto morrer. Ora, ninguém gosta de se sentir um ET. Agora no segundo caso, aí não tem jeito. Fico perdido mesmo. Até pode-se tentar mudar o assunto, mas não é legal forçar a conversa pra algum lugar que você conheça só pra você não se sentir perdido. A impressão é a de montar no cavalo e virar o pescoço dele à força. Não é legal, conversa deveria ser fluida.

Decorre disso a inevitabilidade do eteísmo. Sempre vai haver momentos em que vamos nos sentir aliens. Momentos nos quais vamos nos questionar até as entranhas sobre a vida. Estamos condenados. Melhor em inglês, até, a palavra doomed, que dá uma idéia ainda de mau agouro. Mas esses momentos são até que legais. Pelo menos é uma das horas em que tomamos as rédeas da nossa própria vida. Tá bom, o tempo todo a gente está no controle, mas durante essa abstração, temos consciência. Tipo acordar da matrix.

Agora eu já viajei demais da conta. Mas deve ter surgido isso na minha cabeça porque eu me sinto ET em todos os lugares. Do mundo inteiro. Eu sempre vou me sentir ET. Não só pelos assuntos, mas pelas situações em si. Até, e inclusive, na ECA. Não significa que eu não gosto; de jeito nenhum. Mas é que eu sempre vou arranjar uma maneira de me sentir perdido. Esse sou eu, doomed ao eteísmo.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:02 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Agosto 19, 2006
Porra, ontem eu dormi no ônibus. Que merda, é uma merda dormir no ônibus. aliás, não; é uma merda dormir no ônibus e perder o ponto. Sem contar que tinha umas senhoiras gordas falando alto e enchendo o saco só pra aumentar minha alegria. Acho que dormir triste dá mais sono. Provavelmente a vontade inconsciente de continuar no mundo dos sonhos impede a gente de acordar. Dormir é tão bom! Não somente porque descansa, mas porque é uma fuga. A fuga do real e todas aquelas coisas do romantismo. E quando a gente chora dá sono. Será que é uma reação física ou psicológica? Já vi um programa que provava que era física. Mas também é muito lógico ser psicológica. Talvez seja os dois. Eu acordei lá na puta que o pariu do Tucuruvi. Voltei de metrô, encarando a parede com a cara mais bundão/não-venha-me-encarar/tô-de-TPM/vai-cuidar-da-sua-vida do mundo. Dormir triste é uma merda. Parece que a gente acorda com um gosto amargo na boca. O gosto da realidade.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 12:02 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Um cachorro

Ontem eu tava andando de carro (passageiro, lógico) e vi uma cena que me chocou tanto a alma que eu fiquei mais mudo do que estava já sem falar. Quando há um choque, não se precisa de um minuto de silêncio. Ele é natural, fluido. E o meu minuto de silêncio foi porque o cachorro tinha três patas. Meu Deus, ele não tinha uma pata da frente. Isso foi impactante. Foi um baque, um tapa na cara. E o que chocou mais ainda foi que ele não estava largado ou jogado por aí; ele estava andando. Aliás, mancando. Mas estava numa atividade praticamente cotidiana, pegando alguma coisa no lixo. E se virava tanto quanto os outros cachorros, e não deve ter nunca parado um segundo sequer pra pensar como sua vida era difícil. Porra, quem tem vida difícil só percebe quando compara com as outras. Quem tem vida difícil pode ser consciente disso ou não; o cachorro que tinha três pernas obviamente não era. E isso o fazia ser tão normal em espírito quanto qualquer outro cachorro sem nenhuma deficiência. Então ao aceitar simplesmente a sua deficiência, ele tem uma vida tão normal ou mais que os outros. Não é revoltado com o mundo e simplesmente o vive. Que cachorro inteligente.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:20 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Agosto 13, 2006
O direito ao grito

Venho por meio desta defender o direito ao grito. Mais ainda, o dever ao grito. Todos devem gritar. Porque o grito é a expressão máxima da expressão. Da vida. Gritar é mostrar-se vivo. É não se conformar. Gritar é revoltar-se. Protesto contra o medíocre, o mediano. O grito é a bandeira levantada contra o cotidiano. Contra a rotina. E contra uma vida vazia todos devemos lutar. Nada de rotina; ou melhor, nada de rotina dentro da rotina, porque às vezes a rotina é inevitável. A cegueira é não ver que ela existe; mas a cegueira maior é arrotinar-se dentro da própria rotina. Porque arrotinar o pensamento é que é a doença do indivíduo. E pode-se muito bem não cair na rotina. Como começar? Dê um grito.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:46 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Agosto 09, 2006
Meu deus, como o tempo passa! Nem percebi que o último post que eu escrevi foi há mais de uma semana... bom, vai um aí:

A dialética do álcool

O álcool é estranho. é algo nunca visto antes. é único. É mais velho que andar pra frente, mas ainda assim, seu efeito me é estarrecedor. Álcool nos faz coisas, nos leva a fazer coisas... Coisas a que já temos pré-disposição, com certeza; não cria nada. Mas o álcool então é libertador. Será? Ora, perde-se qualquer inibição, vergonha. Preceitos morais? Não... isso é moralismo. Eu nunca deixaria de lado minha moral sob efeito de álcool. Agora qualquer imperativo de superego ou lei social que não nos apetece são sumariamente destruídos pela vontade absurda que nos dá de fazer tudo. Porque o álcool nos faz sentir e fazer a nossa vontade. E é impressionante como temos vontade de beijar as pessoas. O álcool libera o amor? Carinho? Promiscuidade? é que já havia vontade de beijar as pessoas, e o álcool então propõe um delicado e contundente ¿por que não?¿ que destrói argumentação de qualquer advogado, sofista ou socrático. Derrotado, o anjinho recolhe-se a seu canto, pianinho, e deixa o caminho livre para a abolição das regras. E isso nos faz fazer tudo aquilo que as regras impediam. Então o álcool é bom? Libertário? Estimula o amor, a união? Eu diria que não. Apenas nos libera as vontades, as ocultas e as não ocultas. E é impressionante como temos vontade de beijar as pessoas.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Julho 31, 2006
Esse post é uma cópia de um comentário que eu mesmo fiz no meu próprio post do dia 05/02/06 às 04:54 da manhã, e é pra pessoas como a Elea verem a que nível já chegou o doentio blogueiro, e se ela achava que estava triste escrevendo, pior estava alguém que escrevia comentários a si mesmo, com final em tom de feel good movie. Tudo em menos de 1000 caracteres, que é o limite do comentário. Regozijem-se (sempre quis falar isso).

-mas por que tá comentando o próprio post?
-apoio moral.
-isso é doentio.
-mas ainda consigo me surpreender quando entro desavisado no meu próprio blog; é preciso chegar a um limite quando a própria pessoa quer ignorar a realidade para ser feliz.
-que realidade?
-que não entra quase ninguém aqui.
-e você fica triste por isso?
-...
-pensei que você fosse mais confiante, como diz nos seus textos...
-pensei que meus textos contrariassem meus atos.
-talvez não, talvez eles apenas se complementem.
-então o que eu deixo de fazer na vida eu desabafo aqui?
-é o que parece.
-e provavelmente o meu eu aqui tem menos força porque tem menos atenção e cada vez mais eu irei enterrá-lo funda de mim e deixar o eu de fora mais vazio?
-talvez, a não ser que você pare.
-de escrever?
-não, de se dividir.
-é difícil.
-é, eu sei.
-não tem outra saída?
-bom... tenta juntar tudo em você.
-eu tento sempre, mas obrigado anyway, acho que só preciso me esforçar mais.
-esse é o ricardo que eu conheço! vai lá!
-thank

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:35 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Julho 30, 2006
Três vivas para o começo das aullas!!! Roooonc... Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z Z
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:53 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Julho 29, 2006
Estou com uma vontade...sabe aquela vontade de se enfiar num canto sujo e muito deserto da cidade, sem ninguém além dos mendigos tentando se aquecer de alguma maneira numa tarde fria e cinzenta?
Eu teria um trailer com as paredes cobertas de fotos, pintado com cores psicodélicas e todo grafitado; estaria revelando fotos quando alguém arrebatador me tiraria de lá, fisicamente e também me tiraria do torpor mental em que eu me encontrava.
Teria eu enfim um lugar quente e aconchegante onde pudesse finalmente descansar a cabeça e relaxar.
Mas eu não tenho. Não dá mais pra fechar os olhos ao mundo e deixar o mundo para trás. Estou enfiado demais na situação em que estou. Não há tempo para escapismos agora. Só num domingo à noite, sozinho, na frente de um papel.
É finalmente hora de entrar de cabeça no mundo acadêmico e deixar tudo o mais para trás temporariamente. Eu nunca me dei tão bem co a família em geral mesmo. Nunca tive mais desdém por religião. Não estou comprometido amorosamente. E os amigos sempre estarão lá.
Este texto foi uma descoberta posterior minha de um escrito do primeiro semestre, provavelmente do fim de abril ou maio. Eu pensei que não tinha escrito textos no semestre. E em honra à minha memória, eu transcrevi exatamente o que escrevi antes, apesar de já não concordar com algumas coisas, ou ficar com vergonha de dizê-las.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:55 Discorde!!: icarus


Os homens das minhas amigas

Uma das coisas mais intrigantes da minha vida são os homens das minhas amigas. Não os conheço, não faço a mínima idéia de quem são, mas eu conheço minhas amigas. E elas adoram seus homens.
Como?, penso eu com meu orgulho. Como pode ela gostar mais de alguém do que de mim? Ora, não há como. Isso é só porque ela o conheceu antes, em diferentes circunstâncias, algo assim, só pode ser isso. Mas ainda... tem alguém especial que a faz sentir-se de um modo que eu, com a minha amizade, nunca conseguirei fazer.
Quem seria esse que passou pelo seu crivo, que teve sucesso nessa criteriosa seleção para ser o único homem a fazê-la especialmente feliz? Eu não conheço esse outro, mas desde já merece meu respeito. Uma tirada de chapéu, sabe. Esse cara deve ter algo especial.
Mas uma tirada de chapéu com um olho aberto e meio desconfiado, que ai de você se fizer alguma coisa com ela. Às vezes eu lembro que sou possessivo, de um modo não tão ruim. Mas aí eu lembro que a minha amiga é esperta, e o olho desconfiado confia mais um pouco no estranho, mas só porque sabe que ela sabe escolher bem.
Ele não é meu amigo. Só confio nele por causa da minha amiga. E nem confio tanto. Ora, tenho meu orgulho. Talvez, algum dia, possa confiar nele. Mas enquanto isso, ha, te vira pra eu ir com a tua cara. Hum, esses caras vêm assim se engraçando pro lado de amiga minha e não quer dureza nenhuma, né. (detalhe que a maioria das minhas amigas com namorados eu conheci quando já namoravam).
Às vezes, nem cuido tanto da minha vida. Mas na das minhas amigas, eu ponho um olho. Quero o bem delas. E que esse cara, já que foi escolhido, que me prove que a merece. Como se fosse um irmão mais velho. Porque essa cara tem uma responsabilidade e tanto, fazer minha amiga feliz. Uma responsabilidade dessa não pode ficar a cargo de um idiota qualquer. E tem que ter um fiscalzinho aqui, a mais, como uma criança quando finge que controla alguma coisa.
Isso é legal. Para todos, vai. Até pra mim. Faço a minha amiga feliz, sabendo que tem alguém bem longe que a faz mais feliz ainda. De um jeito diferente. Mas ai dele se deixar ela triste. Pode crer. Todas minhas amigas têm um irmão mais velho a mais.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:44 Discorde!!: icarus


Isso tudo porque eu sou um amante amador, não sei amar direito, amo como uma criança ama, sem reservas, sem defesas, e vou andando cambaleante, com passos incertos, de braços abertos em direção à minha amada, com um sorriso verdadeiro no rosto, puro na alma e de coração aberto, vulnerável como são as crianças, como são os bebês, indefesos, avançando cegamente por um caminho que francamente não me interessa desde que chegasse ao final, eu disse desde que chegasse, mas eu não chegava, não cheguei e não sei se chegarei desse modo... mas medir o caminho é talvez tirar a espontaneidade do amor, e eu quero amar intensamente, não quero parar pra ver o mapa, eu quero seguir a estrela, pular abismos, nadar rios, atravessar desertos para conseguir a minha felicidade, no amor eu quero ser selvagem, destrutivo até, intenso de uma maneira que nunca fui conscientemente, viver um amor tão intenso que chega a doer, pungente, aquele amor arrebatador, lancinante, penetrante, em que um beijo é mais erótico que todos os sexos do mundo, e um olhar desperta em sua alma o que milhões de anos não despertaram, e tudo se converge para uma coisa, uma figura, uma voz, um toque, o mundo se transforma, fica mais lento, mais alegre, nada é real, nada é profundo... o amor muda o mundo, muda o seu mundo, transforma... que foda. Isso tudo começou porque sou um amante amador... será mesmo?
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:54 Discorde!!: icarus


Tava lendo 1984, e pensando num MSN com câmera, e pensando no amor infantil... Ainda bem que eu não tenho MSN com câmera! Como que eu ia disfarçar aquele sorrisinho ao levar aquela indireta? É impossível! Todo mundo dá aquela risadinha que não cabe no rosto, que é simplesmente incontrolável! Aquela expressão que delata, aquele olhar que precede um beijo, aquela fraqueza, moleza que não dá pra evitar... a languidez nos olhos fraquejando... Ah, eu to carente demais!
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:50 Discorde!!: (°|°) icarus

Sexta-feira, Julho 28, 2006
Se meus dedos acompanhassem o ritmo de meu pensamento, eu escreveria horrores nesse blog... o pensamento não pode ser parado, mas eu vou tentar retardá-lo, fazer uma experiência nova, só pra ver o que que sai disso...
Bom, pra começar, eu sempre penso que to fazendo uma coisa retardada, penso no blog dos outros, sério, compromissado, pelo menos com alguma coisa pra falar, a comparação sempre foi inevitável pra mim, não sei como tem alguém que não faça comparação, tem que comparar tudo, não que eu seja aquele homem que é preocupado com o tamanho do pênis, porque eu não, mas eu sou preocupado com o tamanho da inteligência, isso sou sim, ainda bem que inteligência não se pode medir, senão eu ia ser louco pra fazer isso, já pensou, e provavelmente descobriria que não era o mais inteligente do mundo (oh, que trauma), eu já deveria saber disso, mas a confirmação é que esmaga o coração, aquilo que a gente não quer ouvir, mas a curiosidade faz o fato ser pressionado contra o nosso rosto como quando viajamos pela estrada e pomos a cabeça pra fora, aquele vento tão forte que leva seu pescoço pra trás, eu já fiz isso, vocês não? Eu já fiz isso, me sinto idiota, mas era pequeno, então tá desculpado, fiz isso com a boca aberta, com a língua pra fora até ela secar, sei que é estúpido, mas é muito engraçado, e já fiz, que bom que já fiz porque agora quem quiser fazer vai ter que enfrentar o tal ¿preconceito da idade¿, em que muitas pessoas acham que já somos grandinhos pra certas atividades, eu lhe falo, pau no cu dessas pessoas, não tem nada a ver, dexa eu ser feliz, mas o fato de lembrar delas só me mostra que eu me importo com elas, sim, me importo, muitas delas são minhas amigas e mais que tudo, familiares, pena, eu tenho tios e primos e talvez avós e talvez mais ainda pais homofóbicos... não sei, não sei o que é isso, se a eca me influenciou e agora acho que todo mundo é homofóbico, mas tem a diferença entre a piadinha que até eu ainda faço, sem nenhuma maldade, mas o fato de falar, meu não, se meu filho for viado eu morro, tudo bem que deve ter sido só um comentário machistazinho de churrasco, aquele em que os homens se reúnem para falar coisas de homem, hehehe, como somos legais, eu entendo de churrasco, coço o saco, eu não gosto disso, mas mais de noventa por cento da minha família é assim, que faço? Me desvinculo deles?, claro que não, gosto muito deles pra fazer isso... então o que? Aceito, fazer o que, mas tento mudá-los? não em grupo, só tento mudá-los sozinhos, ou nem tento, só o meu jeito já basta...porque o modo como vivemos já influencia as pessoas ao nosso redor... e agora, ainda estou ridículo? Será que eu paro? Acho que é melhor parar, as pessoas já estão parando de ler mesmo tchau depois eu continuo hein tchau, mesmo, agora é tchau
PS.: o texto só teve corrigidos erros de ortografia, para não prejudicar o sentido

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:44 Discorde!!: icarus


Nossa, fui dar uma espiada no blog da Amanda e da Elea e descobri que meu, só eu não atualizo essa birosca! E olha que eu fiquei nas férias boiando mó tempão, e não escrevi nada de útil!! Depois eu escrevo algo, de boa, que eu to precisando, talvez eu só tenha esquecido que esse blog existia... tantas coisas enchendo minha cabeça (nenhuma delas muuito sentimental, não vá esperando longos textos) que esqueci que tinha minha vida aqui... orra, meu, será que veio na minha cabeça idéia de que blog era do meu eu passado? Ou que não é mais coisa de adulto? É o caralho, todo mundo deveria se confessar um pouco, é bom, externar essas coisas é melhor que remoê-las e deixar só o seu travesseiro saber disso... porque eu tenho um travesseiro insubstituível! Uma delícia! Ta, no ponto em que eu cheguei a falar do travesseiro é porque eu não tenho mais nada pra falar... nesse post. Prometo que posto umas três ou quatro coisas como eu já fiz um dia. Abraços (e eu continuo com a mania de mandar abraços a pessoas que não esxistem... alas, um pouquinho) Tudo bem, admito que o blog está mais movimentado, hehehe
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:27 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Junho 21, 2006
Como é engraçada a vida. Em um minuto, a gente tá mó feliz, achando que tudo vai dar certo, em um estado de espírito invejável. Depois, por algum acontecimento qualquer, tudo dá uma reviravolta, seu chão cai, você cai, se estressa, se deprime, chora, sofre. Merda. Merda de namorado. Nunca odiei tanto assim um namorado. Um filho da puta, desgraçado que apareceu antes que eu. Não quero saber de história nenhuma, quero odiar em paz um maldito desgraçado. Bastardo, corno maldito. Corno não. Corno quem dera. Mas aí eu não a teria só pra mim. Ahhhhhh, que saco, que dor, minhas mãos estão rígidas, meu coração também! Minhas mãos estão brancas de frio, geladas, gelado está também meu interior, eu não agüento de frio aqui dentro, estou precisando tanto de um alento, de alguém, eu nunca espirrei tanto, eu nunca chorei na frente do computador, eu nunca precisei tanto de um poema, eu nunca quis tanto saber todas as palavras do mundo para expressar toda minha decepção, ahhh, namorados! Como eu queria ser um deles! Despreocupados, com mulheres lindas que amam, ahhh, que desespero! Não, não é só mais uma mulher, era uma mulher que tinha um olhar capaz de deixar qualquer carrasco amolecido, de amolecer coração de pedra, de fazer qualquer ninfa dos clássicos verde de inveja, simplesmente existindo. Eu só me lembro do olhar dela, firme, mas esguio, e antes de desviar o rosto, um sorriso, impagável, inesquecível, indescritível, era como se o mundo se iluminasse cada vez que aqueles lábios se contraíam e enfim havia um sentido na vida. Era me desmanchar e deitar a cabeça naquele colo que pedia amor, era olhar para cima e só ver uma beleza radiante, com aquele sorriso supremo, que seria de todos mas mais meu que de todos, porque eu a faria feliz, eu a quero fazer feliz. Agora eu choro e a faço feliz, porque comigo ela não será. Isso eu não saberei, mas agora, comigo ela não será. Quem sou eu que mereço mais do que um simples sonho com ela? Quem sou eu para querer um meio sorriso daquela criatura divina? Quero cair no chão e me afundar num sem fim de terra, para nunca mais sair, quero ter tal exaustão que quando morra não pense mais nela, quero cair de borco no chão e sumir, sair dessa existência miserável que me nega tanto o que eu preciso, que me faz desejar um sorriso mais que a própria vida, quando esse mesmo sorriso vale menos que... tudo.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:07 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Junho 04, 2006
Cara, eu não escrevi nada no dia do meu aniversário. Que merda. Que estranho. O blog é meu, era o dia mais importante do mundo pra mim e eu não tive tempo pra ele. Eu virei a noite fazendo trabalho de direito. Só eu idiota virei a noite. Talvez isso me motive a ser mais organizado, mas esse não é o ponto. O que pega é que eu, egoísta por natureza, não fui egoísta no dia mais egoísta do ano. Talvez porque estava pensando num grupo de escola. O que significa isso? Acho que eu continuo egoísta. Sim,, acho que isso não tem muito jeito. Mas eu não sou muito egoísta nas horas mais necessárias. Sei lá. Conheço gente muito mais egoísta que eu. Às vezes até acho que cedo demais. Mas isso não importa. O que importa é que o dia sagrado do meu aniversário foi violado. E eu não meu incomodei tanto com isso. Sei lá por quê. E eu não sei usar porquês. Há, não parece a língua do porco? Tá, esquece. Outro dia escrevo alguma coisa profunda. Até lá, vão dormir.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:11 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Maio 03, 2006
O último post foi uma merda então eu apaguei e pus este em cima. Não fiquem tristes, esse aqui tá muito mais construtivo.

Eu tava passando pela rua, uma daquelas que cruza a Voluntários, que é cheia daqueles malditos funcionários que ficam na rua oferecendo empréstimo. Eu simplesmente odeio aquilo. Muita raiva. Mas geralmente eles não me abordam. Eu sempre tento olhar pra baixo, mas sei que ninguém está imune. Bom, hoje um cara me abordou. Tentei escapar, lógico, mas não dá pra fazer isso todas as vezes. Aí começou a perguntar, coisa e tal, leu minha camiseta (do ETAPA) e perguntou se eu fazia cursinho, aí eu falei que não, tinha passado na USP, aí ele se espantou. Se espantou e eu, que a princípio tinha ficado sem-graça de dizer onde eu estudava, fiquei sem ter onde enfiar a cara. Maldita desigualdade social. O cara devia ser tipo dois ou três anos mais velho que eu e estava lá trabalhando, enquanto eu tinha todas as possibilidades que um bom filhinho de papai pode ter. Ele era super legal, me deu os parabéns, no entanto deu pra notar uma grande quebra inesperada em nossa conversa. Eu não sei se foi por espanto ou porque finalmente ele tinha retomado o rumo da profissão, me perguntou se eu tinha fonte de renda, então eu disse que não, que não trabalhava. A partir daí ele desencanou, já não ficou tão espantado quando eu disse isso, deve ter pensado que eu era apenas mais um boy idiota por aí, disse tudo bem, beleza, a gente se cumprimentou e ele saiu. Depois de cinco segundos, eu ouvi a voz dele novamente abordando outro passante por ali.
Que situação de merda. Será que eu devia ter me sentido envergonhado por isso? Sim, é um mínimo. Na faculdade a gente se isola tanto do mundo que esquece que as outras pessoas existem. Não há só estudantes com uma fonte de renda obscura no mundo. Mas eu tendo a me esquecer disso se fico muito na USP. Perco os parâmetros do real. É isso que leva às vezes a gente a não se esforçar tanto. Cara, a USP é pública. Todo o investimento que eu estou recebendo (digamos assim) deve ser repassado ao público, que é quem me banca. Além do mais, como profissional do jornalismo, eu deveria servir ao público, à democracia e à liberdade de informação. Mas que merda de profissional eu serei se eu entro em contato com o público de verdade uma vez por mês? Se eu me esqueço de que existe mais do que ir bem numa prova ridícula de faculdade? Enquanto isso, tem gente realmente morrendo e eu poderia fazer algo quanto a essa situação. Posso sim. Posso me gabar que estou tendo uma formação teórica incrível. Mas não tenho um pingo de moral se eu não me esforço nessa faculdade ou se eu esqueço que o meu serviço é público.
Quanto eu não quero lutar para evitar situações como aquela. Pô, eu nasci com grana, tô fazendo faculdade e não tenho mais nenhuma preocupação na vida. Pô, eu nasci sem grana, e não tenho mais nenhuma opção na vida que não trabalhar. Até quando vai existir isso? Mas de que vale ficar perguntando isso? Se eu não fizer nada, essa situação vai se perpetuar. Essa e muitas outras piores. Então de que vale ser uma merda de jornalista que não tem contato com seu público? Que não se auto-examina regularmente? Vai acabar virando um bosta. Para evitar coisas assim, eu indico a profilaxia: doses regulares e freqüentes de público. Público jovem e necessitado, principalmente. Isso às vezes desperta uma consciência adormecida. Sedada. Às vezes.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:25 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Abril 08, 2006
Sentimento sublime
Ao sair da casa de Rosa, eu me encontrava em outro plano de existência. Não superior, que essas coisas de fora não me representam direito. Eu estava numa espécie de euforia interior; no fundo de minha alma entoava-se um canto maravilhoso, primeiro glorioso, depois apaixonante. Eu estava abstrato. Andava pela rua como se não estivesse lá, como se meu espírito tivesse sido engolido para o fundo do mar, e depois de quase sufocado, foi arremessado para a orla da praia como um corpo quase sem vida, mas com um sorriso triunfante e exausto nos lábios e a pérola mais linda do oceano apertada firmemente na palma da mão. Eu ganhara o mundo. A última conversa com ela me deixara atordoado, quase entorpecido. Parara minha respiração. Seu último abraço me fora abrigo, seu último olhar, amuleto. Digno das novelas de cavalaria. Um amuleto que me acompanharia pelas próximas vidas até que a alma se recusasse a descer à terra novamente. Um amuleto que selava um amor platônico, presente, inconcebível. Um amuleto que selava a mais profunda admiração que se pode ter por uma pessoa. Estampava no peito e no rosto toda a proteção quase divina que eu recebera. Ela me notara. Não só isso: eu mudara algo nela. Eu havia subido todos os andares do inferno para deixar uma suave marca nesse anjo. Por isso eu não era o dono do mundo, mas o maior dono de mim mesmo, da verdade e do sentimento mais nobre que já me permiti sentir.

PS.: linha 4, tragado ao invés de engolido.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:12 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Abril 03, 2006
Eu sou um inútil. Este blog não está morto. Quem está morto é você. Entregou os pontos. Caiu. Bunda-mole. Folgazão. Largado. Entrou numa briga com Morfeu e perdeu. Semi-vivo, semi-morto, sedentário, morto-vivo, molenga, palerma, bocó de mola. Abeçudo. Lesmão. Há quanto tempo eu não escrevo alguma coisa útil? seis meses? que tédio mórbido. Tchau. Prometo que ainda escrevo alguma coisa boa.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:20 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Março 26, 2006
este blog está morto.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:11 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Março 15, 2006
Eu quero viver, quero conciliar toscamente a diversão e o aprendizado, a diversão despreocupada e o aprendizado divertido, quero fazer tudo o que posso, quero me sentir bem, quero aprender tudo o que posso e o que não posso, quero entender, entender o mundo, entender as pessoas, entender porque as coisas acontecem desse jeito, porque há o poder, a dominância, como essas relações entre seres evoluíram no ponto em que estão agora, por que eu evoluo e qual é o segredo da evolução, como eu multiplico o tempo, como eu faço pra ler um texto de duzentas páginas e fico alegre ainda, eu não acredito que estou alegre por estar cheio de coisa, as pessoas ficam alegres quando sofrem para poderem mostrar aos outros o quanto sofreram, e se gabam do sofrimento e o quanto agüentaram, eu preciso estudar psicologia, ciências sociais e história, filosofia e tudo o mais concernente ao ser humano, estou apaixonado pelo humano, pelo conhecimento, que absurdo, eu sempre fui apaixonado pelo conhecimento, só não ficava feliz por não o ter, agora que tenho a oportunidade de ampliar infinitamente os horizontes não perderei a chance, quem está me lendo saiba o que é estar numa universidade como a usp, é ter o infinito diante de si, possibilidades mil que são atrativas através de seus diversos atributos, e o mundo todo, é tudo o que alguém pode imaginar, é coisa demais, é demais de bom, e eu sei que não vou fazer tudo mas a possibilidade de selecionar já é impagável, aliás, é impagável a usp, não tem boleto mesmo, a eca é na faixa!
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:47 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Março 08, 2006
-Caramba, mulher! É a terceira vez que eu chego em casa e não tem nenhuma comida pronta!
-Ah é? Então faça você mesmo! É isso que eu ganho! Pois saiba que eu lavo roupa, passo, varro, cozinho, levo e busco as crianças na escola, e ainda faço um serviço de meio período pra ajudar nas contas da casa! Eu não tenho tempo nem pra limpar a bunda!
-Ah, bom, isso era outro assunto que eu queria conversar com você.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:31 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006
ECA.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006
Acho que aquela charge de Maomé foi tão mal recebida porque depois de uma vida inteira de fanatismo e insistência religiosa, alguém zoar com aquele a quem milhões de todo o seu povo oram todo dia é foda. Eu acho que nenhum ocidental consegue entender o que deve ser o ato do sacrifício, a jihad, a guerra santa, entregar a vida por uma causa. Na minha opinião é uma causa meio egoísta, virgens só pra você, mas não cabe a mim nem um segundo dessa conversa. Eles têm a religião deles e, embora esse fanatismo potencialmente violento seja pesaroso, não se pode fazer nada, eles têm a própria vontade. E não obstante (eu queria usar isso, hahaha) termos nós ocidentais (digo no sentido de não-islâmicos) o direito de nos expressar da maneira que quisermos, acho que devemos tentar entender que humor com Maomé deve ser o humor mais negro e impiedoso que se pode fazer. Portanto, é melhor não mexer com religião porque pode feder. A minha mãe disse, depois que eu falei com ela de um protesto contra uma pintura de Maria feita com estrume de elefante e de um escritor condenado por satirizar Jesus, que esses caras iam pro inferno. Achei imediatamente um extremismo dela, mas depois ela falou algo com que eu concordei: pra que zoar com isso? (obviamente, minha mãe não utilizou o termo ¿zoar¿; se ela dissesse, eu poderia desconfiar que na verdade ela foi seqüestrada e substituída por um ciborgue com algum plano maligno) Voltando, é mesmo, zoar com isso talvez tenha sido um erro porque você zoa com uma cultura milenar, e os caras não estão de brincadeira, não gostam e quebram o pau. Trata-se talvez não da questão da liberdade de imprensa (Os franceses puseram na primeira página do jornal a mensagem 'Sim, temos o direito de caricaturar Deus'), mas da questão do respeito às outras culturas, com o bom senso de não mexer com o seu objeto de adoração, o profeta, o grande Mohamed. Tudo que eu falei está na Veja, sim, tentarei ler revistas e jornais, sim, preciso evoluir e sim, estou tentando (e brevemente conseguindo) ler mais. Bom, eu não vou deixar em tom de desabafo um dos únicos posts inteligentes daqui. Bom dia a todos os passantes. Aliás, navegantes, né.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:56 Discorde!!: icarus


Estava eu a passear tranqüilamente pela net (coisa que eu nunca faço, normalmente digito o primeiro nome de site de jogos que me dá na telha) e fui ler a folha on-line (o que eu também não faço mas fiquei feliz em fazer), e subitamente meus olhos se depararam com esta notícia:

17/01/2006 - 10h01
Setor privado enfoca o mercado
CONSTANÇA TATSCH
da Folha de S.Paulo

Estudar em uma universidade particular, para grande parte dos estudantes, representa uma segunda opção. Apesar disso, muitas instituições privadas atendem bem às demandas dos alunos, especialmente no que se refere à entrada no mercado profissional.
"Do ponto de vista da formação, se a perspectiva é entrar no mercado de trabalho, o aluno é mais bem-sucedido no setor privado", afirma a pesquisadora do Nupes (Núcleo de Pesquisa sobre o Ensino Superior) da USP Elizabeth Balbachevsky.
Fernanda Barbizan prefere uma universidade particular
De acordo com ela, cursos novos como moda, design e hotelaria, e outros mais tradicionais na área de administração e comunicação, por exemplo, são muito bons nas privadas.
"A pública não consegue cobrir essa demanda e quando faz fica ruim. Isso é um ensino necessário e importante e a pública trabalha com uma lógica exclusivamente acadêmica", diz. Isso porque os professores não vão ser avaliados "pela competência, pela experiência, pelo conhecimento do mercado, mas sim se têm doutorado, se publicam no exterior etc.".
Para a melhoria da qualidade no setor houve um aumento na circulação de pessoal entre as instituições públicas e as privadas. "Antes, o professor do setor privado era de colegial, completamente alheio à vida acadêmica", diz Elizabeth.
Uma vantagem dos alunos das particulares é que eles estão praticamente livres das greves. De acordo com o presidente do Semesp (sindicato dos estabelecimentos de ensino superior do Estado de São Paulo), Hermes Ferreira Figueiredo, o setor privado está há 17 anos sem greve de professores ou funcionários.
"A primeira vantagem de quem escolhe uma faculdade privada de bom nível é o respeito aos direitos dos alunos. Ele contrata um serviço e nós prestamos esse serviço. Isso [a greve] é um prejuízo enorme de tempo e de eficácia para os alunos", diz Figueiredo.
Essa lógica de mercado acaba sendo um ponto positivo. "A universidade pública, de maneira geral, não é atenta às necessidades do aluno, tem uma lógica de funcionamento burocrática", afirma Elizabeth.
A professora cita como exemplo o curso de ciências sociais, na USP, no qual os estudantes, com o passar do tempo, migram para o período noturno, mas os serviços de atendimento ao aluno fecham à noite. "Isso jamais aconteceria no setor privado porque os alunos botariam a boca no trombone."
"Nas principais particulares, há renovação de equipamento, acervo, infra-estrutura. Recebem investimento com mais facilidade e rapidez, de acordo com a demanda", completa Figueiredo.
Apesar de tudo, para muitos, a escolha da faculdade ultrapassa essas questões e pode ter um aspecto mais subjetivo. Fernanda Guerreiro Barbizan, 18, presta direito e não quer a São Francisco porque diz que não gosta do jeito do curso, das pessoas e do ambiente.
"A USP, todo mundo sabe, tem cursos ótimos e outros que não são tudo isso. Não estou dizendo que não é bom, mas não me encaixo no perfil." Para Fernanda, há muito glamour em torno da universidade. "Acho a USP meio presa às regras, até porque tem toda aquela pompa. As particulares te deixam mais solto. Acho o ensino melhor até. É um dinheiro bem investido", opina.
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Isso quer dizer que a USP fudeu? Fodemo-nos, qualquer um que entrar na USP teve muito do seu esforço simplesmente negligenciado pelo mercado de trabalho? Não pude deixar de pensar, quando falaram em ¿lógica de mercado¿ uma coisa meio socialista da USP e capitalista das particulares. Bom, o socialismo caiu. Ah, sei lá, tomara só que o mercado de trabalho não esteja selvagem do jeito que a tiazinha falou, e que o bom e velho nome da USP ainda conte, até porque eu teria orgulho de levá-lo à frente do peito.
Pra quem quiser ver o original, acho que o link se mantém no ar por algum tempo...
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u18273.shtml
Só isso, foi interessante abrir um post só pra comentar uma notícia, mas de repente pode dar um novo rosto ao blog... ah, é estranho pensar que este blog surgiu em 2003... estou tão comovido...

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 11:33 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Fevereiro 05, 2006
São quatro e meia da manhã e prossigo nas minhas férias inúteis, useless, porque em inglês tem mais ênfase, realmente improdutivas e culturalmente estéreis. Fiquei jogando um trocinho idiota demais desde meia-noite e o resultado é ficar com a consciência pesada. Já desisti de tentar não me desabafar aqui porque é impossível, eu falo da minha vida, e o que é a vida senão um grande desabafo, eu não estou com espírito, humor, auto-estima nem capacidade para escrever qualquer outra coisa, aliás, meu cérebro já deve ter se atrofiado (que expressão manjada) tá, eu estou podre, aposto que um monte de gente está, as aulas das pessoas normais já começaram há uma semana e eu ainda estou esperando ansiosamente o resultado da minha vida sair na quarta-feira, pra vagabundear ainda fevereiro inteiro. Não sei qual será o rumo da minha vida, já diz o meu e-mail, nem sei se tenho, mas o que eu sei é que eu tenho de aprender a me organizar sem o bafo de qualquer autoridade na minha nuca, ou seja, deixar de ser um vadio folgado e começar a aprender por vontade própria. Apesar de eu ter lido umas coisinhas interessantes hoje enquanto estava no computador, fiquei maciçamente mais tempo jogando minha vida fora naquele jogo idiota. Preciso de mais força de vontade. Senão, como que eu vou parar de fumar depois que eu começar? Ah, também peguei alguns livros na Internet... Se houver alguém aí, há um site legal para baixar alguns textos gratuitamente, www.uol.com.br/cultvox mas novamente eu estou pensando, para quem eu estou escrevendo, se eu deixei o site é para alguém, mas qual é o lucro de se desabafar onde o mundo todo em potencial pode me ler? Ah, dane-se, eu sou só tripas e espírito, pra que que alguém quer ler isso se não gosta de mim? Whatever, pretendo estudar mais inglês, e tirar uma boa parte do tempo para terminar, ou melhor, engatar no livro do Saramago, não, não é o novo não, é o de noventa e oito, o ensaio sobre a cegueira, parece legal, mas eu estou no começo e ainda não me acostumei com a escrita (o texto está em português português, o autor pediu) e é horrível não conseguir entender cem por cento do que o autor quer dizer, quer dizer, é uma angústia para mim ler em inglês e (pasmem) espanhol... qual é a graça? surpresa? novidade? nada, tentarei aprender espanhol autodidaticamente, e nada melhor que ler algum livro em espanhol... bom, não que seja fácil achar por aí... bom, comecei a viajar demais, boa vida para quem sair daqui e quiser vivê-la, eu vou tentar viver a minha.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 04:41 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Fevereiro 04, 2006
Chega! Não agüento mais esse marasmo, essa letargia!! Como eu nao agüento fazer mais nada? eu estou mole, lento, devagar, estou semi-vivo, semi-morto, não estou fazendo nada de útil, nada mesmo, mal consigo ler, e se leio não fico cinco minutos sentado, não tenho espaço livre em casa... que saco, por que tudo que eu escrevo acaba saindo um desabafo? viu? estou me desabafando de novo! SACO!
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:09 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Janeiro 28, 2006
Hoje é dia vinte e oito e faltam, cho vê, até dia oito... que preguiça... até quarta que vem dão... um, dois, três, quatro, mais sete, onze dias para sair o resultado da maldita fuvest que tem o meu destino nas mãos... bem, não que a fuvest tenha, mas todos os candidatos sempre têm que abrir as pernas para esse maldito concurso público que provavelmente é o único que ocorre neste país. Bom, eu abri as pernas, e abri com gosto para aqueles malditos corretores filhos da mãe, que para mim ficam todo empolados com ar superior corrigindo as provas como uma tarefa maçante que deve ser, e despejei naqueles minúsculos pedaços de papel tudo o que se peneirou na minha cabeça em três anos no melhor colégio que eu já cursei. É, a gente fala mal mas a gente gosta. Eu nunca teria aberto os olhos para o mundo e teria ficado paranóico e depressivo se não fosse o etapa... bom, suponho que isso seja, em algum aspecto recôndito, positivo, mas os efeitos ainda estão por vir, e apesar de o mazzarello ter sido a base de minha formação cultural, eu só pude perceber isso depois que saí de lá, eu diria, com ligeiro contentamento. Não que eu seja desalmado, mas eu só não adorava aquele colégio... adorava o vôlei e adorava as aulas de matemática, mas não é bom divagar na ignorância... ao contrário, eu quero a mentira, a ficção como um escape, mas um escape às coisas horríveis que terei presenciado e tramóias e conspirações que terei desvendado... eu quero ser consciente, quero saber e conhecer, para, daí sim, mergulhar em meu mundo-ficção. Entretanto, é altamente improvável que eu algum dia me contente com o pouco conhecimento que possa adquirir mesmo em quatrocentos anos de vida, e talvez nunca venha a mergulhar em minhas tão prazerosas invencionices. Só o que basta, contudo, é adquirir suficiente maturidade (e talvez conhecimento ¿ que obsessão!) para me julgar novamente no futuro, e dizer a mim mesmo se o melhor que eu pude fazer acaba ali. Ou talvez mergulhar na ficção não seja fugir do mundo: ainda restam as narrativas históricas. Ah, quem você está enganando? Você algum dia vai se conformar com a ignorância e vai virar um velho recluso e paria da sociedade. Isso se chegar à velhice. Bom, tanto faz isso, chega de besteira, tchau, só fiquei com um pouco de saudade de escrever.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:13 Discorde!!: (°|°) icarus

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006
Não assisto mais televisão aberta tirando a TV Cultura e não ouço mais música que não seja clássica, e estou perfeitamente bem. Estou com boa vontade para gostar de MPB, arte e filmes cult, e com tolerância suficiente para agüentar aquelas pessoas horríveis. Estou fora do orkut e não me afeto. Pretendo ler muito mais. Pretendo parar de perder meu tempo. Pretendo escrever com maturidade. Pretendo agir com maturidade e respeito com todos. Pretendia não publicar isso, mas não vejo por quê. Acabei de ler Harry Potter.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:16 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Janeiro 07, 2006
(CUIDADO, POST DESABAFO)
Ai ai, tudo acabou bem... calma,m calma, ainda não acabou... na verdade, hoje é dia sete de janeiro, meia noite e pouco, a segunda fase é em um dia e meio - a prova de português - e e stou muito nervoso... mas tudo acabou bem... o joguinho em que eu estava viciado terminou, porque eu zerei! hahaha, estou tão feliz! ao contrário das outras coisas que eu saio por necessidade, esse eu zerei! que felicidade, não fui o costumeiro perdedor, posso dizer que esse vício acabou bem, e vou demorar muito para procurar outro!! aiai... acho que teve um efeito sedativo em mim... que bom.. tchau, vou tomar banho, fazer redação e dormir!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
"Manolito: As pessoas esperam que o ano que está começando seja melhor que o anterior.
Mafalda: Acho que o ano que está começando espera que as pessoas é que sejam melhores."
Quino - Mafalda
Sem comentários.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:29 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005
Estou perigosamente neste computador. Sim, sim, estou arriscando minha vida: mal ele tinha desligado e já o ligava de novo. Acho que ele vai se rebelar. O estopim da revolução está cada vez mais iminente. A greve geral que promove a facção anarco-sindicalista é tramada, e neste exato instante podem estar acontecendo conspirações. Porque nunca se sabe o que se passa no HD.
Após um pouco de dramaticidade, aqui estou eu novamente, a escrever para ninguém como o maior dos bobos alegres. Continuo achando que para tal período de abstinência estou escrevendo rápido demais, mas ainda bem, tomara que digitar seja que nem andar de bicicleta. O que direi? Não tenho muita coisa para dizer que seja útil, acho que vou embora. Só me resta perguntar se ainda entrará aqui quem eu conheço... Nossa, chega, pára de viajar... Bom ano novo, e não exageremos nas resoluções!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:00 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Dezembro 24, 2005
Estamos a um dia do natal e eu não estou nem aí. Mas nem aí mesmo. Aliás, estou sim: quero que tenha festa com muita comida. Sim, estou muito voraz e egoísta esses dias. Sempre tive medo de ser muito egoísta. Acho que individualmente sou egoísta. Coletivamente, não. Pois é, é a vida. Eu fui numa balada ontem, sexta. Foi horrível. Fiquei com as pernas doendo horrores, gastei puta grana e não valeu de nada. Isso só serve de lição pra eu finalmente aprender que eu não gosto de balada, por mais que eu tente, por mais que insistam, por mais que qualquer coisa, eu não gosto de balada mesmo. Definitivamente. Fiquei puto. Pois é. Mas a vida continua. Escrevi uma crônica. Se é que se pode chamar de crônica. Chamaria conto. Ou não: chamaria reflexões. Deve ter um gênero de texto para reflexões acerca de um determinado tema. Acho que se chama ensaio. Cada vez mais tenho raiva de ser burro e cada vez mais fico com raiva da ignorância. Que isso pelo menos tenha um bom fim, alfabetização de adultos ou que pelo menos se traduza em estudos. Não adianta ter raiva da ignorância e continuar sendo burro. Não quero parar de aprender. Nunca. Nem quando eu estiver bem velhinho. Já disse que no dia em que eu desse mais trabalho que ajudasse, eu poderia morrer. Não quero ser estorvo a ninguém. Já fui por tantos anos e tudo que quero é ser independente. (Cara, eu to digitando muito rápido!) Preciso ler mais. Definitivamente (de novo). O pior é que eu não sei se gosto de ler. Forçar-me-ei, porém. Deve ser tão legal saber tanto a ponto de fazer piadas com filosofia. Acho que se eu for pedir ao papai Noel um presente, é esse: sabedoria. Acho que desde que eu vi a história de Salomão fiquei encantado. E invejoso, porque tudo deu certo, sei lá, ele foi super humilde. Mas é claro que deve ter sido idealizado também, então eu não me preocupo tanto assim. A não ser que algum dia eu encontre algum cara assim; aí eu vou ter inveja, vou me conformar e depois vou admirá-lo, como que o olhando correr à minha frente. Acho que preciso mudar isso. Talvez ele não esteja correndo para o mesmo destino que eu, nem da mesma maneira, mas sempre que visse um cara me passar assim deveria no mínimo ter um estímulo. Tentarei mudar. Usarei como resolução de ano novo, afinal já está tão perto. Terei mais humildade e boa-vontade. Porque é isso que eu prego desde que tomei consciência. Bom, só isso, alegria para todos, apesar de ninguém estar me lendo ultimamente (não culpo ninguém), e boas festas. Não digo feliz natal porque eu devo estar menos preocupado com ele do que com o vestibular. Ah, mas vá, é uma boa razão: é o meu futuro, e minha vida está praticamente toda centrada nele. Será que é prejudicial? isso fica para outro texto. Curtam aí.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 18:56 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Dezembro 17, 2005
O Bush é mesmo um monstro. Ele violou a privacidade dos cidadãos. Na boa. Sem aprovação do judiciário. Passou por cima dos poderes, não respeitou a liberdade individual de cada cidadão. Que filho-da-puta maluco. Ditador.
Espionagem. Alguém leu 1984?

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:39 Discorde!!: icarus


Acho que Deus não existe. Tá bom, não assim, mas acho que depois que ele criou tudo entregou o destino nas mãos do homem e falou: toma. (E como deus sempre fala na segunda pessoa) é teu, agora, o mundo; faze dele o que bem entender. Pronto, e assim foi, e Deus ficou lá em cima só para intervenções emergenciais, tipo um dilúvio, enviar umas leis, queimar uma cidade, essas coisas. E desde esse tempo o homem faz o que bem entender. Mas a coisa ficou tão preta que Ele fez um cara tentar consertar tudo, falando em Seu nome. Mas fudeu tudo de novo, a coisa saiu do controle, nem Ele era mais respeitado e assassinaram o seu filhinho. Puto com tudo, o Grande Homem caiu numa depressão que nenhum antidepressivo curava, ficou triste pra caralho, não ia mais mudar o homem e resolveu acabar com o seu sofrimento. Não adiantava beber, não adiantava fumas: Deus se matou. Mas ressalte-se que primeiro o homem matou Deus. E Deus se matou, mas Ele que era só amor não morreu. Ao invés, quando seu filho morreu, Ele se dividiu infinitamente e foi para o coração das pessoas, e também para a consciência. Agora, não há mais força nem vontade divinas, há só o pedacinho que cada um tem dentro de si, e se o faz crescer ou não. Por isso eu quero andar com uma cruz no peito, pra simbolizar que pelo menos a minha parte eu tenho viva dentro de mim e independente se Deus existe ou não, quero melhorar essa merda dessa existência, porque pra mim o mundo é agora. Acho que pros usuários do Visa também. A Deus. Adeus.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:37 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Dezembro 10, 2005
Caramba, como o tempo passa rápido, nem parece que foi há uma semana que eu escrevi aqui... sei lá, na correria de fim de ano ninguém tem mais tempo de pensar em nada... Bom, eu também não, só to dando uma passadinha aqui pra avisar que (acabei de inventar um assunto) eu escrevi uma frase, uma máxima, um adágio (eu vi também que o computador falou que pode ser aforismo, dito, ditado, apotegma, brocardo, anexim e axioma, só que quando eu escrevi apotegma ele não reconheceu, não é imbecil? nossa, imbecil é o que eu to falando, tá, chega). De qualquer forma, ei-lo: ¿O melhor não é o auge, é a ascensão.¿
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:57 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Dezembro 04, 2005
Bosta. Bosta, bosta. Ultimamente tenho me lamentado demais, mas só estou tirando o atraso do que eu mais fazia aqui. Que pena. Cada vez mais eu me sinto apenas um pedaço de carne no mundo. Pior, um pedaço de carne que ocupa espaço, come comida e fede. Não sei se algum dia chegarei a valer a comida que como. Quantas vidas eu estou estragando só por existir. Não sei, sou útil e bom pra algumas pessoas, mas quem disse que é o bastante? Quanto eu sou diminuído pelos outros, quanto os outros são tão melhores que eles mesmos e que o mundo inteiro? Acho que vou começar a dar espelhos às pessoas: mas mesmo assim elas não se enxergariam. Ninguém mais se enxerga. Tem gente que quer se enxergar demais e acaba não se enxergando do mesmo jeito, que fugiu do mundo, saiu da realidade. Ou não: essas pessoas talvez tenham uma visão mais avançada que a minha e o retrógrado aqui sou eu. Pois é, eu sou o retrógrado, tímido, não tão inteligente, o que sempre fica quieto e que nunca vai sair dessa condição. Começo a ter sérias dúvidas quanto a profissão e dinheiro. Se realmente vale a pena correr atrás de ideais. Ninguém sabe se eles valem a pena. Mas tudo bem: quem tem ideais acredita neles e não se importa com a opinião dos outros. Eu não: não consigo ter uma opinião só minha sem me preocupar com os outros. Não sei se é defeito de fabricação, ou se eu botei isso na minha cabeça; só sei que eu não consigo ser totalmente independente e liberto do mundo: sempre tenho que me preocupar com os outros. Nunca serei plenamente feliz: tem gente morrendo de fome enquanto eu como. Tem gente morrendo de coisas tão absurdas enquanto eu nem imagino o que seja, só que são horríveis. Veja pelo lado bom: eu posso ser um imbecil, mas sou aberto a novas informações. Talvez por isso sou enganado tão facilmente: sou aberto para o mundo, sou trouxa por isso, apanho mas não canso. Talvez por essa coisa de me preocupar com os outros eu queira ser jornalista, político ou qualquer outra coisa que se relacione nem que de leve com o trabalhar para os outros. Porém, embora tenha falado que nunca chegarei a ser plenamente feliz, quero alguma coisa para mim. Egoísmo faz parte de todo mundo, e melhor eu ser egoísta em âmbito pessoal que global, mundial. Só queria morar sozinho um tempo, ter algum tempo para mim e ficar sozinho mesmo, sem ninguém culto enchendo o saco, discutindo poesia com oito amigos enquanto o futebol rola solto na tevê para cem milhões. Poesia é lindo, mas eu não agüento vivê-la o tempo todo; apesar de arte ser naturalmente engajada, nem que um mínimo, eu não consigo me manter alienado. Aliás, consigo: mas quanto mais eu tenho consciência do mundo, mais eu quero melhorá-lo. Tá aí: um texto demais de confuso, estranho, um desabafo das conversas de culto que eu tive com a minha irmã e, indiretamente, com todos os cultos que eu conheço, e do meu mau humor habitual.
PS.: Até que eu não estou também tão mal-humorado esses dias, tem quem me deixe feliz por querer estar feliz e fazê-(la) feliz.
PS².:Um desabafo que não fosse pessimista e mal-humorado não seria meu, convenhamos.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:46 Discorde!!: icarus


Que susto. Pensei que não voltaria a escrever mais. Acho que estava num interlúdio, o que quer que isso signifique. Bom, tanto faz, convenci-me de que o melhor a fazer para virar um bom escritor é escrever, sem parar, porque também Machado não começou com contos geniais e até Luis Fernando Veríssimo teve suas crônicas ruinzinhas. E olha que eu ainda estou no comecinho. Whatever, bem-vindos de volta, parece que vou ter que arrebanhar novamente os leitores, mas é mais fácil quando a gente fica sem pressão. Apesar de que sempre vai existir pressão, até pelo menos eu começar a seguir uma filosofia oriental que me deixe que nem o Dalai Lama. Tchau!
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:10 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Dezembro 03, 2005
Este deve provavelmente ser o décimo texto que eu tento escrever mas não publico. Todos os outros foram apenas memória do meu computador. Mas esse eu não apago. Estou de péssimo humor e estou murrinha. Chato. pentelho. ranheta. enchendo o saco. com o saco cheio. não vou comentar de nada que não seja eu pra completar aquela coisa de sempre ser egoísta. Eu sou um egoísta mesmo. Egoísta preconceituoso cabeça fechada chato egocêntrico medroso sem vontade nenhuma gordo preguiçoso. Sim, é um ótimo perfil pra se botar no orkut. Pra qualquer um que me ainda esteja lendo, eu não estarei disponível nos próximos dias. Vou-me enclausurar em mim mesmo e ver se a meditação ou a auto flagelação ajudam em alguma coisa. Só passei pra dar um oi.
PS.: confesso que achei que o blogger ia fuder com o meu blog e deletá-lo do seu banco de dados porque eu também não sou assinante. Estou cada vez com mais raiva do mundo e com mais vontade de ser político e estou também mais burro e imoral.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:30 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Outubro 23, 2005
Não estou com vontade de fazer nada. Só passei pra avisar.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 16:27 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Complexo de superioridade
Estou me sentindo um ganso no meio de patos que eventualmente vai fazer balé.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:48 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Outubro 08, 2005
Nova republicação, mas esse foi um comentário que eu fiz de um texto meu no mesmo dia que ele marca. Note a sutileza da crítica implícita ao colégio.

que calor, não? Fiz uma redação esses dias... mas vou ter que fazer outra... e mais outra, e mais outra, e mais outra, emais outra, e mais outra, e mais provas, e mais provas, e mais aulas, e mais aulas, e mais neurose, e mais neurose, e mais estranho, to gostando, nossa, to gostando, to curtindo, to sozinho, to curtindo, to estranho, to curtindo, to estudando, to curtindo, to enjoyando, só ali, só ali, aó ali, relaxa... só ali, só ali, só ali, relaxa... isso dá um funk... relaxa... estou proibido de relaxa... e a vida? relaxa... sedativos... drogas, droga, Barros... ah, vão pra lararararáááá (Am#7(440Hz(Doppler-Fizeau)))resumo=-13x4³?????

João de Barros (não) | Email | Homepage | 13-03-2005 02:44:09

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:21 Discorde!!: icarus


republicação de uma das únicas coisas´acho que boas que eu já escrevi na vida. Não to afim de escrever nada agora e aposto que quase ninguém leu isso.

Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
Capítulo XLII
Do sonho de valsa
Tinha voltado pra casa, depois de uma boa caminhada pelos mesmos lugares de sempre. Mas como nem todo dia é igual, tentei fazer alguma coisa diferente; disso resultou numa fúria instantânea contra tudo e quase nada. E talvez como forma de compensar a falta de atitude daquela manhã, talvez para me convencer, resolvi tomar uma atitude quanto à minha ira. Resultado: descontei no sonha de valsa. Sim, aquele bombom, rosinha, gostoso, tinha pegado para comer depois, e descontei minha raiva nele. Olhei-o, tão desprotegido, pequeno, inútil, rindo-se de mim como se dissesse ¿Olha só, não tenho preocupações, enquanto você fica aí esquentando a cabeça por qualquer coisinha...¿, e como eu sou mais forte que ele, macetei-o na mesa. Ficou lá, achatado, não sei se ainda rindo, mas tirei uma lição importante disso, talvez uma das mais importantes. Depois de vê-lo indefeso, necessitado, amassado, eu, penalizado, resolvi comê-lo, como se fosse uma honra, sei lá. Mas algo me chamou a atenção: ele manteve o sabor. E disso eu tirei algo importante: da trivialidade para algo de fato relevante; o sonho de valsa amassado conserva o sabor. Mesmo amassado, deformado, em condições iníquas ele conservou a sua essência. Pois agora, minha mensagem é essa: sejamos como o sonho de valsa: conservemos o nosso eu, nossa boa índole frente às mais diversas situações.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:10 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Setembro 25, 2005
Isso aqui é pra vocês verem o que não rende uma noite... Ah, esquece... Não repara... ah, pára, não fala nada
PS.: Essas merdainhas desses ¿ filhos da puta são travessões, mas não deu certo, tá vendo porque que eu odeio internet, porcaria, saco
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Josué chegou-se tímido nos fundos da igreja do outro lado da cidade e tirou cuidadosamente a única vela do bolso. Acendeu nas outras do altar, e pôs bem no meio delas. Ô vó, ô vó, ele gritava. A sala se alumiou e a chama da vela se virou num fogaréu. Qui qui é, meu fio!
¿A bênção, vó!
¿Deus te abençoe meu fio...
¿Ô, vó, dá conseio pá eu?
¿Ara, meu fio, já tô véia dimais pra isso...
¿Num tenho mais ninguém não...
¿Arre que num tem... Mas e tua mãe, ondi que tá?
¿Foi-se embora, vó, num volta mais não...
¿Mas eu que num criei filha pra isso... Que que sucedeu?
¿Ela chamô eu e os irmão pra i pra São Paulo, mais eu num quiria i não, num quero saí daqui não...
¿Minino, vai pra cidade grande pra fazê a vida mió qui aqui ocê num há di ganhá nada...
¿Num quero não, vó, num quero saí daqui não...
¿Dexa di sê cabeça dura, criança, aqui num tem nada procê mais...
¿Só mais um poço, vó, num quero i já não...
¿I os teu amigo tudo, ondi qui tão?
¿Foi-se tudo embora.
¿I só ocê ficô...
¿Só...
¿Óia só, presta muita atenção qui agora é só ocê i ocê mermo... Num qué i pra São Paulo tentá a vida vai tê qui sofrê aqui mermo... Ocê vai saí da cidade, segue pra lá dos lado das casa e da igreja e vai, vai, sempre indo... Quando chegá em Bom Jesus dos Perdões, fala com o Juca Zé, fala que sua vó te mandou. Aí ocê fica por lá até si decidi...
¿Brigado, vó, sua bença
¿Deus te abençoe, meu fio, e vai cum Deus...
A vela se apagou numa ventada e o Josué saiu confiante da igreja, pronto pra andar e enfrentar qualquer coisa, Juca Zé ou fome.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 09:44 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Eu ia escrever um texto sobre meu orgulho. Mas meu orgulho não deixou.
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Amor anônimo

Estava distraído, pairando por aí
Fazendo o que eu mais faço:
simulado
(mas era aberto)
e sentado na cadeira
pronto pra mais cinco horas de emoção
Quando vem na minha frente um anjo.
Não cheguei a sentir o seu aroma, mas se sentisse, seria o das mais belas flores dos mais
[belos campos dos mais belos mundos.
Ela tinha cabelo vermelho.
e eu parei com a minha ironia de emoção da fuvest
e a emoção de verdade ficou na minha frente, conversando com outro garoto.
Que inveja daquele garoto, o que eu não daria pra ser ele!
(o que um monte de gente não daria pra ser um monte de coisa)
E ele falava e ela ficava sorrindo...
e a prova começou, que aflição.
Ela não ficou até o fim.
Menina do cabelo vermelho, como pode ir assim, saindo
levando o meu coração...

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:01 Discorde!!: icarus


Por que, mas por que diabos eu fico tão contrariado quando me sinto mais burro que alguém? Que deficiência é essa? Que orgulho presunçoso é esse? Sempre que nos sentimos contrariados nos conhecemos melhor... Bom, eu estou sem dúvida, contrariado! De onde que eu tiro essas idéias? Eu arranjo qualquer desculpa no mundo pra justificar por que alguém é mais inteligente que eu! Por que eu não posso aceitar isso? É orgulho? É inveja? Deve ser pura inveja... Mau perdedor... Perdedor? Quem disse que isso é perder? Ser inteligente tem limite? De onde saíram essas idéias de que não ser o mais inteligente é ruim? Desde quando eu me ponho essa pressão? Por que eu tenho que ter sempre um trunfo, por que eu sempre tenho que ser o melhor? Por que eu não consigo me controlar? Por que eu ainda estou emburrado com pessoas que tiraram notas mais altas que eu? Por que eu não me aceito do jeito que sou? Como eu me conserto? Por que eu não me sinto inferior? E por que, por que o meu sentimento de competição é tão grande? Acho que quando eu era pequeno talvez não fosse o melhor nos esportes ¿ e esportes quando eu era pequeno significava futebol ¿ e canalizasse meu insucesso no futebol para meu aparente sucesso nas áreas de conhecimento (àquela época, religião, ciências e estudos sociais). Sim, é inegável, eu ia bem nas provas. Eu era nerdzinho. E nunca estudava. E eu adorava. Adorava na boa explicar para meus amigos as coisas que eles não entendiam. Ficava feliz de fazê-los entender. E isso até a oitava série. Nunca deu problema. Mas o caipira de Santana, minto, Santa Terezinha, quase Casa Verde, veio se aventurar no mundo grande e quebrou a cara. Tinha mais gente! Gente mais inteligente dez vezes do que ele! O herói estava contrariado, estava. Mas eu não assimilava tudo quieto não. Passei a abominar a matemática porque tinha gente muito melhor nela que eu. Que covarde. Fiz seis meses de OBF. Não acompanhei. Doeu no orgulho, mas saí. Saí dizendo que física era pra imbecis. Talvez no primeiro ano tivesse certa facilidade pra história. Gostava da aula do Sérgio. O Sérgio, aquele poço de cultura, gostar da aula dele talvez fosse sinônimo de grande inteligência. E o herói fazia pose, si fazia. Agora a pose de malandro eu nunca que quis não. Foi bom no começo, foi bom pra eu enturmar um pouco, mas eu nunca fui muito malandro. Tá bom, eu era o maior cabaço. Mas por causa do cabelo, no primeiro dia de aula já achavam que eu era malandro. E eu fui na crista da onda. Nunca tomei caldo nisso. Todo mundo que me conhece sabe que eu não sou malandro. Eu sou caseiro, velho, conservador, quase retrógrado. Mais uma vez, ser caseiro talvez seja sinônimo de inteligência. E o herói proveita a pose, si num proveita. A aula de história começou a ficar difícil. E o herói começou a ver seu alicerce de areia ruindo. Tacava concha por baixo pra ver si sigurava, sem nem pensar que quanto mais concha tacasse, maior o buraco que ia formar do outro lado. Nunca que ia de ficar completo. Mas eu não vi isso aí não. Nunca quis sequer me olhar no espelho da sabedoria pra ver o que que eu sabia e o que não. No que eu era bom. Ou nem isso: do que eu gostava mais realmente. Não sei mais. Desconfio que baseei minha inteligência nos outros. E com quem eu me comparava? Com quem eu convivia. No mazza, eu fiquei em primeiro na maratona de matemática. Do meu ano. Eu conversava muito com meus amigos. Do meu ano. Eu me comparava secretamente com meus amigos. Do meu ano. Por isso que eu encano com idade. Que diferença fazia um ano de vida! Pra mim ainda faz, mas que diferença! Alguém com um ano a mais que eu era fora dos parâmetros. Ajudar os amigos? E se eu, assim como em A Causa Secreta de Machado, ajudasse meus amigos pelo prazer ainda oculto de me saber melhor que eles? Abominasse as matérias que os outros sabiam melhor que eu pra não precisar me achar inferior a ninguém? Não gostasse de falar de outra coisa que não fosse eu pra nunca ser contrariado? Fizesse pose de inteligente pra ser respeitado? Não sei. Me fizeram por aí ver que eu sou uma pessoa inteligente. Graças a Deus. Um pouco a mim também. E à psicologia também. Mas acho que tem algo errado. Já cheguei a pensar que a vida é um supermercado e as experiências que você guarda são as compras que põe no carrinho. Se pegar um ovo estragado, mais difícil vai ser pra tirá-lo de lá a cada momento. Pior: se descobrir tarde também é ruim. Eu acho que descobri um ovo podre. Aparentemente ele estava estragando. E eu fui pondo coisa em cima. Muita. Acho que vou ter que tirar tudo de novo. Com paciência. Fazer o quê. Sempre ouvi que a primeira coisa para se consertar um erro é achá-lo. Talvez eu o tenha feito. Preciso lidar melhor com as pessoas. Já passou a época do microcosmo mazzarello em que eu era um dos mais inteligentes. Agora você vai ter que correr atrás. Aceitar que não se deve ficar bravo por não ser o mais inteligente de todos. E sim tentar sempre melhorar. Sem ficar arranjando desculpas esfarrapadas como ¿ele é mais velho do que eu¿ ou ¿ele tem mais dinheiro e mais acesso à cultura que eu¿. Sim, é meio ridículo. Mas fazia todo sentido para mim. Eu não me sinto muito parte da elite Etapa. Elite Brasil sim, mas Etapa não. Então, qualquer coisa era apelar à minha ¿baixa¿ condição social em relação aos boyzinhos. Preconceituoso. Mas eu ainda sou criança. Quem leu até aqui, parabéns. Acabou de testemunhar um aprendizado e tanto. Auto-conhecimento é importante. Acho que acabei de me conhecer melhor. Ou pelo menos tentei. Enfim, a discussão nunca é perdida porque, de qualquer jeito, eu tive que pensar sobre o assunto. Dona Bia, viu só a minha maneira de aproveitar a tristeza? E Débora, se você entrar aqui de novo, adivinha quem foi que me deu o tapa final pra eu me enxergar inteligente? Eu sou um imbecil orgulhoso. Não sei como pude pensar do jeito que eu pensava há alguns dias. Parece que vou ter que reler esse texto algumas vezes. E eu que estava com raiva do Pinda porque ele vai prestar jornalismo também. Tem coisa que o jeito é conviver. Nem sempre naquilo que você se esforça você tem resultado imediato. Você precisa cada vez mais de força de vontade e não tem mais de onde tirar. Talvez eu esteja descobrindo um significado pra amizade. Sim, eu sou um principiante na vida. Sim, sim. E era orgulhoso. Por dentro, assim. Bom, sei lá. Eu precisava me defender desse mundo cão aí. E aposto que ninguém desse mundo cão vai se ligar, nem dar a mínima pro que eu penso. Talvez é só deixar os outros se acharem melhores que eu e ninguém enche o saco. Aí com o pessoal que quiser conversar eu converso. Eu nunca fui de dispensar um bom papo mesmo. Considerações finais: eu me inscrevi pra jornalismo definitivamente. Agora, mais do que nunca, é hora de começar a estudar história. Geografia também. Literatura também. Mas essa é só pra ser uma pessoa melhor. Qualé, eu também quero ser da rodinha culta. Que seja. Adeus a todos, e obrigado por ficarem comigo até aqui. Obviamente eu vou tacar um texto por cima pra ficar mais difícil de ler esse aqui. Apesar de que só o tamanho já assusta. Me superei. Hehehe.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:59 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Setembro 18, 2005
Todo dia entrava lá e o encontrava. Sempre, imóvel na sua loucura. Olhava para ele e pensava se algum dia... minto, não pensava: olhava, e me espantava. Ainda me espanto. Ele ficava parado, imutável, indiferente a qualquer um que passava. Mas não ficava também lá o tempo todo, no metrô. Prova disso é que na volta pra casa eu nunca o encontrava. Aquela figura, imunda e austera, olhando à frente de todos, por cima dos ombros e das cabeças, como se enxergasse além. Que ironia. Alguém transcendente assim não se apresentava de uma maneira indigna. Não propositalmente. Grandes pensadores vestiam-se com displicência, mas porque tinham questões importantes, que demandavam suas atenções, e vestir-se era uma tarefa secundária. Então, vestir-se mal virou sinônimo de inteligência. Só que este homem vestia-se mal para depois pensar. Acho até que não devia se vestir: era um mendigo, meu Deus, há quanto temo não devia tomar banho! E ainda assim, mantinha sua dignidade na atitude, olhando por cima de todos. Ou não. Tadinho do mendigo maluco. César e Napoleão não olhariam seu império com tanta grandiosidade. Um mendigo, todo sisudo em suas maneiras. Deve ser doido.
Legenda, vai: todo dia indo pra escola eu vejo um mendigo parado de pé encostado no poste na frente da Casa do Pão de Queijo lá no metrô Santana.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:19 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Setembro 17, 2005
Hoje, a situação chegou ao seu limite. Chega. Não agüento mais. Esta é uma declaração oficial de guerra ao Tempo.
Acabei de ficar três horas estudando história no quarto e quando fui ver o quanto tinha feito, não tinha feito nada. Tem alguma coisa de errado aí. Não. Não é possível. O Tempo está brincando comigo. Passei três horas estudando sentado numa maldita cadeira e não rendeu nada. Absolutamente nada. Não. Isso foi o limite. O estopim. E eu queria estudar história. Mas o Tempo não está ajudando. Nem um pouco. Nem eu. Mas é o Tempo. Não é possível que não seja imbecil consiga ficar três horas numa cadeira se enganando sem fazer nada. Nada. Nada. Minha guerra está declarada. Maldito Tempo. Declaro guerra a você. Droga. Hoje é sábado, mas o tempo vai mudar. E eu não vou conseguir fazer nada que preste até segunda de manhã ficar bravo porque não fiz nada. É culpa do Tempo. Ele muda tudo. Maldito. Maldito.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:12 Discorde!!: (°|°) icarus

Sexta-feira, Setembro 16, 2005
Diálogo com meus professores de história menos um (ps.: não sou eu...)

¿ Professor, resolvi fazer História. Lá na Unicamp. Pus minha matrícula há duas semanas. Tudo bem, eu sei que não é fácil, que o mercado de trabalho tá difícil, tudo o mais. Eu já pesquisei o mercado de trabalho, olhei em escolas, perguntei pra alguns professores também... Não, eu não acho que vá conseguir emprego com a facilidade que o senhor conseguiu, mas eu me viro. Eu vi que quem faz o curso é a gente. Além do mais, é só na Unicamp. na USP, eu vou prestar Medicina. Não, não é muito diferente. Até que tem coisas a ver. Por exemplo...? Ah..., Che Guevara era médico... sim, ele não fez história, mas isso não precisa me impedir de fazer... o quê? Não, minha mãe deixou, ela falou um monte de coisa, mercado de trabalho, felicidade, dinheiro e alguns outros sinônimos, mas ela sabe que eu quero mesmo é passar na USP. Aí sim eu seria um médico muito revolucionário... se eu conheço a história do Che Guevara? Bom, aquela coisa da aula de história, né, hehe, não dá pra fugir muito... Se eu estudei por minha conta? Ah, bem, professor, o senhor sabe que a gente tem prova todo o dia, né, aí fica difícil estudar sempre, né? Mas eu adoro o Che. Eu vi aquele filme lá e me apaixonei, ele era tão bonito, tão destemido, barbudo e todo charmoso... Se eu sabia que ele era guerrilheiro? Ah, lógico que sim, eles mostravam alguma coisa disso... Se eu sabia que ele matou um monte de gente? Ah, pois é, né, tava lá na revolução, na cidade, e aí... no mato? Então, é, na floresta, lá, e tudo o mais, mas ele ainda tava firme lá, né? hehehe... Sabe o que é, professor, é que eu tenho que ir... é, sabe como é, né, a inscrição das outras faculdades, né? hehe... Não, não, no Mackenzie eu vou prestar Química, na FAAP cinema, na UNIFESP fono, no ITA engenharia...
PS.: Eu estou na mesma situação dessa louca, só com menos atitude...

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:08 Discorde!!: icarus


Estou bravo. Sim, o blog é meu e eu falo sobre mim. Pra quem comentou no post de baixo, eu não vou publicar agora porque eu não quero publicar agora. Simplesmente. Voltando ao assunto principal e ignóbil (dicionário: sem nobreza, baixo de condição), eu estou bravo. Bravo porque sou burro. Mas a minha característica do burra é menos a burrice que a teimosia. Porque burro quando empaca, empaca e não sai mais. Eu estou na sala de humanas, como a Lumi, que eu ainda não sei quem é, bem lembrou, e, teoricamente, deveria ter mais afinidade com história e geografia, principalmente a primeira. Teoricamente. Mas a minha afinidade é apenas teórica não prática, e isso apenas se confirma nos simulados. (aí na frente foi sem dicionário) Que tipo de mula continua e persiste contumaz e renitente em algo que não dá certo? Imagine isso: errei um teste de física (de doze, diga-se de passagem, por isso não me sinto burro) e errei, da mesma quantidade, sete de história. Mas não sete, SETE! A minha mãe falou que eu sou bobo e deveria olhar mais para os acertos que para os erros. Podem me dizer isso o quanto for, mas não! Como que eu vou deixar passar essa diferença gritante? só pra não usarem esse argumento, isso acontece em todo simulado. E olha que não são poucos. Tenho visivelmente mais facilidade com exatas que com humanas. Eu poderia até passar no vestibular, até passar pela segunda fase, mas como viveria fazendo o que eu gosto sendo o mesmo imbecil no que faço? E mais, como viveria com a dúvida eterna se eu seria melhor se fosse fazer outra coisa? E se eu for infeliz? Como não me incomodar com isso? Por que isso não seria um sinal divino? Ainda é pra acreditar em Deus? Deus está me testando? Eu estou fazendo a escolha certa? Existe escolha certa? E se Einstein fosse ator, seria ainda tão grandioso ou morreria como qualquer um? Eu vou ser grandioso? Vontade basta? E vocação, como descubro? Ela já existe desde quando eu nasci ou desde quando eu decido? Estas são as minhas FAQ¿s. E very frequently. Depois me pergunto por que sou tão alterado. Olha pra isso! bom dia, sou a contradição em pessoa! Esse texto é egoísta pra caramba. Nossa, como é. E eu adoraria que as pessoas comentassem. Provavelmente vou falar isso na sala. Ou então vou ficar emburrado até alguém (provavelmente o Alberto) vir e perguntar que que aconteceu que ce tá assim? Meu Deus, como eu sou egocêntrico! Adeus
PS.: Talvez o que torne nobre a atitude da mula empacar é que ela defende com fervor seus interesses. Que bonito. Mas o que que a mula ganha? Tapa e bofetada do dono. Valeu a pena? A alma da mula não parece muito grande. Tadinha da mula. Que bela comiseração. Que metáfora forçada. Tchau.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:08 Discorde!!: (°|°) icarus

Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Antigamente, um ato de vandalismo comum era o de riscar o nome de dois namorados em árvores. Vandalismo. Essa palavra nem devia existir. Que seja, como as árvores estão ficando mais parcas, e a moda muda, o mundo evolui e tudo o mais, a onda é escrever em outro lugar. Quase tão romântico quanto, os orelhões da cidade são um alvo em potencial para os vândalos apaixonados. Basta riscar o seu nome com um pincel atômico (nem precisa se dar ao trabalho de entalhar o nome em madeira, imagine!), e seus nomes estarão lá, bonitinhos, e o garoto consegue por fim bolinar a menininha com tamanha demonstração de amor. E, convém dizer, o local é bem adequado ¿ ao passo que o amor de antes era eterno, o de hoje já terá acabado sincronizadamente com a limpeza do orelhão, de quinze em quinze dias.
Hoje eu fui ligar pra minha mãe e vi escrito ¿Fê e Rô¿. Que gay. Espero que o Rô tenha pelo menos tirado uma casquinha legal da Fê. Fê. Será que era Fernanda?

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:46 Discorde!!: icarus


Bundas. Bundas, bundas e mais bundas. Vim andando no metrô de volta pra casa e só vi bundas. Bundas atraentes, bundas empinadinhas, bundas caídas, bundões, bundas tristes, bundas orgulhosas, bundas com muita história, bundas que balançavam conforme a boiada ia pra frente. Belas bundas, boas bundas, que sempre estão lá, não importa o que seja, quando a gente está atrás, sempre tem a bunda pra gente olhar. A bunda é importantíssima. Dá uma força de vontade impressionante. Impulsiona. Motiva muito. Melhora a paisagem. Distrai nos momentos de tédio. Provoca brigas, atiça as mãos e o pensamento mais, acaba com casamentos, une pessoas. Dizem que o Brasil é o país das bundas. Bom, o dos bundões também, mas das belas bundas. Mas americano só vê bunda no Brasil em roda de samba. E as bundas escondidas, por trás das calças executivas? que absurdo. Vêm pra cá e já acha que tá manjando. É uma imodéstia impressionante. Pra que que eu tô falando isso? O assunto é bundas! Não seja um bundão. Nem tenha uma bunda caída. A bunda é uma palavra muito sonora e gostosa de falar. bunda caída é horrível. Deveria ser um cacófato só pela quebra do som. Agora bunda cheinha, bunda empinada já dá um som bem melhor. Não deixe a bunda dominar o mundo. Eu queria que esse texto tivesse um significado oculto e mágico, mas não tem. Que pena. Talvez eu faça algum melhor algum outro dia. Bolas. Quer dizer, bundas. Pe esse, isso foi uma total perda de tempo. Mesmo, você não ganhou absolutamente nada com o tempo que passou aqui. tchau.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:32 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Agosto 27, 2005
Mc dia feliz
Mike dia feliz
Mai que dia feliz
Mas que dia INFELIZ!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:09 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Agosto 20, 2005
estou entediaadoo...
(período de abstinência - tentando assimilar Guimarães Rosa)

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:33 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Agosto 16, 2005
Meu Deus, como é horrível escrever sobre o que você não quer! Eu estou escrevendo isso aqui com a maior facilidade, mas me pede pra escrever sobre eutanásia ou essas coisas, formalmente! Eles querem uma pose minha que eu nunca vou ter! Escrever emplumadinho? Vai se fuder! Pára com isso! Os caras do Brasil continuam achando que a gente tem que saber de tudo, entender de economia mais que os economistas, de política mais que os devidos e questões mundiais mais do quem realmente as viveu! Um absurdo exigirem de mim conhecimentos suficientes para tocar qualquer país para frente para fazer um estágio de merda ganhando um salário miserável de trezentos reais!! Vão para a puta que o pariu com essa hipocrisia! Eu não agüento mais estudar coisas inúteis e tentar prever o que que vai cair no vestibular, eu vou mandar todo mundo tomar no cú, malditos poder brasileiro que quer provar não sei o que a não sei quem e não faz merda nenhuma! Eu vou virar funcionário público, pelo amor de Deus. E vou meter o pau nessa merda. O Brasil está caindo pelas tabelas. Está na merda. No fundo do poço. Mas eu duvido que tenha mais de dez pessoas movendo um dedo para mudar essa porcaria. Cada um aqui se preocupa com a própria bunda e é salve-se quem puder. Depois me dizem que eu não conheço o mundo, que eu sou inocente. Vão tomar no cú! Eu não sou inocente, eu sou bobo, bobo por me preocupar com um país de merda desse, bobo por querer lutar por pessoas que sequer vão me conhecer ou ouvir falar de mim, bobo por querer um mínimo de honra para os brasileiros. Bobo, muito bobo. E também bobo porque eu não controlo isso. Malditos. Tiraram férias do meu blog. Os comentários encheram tanto que eu até quis escrever muito (ironia: eu fiquei com raiva e resolvi escrever). Maldito Brasil. Onde tenho que enfiar o dedo para despertar nos outros esse maldito nacionalismo? Brasileiro gosta de ser pisado? Ou é burro o bastante para deixar? Ou acha que simplesmente recloamar dos impostos vai isentá-lo dessa responsabilidade? Pelo amor de Deus! Acorda! Estuda! Anda, faz alguma coisa!
PS.: Eu sou hipócrita.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 18:35 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Agosto 08, 2005
Tudo começou quando eu fiquei com vontade de escrever qualquer coisa na frente do computador, lá prumas dez e meia, e escrevi uma história. Porém, não contente com sua tentativa frustrada e desempenho pífio, elaborei mais dois finais, e essas três coisas ficarão conhecidas como "As Três Faces de uma Mentira" (porém não as únicas). É, tão bem longas, mas, como diria minha professora da quarta série, "a cavalo dado não se olham os dentes", então, deleitem-se com tamanha demonstração de... de... como é mesmo a palavra? Enfim, eis um texto que eu curti escrever e não quis dar cabo de dois outros finais, então, tá bizarro ( o começo é igual e os finais diferentes), mas é tudo de bom coração... ah, sim, também é uma empreitada minha em descobrir por que as pessoas mentem... ou fazem joguinhos, não sei muito a diferença... Enfim: voilá!
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:45 Discorde!!: icarus



- Oi, e aí, tudo bom?
- Oi.
- E aí, qual seu nome?
- Fernanda.
- O meu é Alexandre. Então, de onde que você é?
- Daqui, de São Paulo mesmo.
- Eu também, você mora aqui perto da zona sul?
- Olha, tá bom, meu nome não é Fernanda e eu não sou de São Paulo, eu sou de São José do Rio Preto.
- Ah, mas porque então você falou que...
- É que eu tenho meio que uma mania de não falar muito a verdade...
- De mentir?
- É... não é bem assim, eu falo a verdade, ó, meu nome é Letícia e eu sou mesmo de São José do rio Preto.
- Ahn... M-mas e aí, tá curtindo a balada?
- Pô, mó legal, nunca tinha vindo aqui antes...
- É, me falaram que esse tal de DJ Geléia de Framboesas Silvestres tava bombando... aí quando descobri que ele tava vindo pra cá, resolvi vir...
- Ahn... e se arrependeu?
- De jeito nenhum, eu acabei te conhecendo, Lê...
- Hihihi...
- Que foi?
- Olha, desculpa, meu nome não é Letícia...
- Ah, calma aí, pára com isso, né, já cansou, qual o seu nome de verdade?
- Olha, nem vai fazer tanta diferença...
- Ah, já sei, você deve ser uma daquelas meninas que têm nomes esdrúxulos e não querem que os meninos saibam...
- Eu não tô nem ligando pro meu nome, ó, eu te falo, me chamo Talita.
- Ah, tá, falou.
- Não, é sério, eu te falei que tinha uma mania incomum...
- E como que eu vou saber se você não tá mentindo?
- Então, você não vai saber a não ser que eu te diga, isso que é o legal...
- Legal? Não é legal não saber o nome da pessoa com quem se fala.
- E se eu dissesse que meu nome é Juliana?
- Ahn?
- E se eu dissesse que meu nome é Juliana?
- Seu nome é Juliana?
- Não, eu só to perguntando... Ei, ei, peraí, não vai emb...

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:39 Discorde!!: icarus



- Oi, e aí, tudo bom?
- Oi.
- E aí, qual seu nome?
- Fernanda.
- O meu é Alexandre. Então, de onde que você é?
- Daqui, de São Paulo mesmo.
- Eu também, você mora aqui perto da zona sul?
- Olha, tá bom, meu nome não é Fernanda e eu não sou de São Paulo, eu sou de São José do Rio Preto.
- Ah, mas porque então você falou que...
- É que eu tenho meio que uma mania de não falar muito a verdade...
- De mentir?
- É... não é bem assim, eu falo a verdade, ó, meu nome é Letícia e eu sou mesmo de São José do rio Preto.
- Ahn... M-mas e aí, tá curtindo a balada?
- Pô, mó legal, nunca tinha vindo aqui antes...
- É, me falaram que esse tal de DJ Geléia de Framboesas Silvestres tava bombando... aí quando descobri que ele tava vindo pra cá, resolvi vir...
- Ahn... e se arrependeu?
- De jeito nenhum, eu acabei te conhecendo, Lê...
- Hihihi...
- Que foi?
- Olha, desculpa, meu nome não é Letícia...
- Ah, calma aí, pára com isso, né, já cansou, qual o seu nome de verdade?
- Olha, nem vai fazer tanta diferença...
- Ah, já sei, você deve ser uma daquelas meninas que têm nomes esdrúxulos e não querem que os meninos saibam...
- Eu não tô nem ligando pro meu nome, ó, eu te falo, me chamo Talita.
- Ah, tá, falou.
- Não, é sério, eu te falei que tinha uma mania incomum...
- E como que eu vou saber se você não tá mentindo?
- Então, você não vai saber a não ser que eu te diga, isso que é o legal...
- Você é, tipo, normal?
- Que pergunta! Ei, agora você tá me ofendendo.
- Como é que eu vou conversar contigo se não sei nem o seu nome?
- Mas eu já... tá bom, tá bom. Melina.
- Como é?
- Melina, meu nome de verdade.
- Ah, qualé, você não tem cara de Melina.
- Mas é meu nome!
- Que isso! Se for pra mentir, pelo menos escolhe um nome decente, tipo, Gabriela ou algo assim...
- Ah...
- Não, não quer falar, tudo bem, mas já chega da brincadeirinha que eu tenho muitas minas me esperando essa noite, tá?
- ...
puts, puts, puts
- E aí, cara, chegou em alguma mina?
- Cheguei em uma sim.
- E aí, pegou?
- Não, ela disse que tava acompanhada, mas trocou uma idéia firmeza.
- Pô, que pena, ela até que era gostosinha...
- Ah, é, mas essas aí você encontra em qualquer canto daqui...
- Só pra você, que é bombadinho que nem bicha de academia, bicha, bicha, hahaha
- Ah, vai se fuder, vai beber de novo que eu vou voltar pra pista.
- Beleza, até mais, Rafa!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:39 Discorde!!: icarus


- Oi, e aí, tudo bom?
- Oi.
- E aí, qual seu nome?
- Fernanda.
- O meu é Alexandre. Então, de onde que você é?
- Daqui, de São Paulo mesmo.
- Eu também, você mora aqui perto da zona sul?
- Olha, tá bom, meu nome não é Fernanda e eu não sou de São Paulo, eu sou de São José do Rio Preto.
- Ah, mas porque então você falou que...
- É que eu tenho meio que uma mania de não falar muito a verdade...
- De mentir?
- É... não é bem assim, eu falo a verdade, ó, meu nome é Letícia e eu sou mesmo de São José do rio Preto.
- Ahn... M-mas e aí, tá curtindo a balada?
- Pô, mó legal, nunca tinha vindo aqui antes...
- É, me falaram que esse tal de DJ Geléia de Framboesas Silvestres tava bombando... aí quando descobri que ele tava vindo pra cá, resolvi vir...
- Ahn... e se arrependeu?
- De jeito nenhum, eu acabei te conhecendo, Lê...
- Hihihi...
- Que foi?
- Olha, desculpa, meu nome não é Letícia...
- Ah, calma aí, pára com isso, né, já cansou, qual o seu nome de verdade?
- Olha, nem vai fazer tanta diferença...
- Ah, já sei, você deve ser uma daquelas minas que têm nomes esdrúxulos e não querem que os caras saibam...
- Eu não tô nem ligando pro meu nome, ó, eu te falo, me chamo Talita.
- Ah, tá, falou.
- Não, é sério, eu te falei que tinha uma mania incomum...
- E como que eu vou saber se você não tá mentindo?
- Então, você não vai saber a não ser que eu te diga, isso que é o legal...
- Ah... que gosto estranho que você tem, Mariana.
- Não, meu nome é Talita.
- Não, tudo bem, Diana.
- O quê?
- Eu não sei seu nome, certo? Então qualquer coisa que eu falar tá valendo...
- Não, você não entendeu, Talita é meu nome mesmo...
- Ah, a propósito, meu nome não é Rafael... é Tadeu.
- Ah, nem vem com essa, quem...
- Quer ver aqui no RG?
- Não, eu acredito que você seja o Tadeu.
- Que bom, porque meu nome é Sérgio.
- Mas... que que você...
- Não foi você que começou? Você não sabe meu nome a não ser que eu te diga.
- Ah, que mancada, você que quis saber meu nome pra começar...
- E agora você que quer saber o meu...
- Hum, nem quero, ó...
- Ah não? Duvido... que orgulhosa...
- Sou mesmo.
- Adoro mulher orgulhosa.
- É mesmo?
Depois de algum tempo...
- E aí, como foi?
- Foi estranho, eu não sabia que nome falar...
- Pode me chamar de Lúcio.
- Mas Lúcio é o seu...?
- Não, é que eu sempre gostei de Lúcio.
- Ah tá.
- ...
- Pode me chamar de Maitê.
- Maitê?
- É, é o nome de uma boneca que eu tive.
- Ahn...
- Lúcio e Maitê.
- Parece até casal de novela.
- Novela de primeira.
- Falaí, a gente é bom nisso, né?
- Ô!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 23:38 Discorde!!: icarus


Achei que ninguém tava afim de ler um texto gigantesco, então fiz isso aqui. Não tá bom, era menor, eu aumentei e ficou ruim. Mas ainda fui eu em um momento de desespero infantil.
Despertar
Acorda, Ricardo
Acorda pra vida
A infância já passou
A inocência já acabou
A esperança já morreu
Só restou a ilusão
A ilusão de viver bem
vivendo assim, assim
mais ou menos bem
e movimentos grandiosos
como que pra espantar
aquela velha tristeza
e a certeza de que todos
vão um dia ficar sozinhos
O mundo mudou de fato
A mãe já não faz o prato
E a sopa da vida é fria
A vida sozinha é fria
Dormi sem cobertor
É hora de acordar pra vida.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:14 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Agosto 06, 2005
AVISO: ESSE TEXTO TÁ ENORME. BOA VIAGEM. PRA QUEM FICA E PRA QUEM VAI (EMBORA DAQUI).

Primeiro final de semana depois do começo das aulas do segundo semestre pré-vestibular no Etapa: sempre uma surpresa... Perdoem-me os normais e revolucionários, porque aqui vai um texto quadrado, beeem ao estilo meu colégio. É que esse final de semana é a hora. A hora de rever tudo e organizar o semestre. Afinal, por mais que falem, eu realmente não tô afim de fazer cursinho, e querer fazer faculdade é indiscutível. Já são três anos de cursinho! O Etapa é ótimo, é preparatório, e eu não quero ficar mais um ano como ¿estudante de segundo grau¿. Sei lá. Não gosto da idéia de não passar numa prova. Mas passo por isso sempre. Mas ainda não gosto. Bom, sei lá. Mas chegou o tempo de se organizar. O intuito principal é focar história. Ah, pra quem não sabe ainda, a minha meta a curto prazo é fazer jornalismo para alcançar então a minha meta a longo prazo: tornar-me um intelectual. Sim, daqueles importantes para o país inteiro, afinal, é ele que eu pretendo salvar. Virar o super-herói com que eu sonhava ser, mas com um pouco menos de violência. Ou não. Ninguém sabe o futuro. Senão eu estaria em desvantagem com todo mundo. Ou todo mundo com quem sabe. Ou esquece. Então, tenho que focar história. Realmente chegar e falar: eu manjo. Aí sim. E sem estudar e ler que nem um condenado filho da puta, não dá. Aliás, baseando-me sempre naqueles velhos dois pilares que eu admiro: humildade e perseverança. Porque a busca pelo conhecimento é uma coisa ingrata. Tem gente aí que conhece o mito da caverna de Platão. Como foram tratados os que tinham a verdade? quem é inteligente só se fode. Frase do meu professor de história: Nenhuma dor se compara à dor da lucidez. Esse professor é meu verdadeiro ídolo. Porque sempre é bom ter alguém em quem se espelhar. Nem que esse alguém seja Deus. Nem que esse alguém seja você mesmo no futuro. sempre tem que tentar ser uma pessoa melhor. E eu, com acesso a tanto conhecimento, quero passá-lo aos outros, mas primeiro, preciso me firmar no chão. Não, mentira: quero ensinar tudo o que eu sei mas sempre aprender. Isso. Então, meu professor ídolo é de história. Olha, comparando as três áreas, eu diria que humanas é a que eu mais gosto mesmo. Acho biológicas importantíssimo, se não fosse por isso eu não estaria vivo, e exatas também (senão o mundo seria um caos maior do que já é), mas humanas (que inclui arte) tem um charme todo especial. Abrange tudo. E arte é algo que, embora tenha xingado até o fio dos cabelos num post aí embaixo, eu admiro. Admiro muito, e gosto, e quero chegar lá. Quero conhecer. Quero fazer diferença. Quero ajudar. E apesar de achar que possa ajudar o mundo construindo casas, quero mais. Acho que posso mais, e quero mais. Quero interferir na base, quebrar pelo alto escalão, desmembrar essa sujeira toda por cima. Quero passar conhecimento, fazer tudo o que estiver ao meu alcance, mesmo que seja desencalhar baleias. Um grande poder traz consigo uma grande responsabilidade, homem-aranha, falo do filme porque não conheço os quadrinhos. Mas acho que uma grande inteligência também. Não que eu seja inteligente: mas eu quero ser, pra daí ter responsabilidade e cumpri-la com gosto. Apesar de agir como um velho, tenho a chama do jovem ardendo em mim, um querer mudar sempre. Só não escolhi o caminho mais visível. Mas ainda quero mudar. Veja só, eu comecei falando de escola e fugi prum discurso idealista. Talvez seja isso que desperte em mim história. Ou artes humanas. Taí porque quero fazer humanas. E o legal que isso não foi só uma prova pra vocês, isso foi uma prova (e inspiração) pra mim. Obrigado. A vocês, sei lá, que me inspiram a escrever. Sério, se a gente não forçar, a gente não pensa de jeito nenhum. Falo por mim. E pensar, apesar de dar preguiça, só é bom. Meu blog me ajuda porque me força a pensar e acabei de me conhecer melhor. Isso é que é psicólogo. hehehe. Tá, então, sucintamente, o que vou fazer este fim de ano: estudar muito (ler, tarefa principalmente, atenção nas aulas): história, português, geografia, bio, qui, e depois a gente vê. Eu só vou bem em teste porque ninguém tá olhando. Quero ver na hora do vamo ver. Segunda fase, exercícios escritos, prove, explique, estabeleça relações. Só estudando. Mas tudo com muita calma. Talvez eu me abstenha um pouco de baladas. Mas isso é de menos: deixar de ver os amigos não. Bom, beijinho pra vocês que eu vou estudar. Que post feliz. Adoro finais felizes. Consegui me deixar feliz escrevendo. Ah, eu amo todo mundo.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:01 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Agosto 02, 2005
Preciso mudar a minha cara. Tirar esse sorriso letárgico e imutável do rosto para ninguém perceber que não estou nem aí pra nada. Porque as aparências são cultivadas até virarem uma bola de neve. Se for mentir, minta bem, é só o que levo desta vida. Mas minha farsa tem boa índole. Só não quero ver os outros desapontados. E não acho que seria ruim de minha parte dar atenção demasiada aos outros. Estou encorajando-os. Desde que eles nunca descubram. Eu gosto das pessoas. Não quero vê-las desapontadas. E certas situações são imprimidas a você que têm que ser contornadas. Esse é o meu jeito. Talvez seja mau, sim, perfeitamente. Mas desde que minha intenção seja boa, estou livre de minha consciência. Mas agora ela prepara seu contra-ataque. Não estaria eu ferindo uma pessoa se eu não estiver realmente dando atenção necessária? Não se ela não descobrir. Não, tem algo errado. Ou você dá atenção e fica interessado ou você não dá e não se interessa mesmo. Mas a pessoa não ficaria sentindo-se mal? Aí resta a dúvida. A cruel dúvida, pelo menos para mim. Deve-se ferir uma pessoa com a verdade, ou deve-se abrandar de todas as maneiras possíveis para que ela não sofra? O texto tá confuso, mas essa pergunta eu deixo pra quem lê. Depois eu escrevo qualquer coisa sobre. Boa discussão.
PS.: Discuta consigo mesmo, porque tem pouquíssima gente por aqui.
PS².:Estou cheio de boa vontade, se ninguém responder eu nunca mais faço um negócio desses por aqui que eu não sou santo não.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:36 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Agosto 01, 2005
Má notícia, não só para mim: começaram as aulas. Não, melhor: voltaram as aulas. Realmente parecia pior falar isso antes delas realmente voltarem, mas isso não quer dizer que eu não prefira as férias. É que mudar dá um trabalho... mas as aulas também podem ser boas. Bom, boas daquele jeito, né, com preconceito pra não virar opinião de nerd. Tá, minha opinião não é só de nerd, é bom exercitar o cérebro, o problema é que tem coisas que eu não gosto. Por isso a preferência pelas férias. Nossa, eu tô tentando explicar pra mim mesmo que não sou nerd e que eu não devo mentir pra... nossa, que zona. Acho que tudo que eu queria falar é que a mudança radical não foi tão ruim. Não sei porque esse medo de mudar. Acho que é porque eu já conhecia o que estava por vir. Mas e se eu não soubesse e pudesse não mudar? Ainda teria mudado? Que maldito medo de mudança é esse que me assola? É tão mais confortável ficar no lugar... sei lá, mas eu tava lendo e existe uma escola filosófica para defender a tradição... criativamente chamada de tradicionalismo. Existem realmente caras que defendem a coisa do jeito que ela tá. Bom, talvez não concordar com uma mudança de um jeito ou de outro, mas estagnação? nem os suecos, com aquele nível todo de vida devem querer estagnação! Não querer mudanças é querer que o mundo pare. Pra que sair disso? Vamos deixar assim mesmo, tá tão bom... se fosse assim, o referido não ia querer sair da barriga da própria mãe... bom, chega de criticar porque eu nem conheço o indivíduo, tampouco lembro do seu nome, e nem era um só. Bom, acho que não concordar já é um começo de aprender a pensar. Olha só, já não sou um mosca-morta, sou um candidato ao aprendizado da arte de pensar. Que merda. Só digo isso porque tem hora que eu não penso. Não mesmo. E achei que deveria começar. Ainda não é tarde, né? Nunca. Eu mesmo respondi, obrigado. Tá bom, o nível do texto tá caindo e eu já me vou pra não feder a situação. Aliás, o Zé Dirceu vai pra CPI amanhã. Quero só ver o que vai acontecer. Se rolar zona, eu quero tá no meio. Hehehe.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:35 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Julho 31, 2005
Poemas em inglês
(não levem a sério.. aliás, se já se acostumaram comigo, não levem nada desse blog a sério)


I¿m talking to the walls
But that¿s OK because
The real problem is when they start to answer

2º (esse poema é pra mim, eu vou pagar de inteligente fazendo um poema de quatro linhas em inglês que não é todo mundo que vai entender; se alguém quiser fingir que entendeu pra se fazer de inteligente, parabéns, vai fundo, campeão/campeã; se alguém entender, guarda pra si e seja mais inteligente que eu; se não for nenhuma das duas opções, o que você está fazendo aqui? vai trabalhar!)

My vest is coming
My dest is coming
I don¿t know what to do
I don¿t know what to do

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 10:40 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Julho 30, 2005
Não gosto de balada. Definitivamente. Gosto das pessoas que eu conheço e vão à balada comigo, isso sim, aí eu sinto que posso dançar horrores. Tirando isso, nossa. O ambiente, tá, pode ser muito legal, mas meu, a situação. É gostoso se acabar de dançar, mas não com outros caras bizarros. Esses sim são problema.
Odeio esses caras bombadinhos, que vêm chegando, pegando, odeio (não, eles não me pegam e me tocam, mas eu não gosto da situação nem da atitude) puta coisa chata, vem pegando, se eu fosse mulher eu socava, nossa, que horrível.
Ah, e tem, se eu fosse mulher, eu ia vestir sainha, plataforma e rebolar muito, mas ai se viesse um desses safados, puta, que ódio.
Retomando, eu não gosto das pessoas que vão na balada. Tá bom, as pessoas que eu não conheço que vão à balada. Até porque quem eu conheço eu sei que não é daquele jeito (do jeito que eu vejo na balada). Então tem um problema. Eu posso até gostar das pessoas, mas gente que eu não conheço na balada é insuportável. Sem tirar aqueles boys de dois metros que ficam olhando, melhor, perscrutando o ambiente pra achar algumas menininhas para bolinar. Eu disse. Ir à balada não é mais ir à balada: é ir à caça.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 19:08 Discorde!!: (°|°) icarus

Segunda-feira, Julho 25, 2005
Minha vida tem várias facetas. Mas isso cansa. Chega. Perturba. Não dá pra agüentar. E eu não sei por que eu falo isso. Ninguém vai entender. E eu digo isso porque eu não entendo. É incontrolável. Depois falam que eu sou estranho por querer ficar sozinho e por gostar de ficar triste. Estranho é o caralho. Eu não sou igual a todo mundo. Minha tristeza só não é triste. É silenciosa.
Eu não entendo os outros. Não tenho a mínima malícia ou noção da vida. Sou inocente. Odeio joguinhos. Não entendo pra que servem. Nas minhas relações humanas eu sempre saio fudido. Com meu primo de sete anos era assim. Eu não consigo perceber mentira, a não ser que ela seja muito descarada, e mesmo assim não faço nada. Não. Chega de amar e odiar.
E ninguém mesmo vai entender isso. Não. Malditos jovens que acham que sabem tudo.Vou expressar minha raiva e indignação. Malditos jovens. Malditas pessoas que acham que sabem de tudo. Como eu queria ter um décimo da grandeza de Sócrates. Sua teoria caberia bem aqui se eu soubesse defendê-la. Ou Chaplin. Sim. Só digo esses porque eu não conheço mais muita gente. E admito. E nem conheço os dois tão bem assim.
Oh, meu texto está sem nexo. Foda-se! Assim como fazem todos os malditos artistas, foda-se! Quero que todos se fodam, não devo nada a ninguém (exceto, infelizmente, meus pais). Não me preocupo mais com nada. Não entendo Bandeira, Drummond, Kubrick ou Dali. Picasso, Pessoa, Andrades e Zé Celso. Não entendo. Até me esforço, mas não entendo. Não entendo e cansei. Cansei de tentar e não conseguir aprender, cansei de ser passado para trás, cansei de fazer papel de idiota. Cansei.
Este é o fim. Assim acaba minha noite. Assim termina meu desabafo. Façam o que quiserem. Até diria que nunca mais vou escrever no meu blog, mas eu iria me trair. Além do mais, é meu único lugar pra desabafar. Tá bom, eu também gosto de um ou dois que vem aqui visitar. Mas ainda mantive o bom senso. Tudo que disse é verdade. Façam o que quiserem. Caralho.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 20:02 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Julho 23, 2005
Hoje fiquei o dia inteiro em casa, com a blusa do avesso, tentando fazer de uma vez só tudo o que gostaria de fazer e acabei não fazendo nada. Acho que estou ficando maluco.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:53 Discorde!!: icarus


Texto que eu escrevi há uns dois dias, quando eu estava completamente chapado de sono, vocês irão perceber o porque do chapado

Prezado Senhorio Meretíssimo Vossa Excelência
Venho comunicar-lhe por meio desta a lamentabilíssima notícia de que a música morreu. Graças ao Ato Institucional nº 18, foi proibido qualquer tipo de ritmo, batuque, ou mais de três sons que formem um tom harmônico. Pessoas que possuem voz bonita devem se manter caladas. Já foi avisado a elas para fugir do país. Escrevo essa carta às pressas pois estou fazendo as malas. Não, não vou fugir por causa da minha voz. Mas como ato de protesto, vou participar, junto com os holandeses, d'O Grito. (não é aquele terrível filme de terror). Eles não têm poder sobre nós fora das fronteiras. Sei que o senhor excelentíssimo senador vitalício tem negócios importantes a tratar por aqui, por isso nem o convoco para nos ajudar, mas peço-lhe para que, se possível, faça alguma coisa daí mesmo; sem despertar suspeitas. Porque agora começou. O sinal está ficando mais forte. El juego hay empezado.
Grato
Jõao de Barros

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 01:51 Discorde!!: (°|°) icarus

Quinta-feira, Julho 21, 2005
Por que ninguém me responde? Será que tem gente que não gosta de mim? Eu tento fazer com que gostem, mas será que tem gente que não gosta de mim? Será que eu devo me preocupar com isso? Assim como li ontem um site de um imbecil metido a crítico de cinema xingando todos os filmes que eu gosto? (crítico é tudo filho da puta) Acho que certas pessoas não merecem atenção... acho que estou me endurecendo, conforme vou crescendo... há uns dois anos tinha idéias tão bonitas, ideologias tão legais, solidariedade, o mundo era uma maravilha, será que o mundo mudou ou fui só eu? Eu não agüento mais um monte de coisas, e eu não consigo sair do lugar! Preciso deixar de lado essa inquietação... eu quero uma aventura! Uma aventura de verdade, com perigos, medos, mulheres; eu não quero um monte de merdas, idiotas, imbecis numa balada, dançando (aquilo não se pode chamar de dança), bebendo que nem cavalos, como se fosse o fim do mundo. Eu não quero balada, eu quero aventura! Aventura de verdade, algo desafiante, eu não quero realismo, quero romantismo! Não quero conflito psicológico, quero mulheres a conquistar, perigos a enfrentar, quero desafios, novos ambientes, quero tudo novo! E tudo que eu consigo é a minha consciência falando pra eu voltar pro dever de casa. É melhor voltar. Afinal, que chances eu tenho de encontrar algum desafio de verdade por aí? É mais fácil fugir, me esconder no meu quarto. Sem enfrentar desafios. Tudo na paz. Construindo-me por dentro para algum dia em especial, quando eu irei... irei morrer. A vida inteira nos preparamos para nosso próprio enterro. Vale a pena gastar energia e tempo com algo que vai passar tão rápido? Seria tão mais fácil... morrer. Muito mais. Mais simples, indolor, sem batalhas, sem brigas, um sonho eterno. Um sonho eterno. Pra quê? Pra que sonhar, pra que viver? Pra que se importar com alguma coisa? Pra quê?
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 18:57 Discorde!!: icarus


Não consigo mais pensar em nada, não consigo lembrar de nada, minha cabeça travou; eu parei, não consigo mais processar informações... Deu pane, parou tudo... não lembro de mais nada, amigos, amores, dores, e o que quer que seja... esse estado é bom? Não sei, vou entrar no msn
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 18:43 Discorde!!: icarus


Meus dedos estão gelados. Ou melhor, congelados. Mal consigo movê-los. Estou com uma preguiça danada de tomar banho. Só estou com vontade de comer. De comer e dormir. Bem Garfield. Fazer o quê. Se não é o frio, são as férias. E estou novamente sem rumo nenhum na minha vida. Eu tenho mais alguns dez dias de férias. Eu tenho que ¿teoricamente¿ fazer a tarefa de férias que nos deixaram no colégio, eles pegaram a matéria que você disse achar mais difícil e mandaram a gente fazer uma resenha, que pra mim é a mesma bosta que resumo, sobre a matéria. Sem saber disso, eu, achando que os putos dariam aulas ou ao menos reforçariam a matéria, pus, nos tópicos de história, História do Brasil. Aí os filhas-da-puta me vêm com uma dessa. Agora eu tenho dez dias pra fazer uma ¿resenha¿ sobre toda a história do Brasil. Prático, não? Seguindo o raciocínio que me ensinaram na primeira série, eu teria um dia pra cada apostila, já que temos dez. Dividindo quinhentos por dez temos cinqüenta. Ou seja, cinqüenta anos em um dia. Acho que prefiro a campanha do Kubitschek. Ou sei lá como se escreve. Mas por que reclamo? Seria a oportunidade perfeita para rever na história do Brasil tudo aquilo que passou em branco! Mas tem um porém, um porém bem grande: é férias! Porra, das minhas férias eu não abdico, tava até lendo livros para o vestibular! Não basta?
Mais uma vez ocorre um confronto entre minha consciência etapa (e se eu não passar?) e o meu eu amigos/desencanado (estudar nas férias?!). Ah, e eu quero ler Harry Potter. O quinto. Não, o sexto é em inglês e eu não quero perder detalhes. Além do mais, esse vício é uma delícia. Que vá à merda Augusto Matraga. Agora eu quero ler Harry Potter.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 17:43 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Julho 19, 2005
Isto não é poema, eu só comecei a escrever uma história que eu estava a fim. Achei que ficou legalzinha. Comentem.
PS.: Esse é só o comecinho.

O nome dele era Ernesto, mas ninguém o conhecia assim. Todos o chamavam de Rosca. Algum episódio na infância que oportunamente contarei. Enfim, o Rosca, tinha sido admitido pra trabalhar na delegacia. Como digitador. O Rosca vivia pulando de emprego em emprego. Diziam que nunca tinha ficado mais de um ano no mesmo. O Rosca negava, falava que era honesto, mas sempre alguma coisa dava errada.
Por exemplo, o primeiro emprego dele, que ele sempre citava, foi numa padaria. Lá mesmo no bairro. E o Ernestinho trabalhava bem, era eficiente, quem o via no colégio não dizia que era a mesma pessoa; acordava cedo, preparava os pães, assava e empacotava tudo na padaria. O problema é que tinha uma menina que sempre que ia lá, estragava tudo. O Rosca, quer dizer, o Ernesto, gostava dela, mas gostava que sempre que a menina chegava lá, alguma coisa dava errado. Da última vez tinha sido a pior: o Rosca carregava uma caixa de pêssegos em conserva, pesadíssima, quando viu a Fernanda - a menina - do outro lado da rua e foi acenar pra ela. A caixa caiu no pé da D. Eunice, que era a cliente mais pontual da padaria, e passava por ali naquele exato instante. Foi uma barulheira, os pêssegos quebraram, a dona Eunice xingou tudo o que podia e o que não podia (como uma velhinha sabia tantos palavrões?), o Ernesto tomou bronca do padeiro, da mãe, uma surra do pai, e sem contar que a Fernanda nem olhava mais pra ele. O seu Braga dono da padaria obrigou o Ernestinho a entregar as encomendas na casa da dona Eunice durante dois meses, porque ela tinha quebrado o pé. No final do tempo, ele não agüentava mais ver a cara da velha, que pedia sempre as mesmas coisas, à mesma hora da madrugada, que cinco e meia ainda nem era dia. Sem contar que a casa dela tinha um cheiro muito estranho. Então aquela tinha sido a última trapalhada do Rosca, que ainda era Ernestinho. O seu Braga tinha jurado que se ele aprontasse mais uma, ia ver. Pois bem, depois de um tempo desde aquele incidente, a D. Eunice já tinha sarado do pé, a Fernanda lentamente voltara a olhar pro Ernestinho, tudo corria bem. Até que um dia, na padaria, o seu Braga teve que sair rapidinho e deixou o menino cuidando da última fornada de rosquinhas, que eram o xodó do seu Braga. E ele ainda tinha falado, "Olha lá, hein, menino, não me vá deixar isso aqui queimar". Pra quê. A Fernanda apareceu lá uns cinco minutos depois do seu Braga ter saído, e enveredou no maior papo com o Ernestinho. E esse aí, como já disse, quando falava com a Fernanda, esquecia de tudo.
- Não tá sentindo um cheiro de queimado?
- Ahn, quê? Ah, não, as rosquinhas!
E não teve nem santo que o salvasse. O seu Braga veio gritando lá da esquina, porque tinha sentido o cheiro de coisa queimada. O Ernestinho ficou uma semana sem poder sentar. E perdeu o emprego na padaria. A mãe dele ficou tão brava que passou a chamá-lo de Rosca, por causa do acidente na padaria. E o apelido pegou só por causa dela. O Rosca era muito distraído.
Tá aí porque Rosca, e essa foi a história que ele contou já no primeiro dia pro pessoal da delegacia naquela indagação costumeira. Apesar disso, o pessoal ainda tirava sarro. Mas tudo bem. O Rosca já estava acostumado.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 13:10 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Julho 17, 2005
Eu sou um preconceituoso. Muito. Achando que porto ia ser só merda. Bom, depende de como você olha. Não cheguei a conhecer tanta gente quanto eu queria, mas conheci melhor muita gente que já conhecia. E gostei. Achei que porto só ia ter imbecil, mas não tinha só isso. Cada um se comporta da forma que quiser, e foda-se. Eu fiz o que achei melhor. E não me arrependo. Não foi a viagem dos meus sonhos, mas foi do caralho. Tomo mundo curte porto. Lógico que eu curti. Não sei se curti tanto quanto outros, mas isso não importa. Eu curti. Agora é voltar praquela merda de cidade cinza que me acolhe. Mas com tudo que eu trouxe da Bahia. Tudo.
PS.:É melhor eu vencer os meus medos. Ou arranjar uma boa desculpa para eles.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 22:22 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Julho 10, 2005
eu escrevi um texto. e eu vou pra porto. é melhor desligar o bom senso. acabar com o platonismo e mergulhar de cabeça nas bebidas e nas baianas. se bem que eu só vou pegar gripe... mas tanto faz. boa viagem pra vocês, porque eu vou viajar. mas não sei não. eu tava meio de mau humor. acho que a historiha que eu escrevi deu uma aliviada. bom, sei lá, ninguém sabe o dia de amanhã. meu, o que não faz com alguém aquela paixão infantil que não é correspondida. como eu sou criança. e o pior é que eu acho que não é por querer. eu respiro novos ares, eu viajo no mesmo lugar, eu penso e fantasio... quanta bobeira. como é bom ser criança. não. como é bom amor de criança. tchau.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 02:43 Discorde!!: icarus


A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo.
Enviou uma carta para o representante de cada país com a pergunta: "Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo".
A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe por quê?
Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".
Os africanos não sabiam o que era "alimento".
Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".
Os argentinos mal sabem o significado de "por favor".
Os norte-americanos nem imaginam o que significa "resto do mundo".
O congresso brasileiro está até agora debatendo o que é "honestamente".

Viva!

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 00:15 Discorde!!: (°|°) icarus

Sábado, Julho 09, 2005
Eu faço parte da juventude sem identidade. Eu nasci no final da década de oitenta, a década perdida. Se foi perdida, algum pessoal ia querer recuperá-la. Fizeram isso através das crianças. Que agora são jovens. Ou nem tanto ainda. Recordar a infância é maravilhoso. Quando se teve a mesma infância. Chega disso. Tá confuso. Eu não agüento mais falarem de um monte de coisa que eu não lembro! Eu tinha cinco anos quando devia passar esses cavalos de fogo e o caralho na televisão, mas eu não lembro de porra de episódio nenhum! Não sei o que acontece, por que isso, mas eu não lembro desse monte de coisas que falam! E o problema não é meu, porque eu também lembro de coisas que os outros não lembram tão bem, mas foda-se, ninguém perguntou isso, todo mundo só quer saber do cavalo de fogo e da Sara, e dos smurfs que eu nunca gostei, e chiquititas bizarro que eu nunca assisti, e aquela merda toda que ninguém admite que é uma merda só porque assistiu quando era criança. Eu admito que muita coisa que eu assisti quando era criança era uma merda, mas eu admito e chega, acabou, não quero mais reviver a infância, acabou, uma vez ou outra você passa os canais na tevê, vê aquele desenho e fala: nossa, lembra disso, mas pronto, acabou, nada de ficar revendo e revendo episódios de chaves, e ficar reconstruindo cenas, e o caralho. Chega! Chega! Acabou! Hora de acordar, crianças! Alguém tem que chamar à voz da razão: menos! É legal relembrar, mas isso está demasiado. Sem contar que eu odeio quando lembram coisas que eu não consigo lembrar... Esse texto começou como uma tentativa egoísta de fazer os outros se sentirem mal por lembrarem a infância. Mas agora, esse texto tem a finalidade de fazer as pessoas acordarem para a vida, não a vida, queridinho, lembrar que cada um aqui vive em grupo, e enquanto você recorda a sua infância colorida e cheia de desenhos, alguém enfia a mão na sua dignidade e drena todo o seu dinh, ops, o dinheiro do seu pai. Não é pecado recordar, mas tem limite. O que mais me dá raiva é isso. A incapacidade. Mas o primeiro passo pra vencê-la é reconhecê-la. Ah, esqueci: alguém se importa com isso? Vão tomar no cú.
PS.: Cú não tem acento, mas fica mais expressivo.
PS2.: Eu odeio quando o Word fica corrigindo essa merda!
PS3.: A juventude anterior à minha monta nas costas da minha geração. E a minha geração é montada, mas corre como um burro atrás de seu dono, tentando se tornar um novo dono. Imbecil! Eu não assistia cavalo de fogo, eu não vou fingir! Minha infância é minha, ainda tenho calafrios quando recordo a infância, porque ainda sinto-a dentro de mim! Não agüento mais fingir que sei o que não sei! Quando assistia cavaleiros do zodíaco, não me imaginava recordando-os depois de dez anos. Eu assistia e era legal. Mas acabou! Acabou! Que alegria, né? É bom ser chato, né? Condenem-me, ignorem-me, despeitem-me, comentem, façam o que quiser, caralho! Mas isso ninguém tira de mim: eu não agüento mais ser falso. Ah, vão tomar no cú mesmo. Sério. Problemas fortes aí, viu.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 14:15 Discorde!!: (°|°) icarus

Terça-feira, Julho 05, 2005
Em cima do muro
Todo mundo viaja. Todo mundo pensa. Até o mendigo lá da esquina, famoso mendigo lá da esquina, por que ele também não viajaria? Viajar, ou melhor, devanear, não é exclusividade de ninguém. Isso nos traz um problema. Ou será que não é? Vai haver inúmeras opiniões. Opiniões divergentes. Opiniões múltiplas. Mas nunca opiniões erradas, por mais obtusas que sejam. Uma opinião nunca é errada. Essa eu aprendi na primeira série. E aí a professora dava ponto de graça na prova pedindo opinião. E falava: não está errado porque é a sua opinião, só estaria errado se você não tivesse escrito nada. Grande tia Alessandra. Ensinou-me isso: só estará errado se não tiver nenhuma opinião. Precisa de mais? Não. Viva o saudosismo. Viva a tia Ale da primeira série. Vivam os devaneios. Porque só estará errado se não tiver nenhuma opinião.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 15:35 Discorde!!: (°|°) icarus

Domingo, Julho 03, 2005
Sensível, suscetível e com a cabeça em muitos lugares ao mesmo tempo, seria bom hoje se você vajasse, ou pelo menos mudasse de ares, alimentando-se de outras paisagens, e da proximidade com pessoas que tenham algo de novo a declarar. Programe seu dia de maneira a torna-lo mais interessante para você mesmo.
Este foi o meu horóscopo de hoje.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:34 Discorde!!: icarus


Estranho? Estranho é o caralho! Eu sou normal. Mas eu não caibo nisso aí. É. Louco? Louco é o cacete! Eu sou normal. Só que não fico nisso aí. Mas é muito simples: vão se foder essas denominações. Eu sou mais eu. E todos pro inferno, que eu vou me curtir. Curtir a minha razão louca. Minha loucura racional.
APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:21 Discorde!!: icarus


Texto do começo do ano

Como eu sou? Estranho. Diferente. Todo mundo é; mas eu sou mais. Desequilibrado. Mental e sentimentalmente. To pouco me fudendo pro mundo todo. Mas o problema é que eu vivo nele. Um bosta no meio de bostas. A gente se mistura. E assim vai indo. Já me conformei com a vida. Mas critico toda hora. Se faço algo pra melhorar? Sim. Um dia eu dei um real prum mendigo. Mas foi como se tivesse dado o mundo. E desde então eu condeno todo mundo de tudo. Inclusive eu. Seus bostas.

APRESENTAÇÃO:ÍCARUS HORÁRIO DA CRIAÇÃO: 21:17 Discorde!!: (°|°) icarus

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